Oposição contra subsídio camarário à ADIO

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FD-expoesteA oposição na Câmara das Caldas (PS e CDS-PP) votou contra a atribuição de um subsídio de 42 mil euros à ADIO, entidade que gere a Expoeste, contestando a gestão deficitária permanente daquela associação.
O presidente da Câmara, Tinta Ferreira, diz não entender esta posição, até porque a ADIO recebe menos apoio que grande parte das outras associações criadas sob a égide municipal e dinamiza actividades que considera “importantes para a comunidade”.

 

A oposição voltou a unir-se, desta vez para votar contra o subsidio de 42 mil euros que a Câmara vai atribuir este ano à ADIO, entidade que gere a Expoeste. O CDS-PP, na sua declaração de voto, lembra que a autarquia comprou o edifício por 340 mil euros com o objectivo de saldar as dívidas daquela associação e que a partir daí era suposto “termos uma gestão equilibrada”. Manuel Isaac diz que o ano passado terão sido injectados cerca de 200 mil euros na Expoeste e que, quando foi pedido um relatório de contas sobre um certame ali realizado no final do ano, este “nunca foi entregue”.
O CDS-PP mostra-se contra esta forma de gestão “sistematicamente deficitária, que debilita as finanças do município”, e defende que, com eventos atractivos e uma gestão criteriosa, a Expoeste poderá ser um “pólo dinamizador das actividades económicas e não um sorvedouro de dinheiros municipais”. Os centristas criticam o esbanjamento de recursos que, por outro lado, fazem falta em projectos de investimento reprodutivo.
De acordo com Manuel Isaac, é questionável não só o modo de funcionamento, como a própria existência destas associações que “não se mostram capazes, nem preocupadas, em produzir receitas minimamente aceitáveis, com vista à sua viabilização”. Alerta para a urgência em alterar este estado de coisas e defende que seja aplicado o modelo aprovado pela Assembleia Municipal, em Dezembro, que sugere uma gestão conjunta da Expoeste, Centro da Juventude e CCC.

“Teia de favorecimentos partidários”

Também os vereadores do PS, Rui Correia e Jorge Sobral, votaram contra a atribuição deste subsídio à ADIO por considerarem que se trata de uma forma de manter os pagamentos dos funcionários e uma “teia de favorecimentos partidários”, que nada tem a ver com o desenvolvimento do concelho.
Na sua declaração de voto, lembraram que já tinham denunciado estas situações em 2014 e 2012. Dizem ser um “vexame” a continuidade de apoio a instituições que a “lei proíbe que se mantenham insolventes e que tranquilamente seguem o seu caminho de ruína”, sem saberem como pagar o que devem e vivendo às custas de uma câmara que não pode, sequer, pertencer aos seus corpos gerentes.
Os vereadores criticam também a segunda compra da Expoeste, no ano passado, por 340 mil euros, e a retirada de elementos da Câmara dos corpos gerentes, continuando, por outro lado, a “amamentar financeiramente uma associação falida”.
Recordam que apenas por pressão dos vereadores do PS foi apresentado um esboço de plano de sustentabilidade financeira da ADIO, mas “carregado de projecções tão irrealistas e que o tempo provou espectacularmente inconsequentes”.
Outro motivo pelo qual votaram contra foi por não se estar a cumprir a deliberação da Assembleia Municipal para reclassificação e conversão administrativa das associações que gerem os edifícios criados pela autarquia.
Os vereadores do PS consideram que uma estrutura com o objecto da ADIO é útil, mas que deverá integrar o organigrama da Câmara, “pondo assim fim a esta farsa”, rematam.

Câmara tem um retorno indirecto

O presidente da Câmara, Tinta Ferreira, considera que a ADIO, para promover as actividades na Expoeste, necessita de apoio do município. “Se não dermos esse contributo, o sistema é deficitário e, nessas circunstâncias, não terá condições de continuar”, disse à Gazeta das Caldas o autarca.
Tinta Ferreira destaca que sem a acção das associações que gerem o CCC, o Centro de Juventude e a Expoeste ”não teríamos a política cultural, desportiva e recreativa que temos hoje no nosso concelho que beneficia tanta gente”.
O autarca deu como exemplo o Campeonato do Mundo de Artes Marciais, que decorreu a semana passada na Expoeste, e onde foram referenciadas as “excelentes condições do pavilhão”, para realçar que a este evento estão associadas despesas de manutenção do espaço e com os trabalhadores. Considera que este campeonato tem um retorno económico para a comunidade acima do apoio dado pela autarquia, sobretudo ao nível da hotelaria e restauração.
“O município pode não ter um retorno directo com estes eventos, mas se beneficiar as empresas e os próprios cidadãos, acabamos por o obter em impostos, como é o caso da derrama ou do IMI”, disse.
O autarca referiu que a ADIO apenas conta com um apoio de 42 mil euros para a sua actividade corrente, um valor inferior à maioria das associações comparticipadas, dando como exemplo o apoio de 90 mil euros à ADJ (que gere o Centro da Juventude) e de cerca de 340 mil euros à CulturCaldas (que gere o CCC).

Fátima Ferreira
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Câmara estuda forma para fusão das associações

Dando seguimento a um parecer da Assembleia Municipal, de Dezembro de 2015, que defende a fusão das associações que gerem a Expoeste, o Centro da Juventude e o CCC, a autarquia está a estudar a forma de colocar em prática essa recomendação. “Estamos a preparar um documento com os novos estatutos, que depois será apreciado pelos respectivos corpos sociais das associações”, explicou Tinta Ferreira.
Simultaneamente, os serviços jurídicos estão a estudar se é mais adequado a fusão ou a extinção das três associações e a criação de uma associação nova.
“Não é uma matéria fácil”, reconhece o autarca, que também concorda com esta fusão, que depois permitirá que haja um orçamento único que será dividido pelos vários espaços municipais. F.F.