“Um bom resultado será termos voz nos órgãos autárquicos”

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Edmundo Carvalho critica o modelo de gestão autárquico que foi implementado nas Caldas da Rainha nas últimas quatro décadas

Candidato do Chega à Câmara das Caldas não poupa nas críticas aos sucessivos executivos do PSD e garante que pretende alterar uma certa moral social, que tem prejudicado o desenvolvimento do concelho.

Edmundo Carvalho é a aposta do Chega para concorrer à Câmara das Caldas da Rainha. Em entrevista, o cabeça de lista garante que o partido não se resume a André Ventura e garante que, se entrar no executivo, poderá fazer a diferença.

O que o motiva a entrar numa corrida autárquica sem nunca ter tido experiência política?
Não tinha experiência política, mas tinha um pensamento crítico sobre a atividade política e ideias para o concelho. O Chega tem um projeto de mudar a governação autárquica no nosso país e criar uma ruptura com a atual geração falhada de autarcas. E tem o compromisso de mudar a moral social. Isto é, não podemos continuar a ter nas autarquias, por via da ambição de muitos autarcas, o vício de criar dívida que, depois, remetem para outras gerações. É a mudança desse paradigma de gestão autárquica que me fez entrar na política. Os caldenses já estão cansados de assistir a sucessivos executivos do PSD, que não conseguem resolver os problemas e ambições da população. Não podemos assistir a que as despesas correntes da Câmara das Caldas continuem a aumentar. Nos últimos dez anos, Caldas aumentou 28% a despesa, enquanto a média da Comunidade Intermunicipal do Oeste subiu 16%.

De que forma ocorreu esse aumento?
Foi, sobretudo, em transferências correntes para associações e outras entidades. Por ano, a despesa corrente aumentou 1,5 milhões de euros e cerca de 1 milhão por ano foi destinada ao CCC, à Expoeste e ao Centro de Juventude, que são geridos, respetivamente, pela CulturCaldas, ADIO e ADJCR. Tratam-se de três associações que foram criadas para gerir estes equipamentos, que têm apresentado sucessivos prejuízos que são cobertos com os impostos dos caldenses e que foram criadas para arranjar emprego para alguns protegidos do PSD.

Defende que os espaços sejam encerrados ou que se encontre outro modelo de gestão?
Não é o Chega que defende. Repare que, em 2015, a Assembleia Municipal aprovou a extinção dessas três associações. Em 2018, foi constituída outra associação, que iria englobar as três entidades, mas ainda nada foi feito. Não concordo nada com esta nova associação. Essas três associações, que custam 1 milhão de euros aos caldenses, devem ser imediatamente extintas e a Câmara assumir a gestão direta desses equipamentos.

André Ventura tem grande visibilidade, mas não pode concorrer a todas as Câmaras e Juntas. O Chega pode obter um resultado nestas autárquicas semelhante às presidenciais ou legislativas?
O presidente do partido teve 11,9% nas presidenciais e nas Caldas teve 11,8%, por isso é possível. Mas já passaram seis meses desde essas eleições. André Ventura é a cara do Chega, mas está cada vez mais rodeado de pessoas capazes. Fui convidado, no congresso de Coimbra, para integrar um gabinete de estudos do partido, que está a preparar-se para ser governo. As sondagens são animadoras.

O facto de ter listas em cinco freguesias é um bom sinal ou ficou aquém do que esperava?
É um bom sinal. Foi muito bom, porque, apesar de o Chega ter já 30 mil militantes a nível nacional, nas Caldas temos pouco mais de uma centena. A maioria desses militantes sofre de um estigma, que é generalizado, de ser do Chega e isso tornou mais difícil fazer as listas. Mas temos excelentes listas. Concorrer em cinco freguesias das Caldas é muito positivo. Daqui a quatro anos fica a promessa de que podemos, pelo menos, ir a dez freguesias, porque o partido estará mais implantado e o estigma de ser do Chega já estará esbatido. Porque o Chega não é nada daquilo que dizem.

Diz-se que o Chega é de extrema-direita. É assim?
Não. O Chega é um partido de extrema necessidade… Dizem que o Chega é fascista, mas o Chega é a antítese do fascismo. O fascismo baseia-se em regimes que são construídos de cima para baixo, em que o Estado se sobrepõe ao indivíduo. O Chega defende uma sociedade de baixo para cima, com base na família. A família é a célula fundamental do nosso desenvolvimento económico e social. O Estado só deve regular e proporcionar aquilo que a sociedade não consegue dar sozinha, para dar acesso à saúde, à educação e à segurança. Diz-se que o Chega é um partido racista, mas isso não é verdade. O que queremos é que haja uma concordância entre direitos e obrigações, independentemente da raça. Se as pessoas tiverem direitos e cumprirem os deveres, se se integrarem na sociedade e cumprirem com as tradições portuguesas, se trabalharem e pagarem impostos são integradas, venham de onde vierem. Não podemos é admitir que se tirem direitos a uns, que pagam impostos e trabalham, para dar a outros, que nada fazem, só porque são minorias. A esquerda defende a política da vitimização e não pode ser o Estado a impor a minha liberdade no percurso de vida. Isso é que é cortar a liberdade. A esquerda é que corta a liberdade de percurso às pessoas e isso é que é a ditadura.

Mas já ouvimos André Ventura defender uma nova República…
Defendo uma IV República, na medida em que Portugal tem de ser um estado de direito e não somos um verdadeiro estado de direito. O poder judicial foi assaltado pelos políticos. Temos um Estado onde a classe política domina todos os setores da sociedade, apoderou-se da justiça e temos um sistema em que governa quem não ganha as eleições. A IV República defende um sistema presidencialista.

E o que seria um bom resultado nas Caldas?
Termos voz na Câmara, na Assembleia e nas freguesias, essa é a nossa ambição. Estou seguro de que teremos mais do que uma voz na Assembleia Municipal e acho que tenho condições para ajudar a mudar a mentalidade e o tipo de governação da Câmara.

O Chega pode retirar a maioria absoluta ao PSD nas Caldas?
Acredito que pode retirar votos ao PSD e não só. Também ao PS e aos 53% de abstencionistas. A maioria não votou. Queremos tirar as pessoas do sofá e que acreditem neste projeto. O PSD está no poder há 42 anos. Para mudar é preciso mudar as pessoas. Ninguém se pode fazer de inocente e dizer que não teve nada a ver durante oito anos e estou a falar do movimento independente.

É importante retirar a maioria absoluta ao PSD?
É e o Chega quer ser o fiel da balança. Não vamos partir do princípio que o PSD vai ganhar as eleições. Seja o PSD ou seja outro, o Chega quer ser o quarto elemento para proporcionar, ou não as medidas a tomar, e aí vai ser caso a caso e em prol dos interesses dos caldenses. Não tenho ambição política, a minha carreira profissional e familiar está feita. Estou aqui para ajudar.

Que propostas concretas tem para apresentar ao eleitorado?
Vamos ter de concluir a revisão do PDM muito rapidamente. Foi feito há 20 anos e precisa de uma revisão concreta, com critérios e parâmetros objetivos e claros. Para isso precisamos de um plano de desenvolvimento territorial, que não há. É preciso criar condições e captar indústria, especialmente agro-alimentar. Apenas 25% da população ativa das Caldas trabalha em setores produtivos e 35% trabalha em serviços administrativos e de apoio. O salário médio nas Caldas são 864 euros, é o 2º mais baixo do Oeste. Em 20 anos passou de uma zona rica a uma zona pobre, com poder de compra abaixo da média nacional. ■

 

“Se queremos cuidados de saúde devemos voltar a ter o CHON”

Candidato diz que novo hospital tem sido utilizado como bandeira eleitoral sem se saber se irá avançar

Edmundo Carvalho é taxativo relativamente ao novo hospital para o Oeste. “Podemos estar seguros que nos próximos dez anos não vai ser iniciada sequer a construção”, exclama o candidato, referindo que não está sequer inscrito no Plano Nacional de Investimentos. “Andamos a sonhar e a prometer um desejo, a fazer de bandeira eleitoral um desejo que a todos interessa, mas que não temos a certeza se será feito ou não”, acusa.
Sobre a localização do novo hospital para o Oeste, Edmundo Carvalho defende que este “deverá ser nas Caldas, mas isso é diferente do terá de ser”, até porque foi aberto um concurso para o estudo da melhor localização. “Todos os concelhos o querem, portanto, o tem de ser e não admito que não seja é criar falsas expetativas. Quero crer que o estudo será sério e independente e vamos respeitar a decisão desse estudo”, conclui.
Ainda no campo da saúde, o candidato do Chega diz que “se queremos cuidados de saúde para os caldenses nos próximos anos devemos reverter o CHO e voltar a ter o CHON” e dar continuação às obras de ampliação para voltar a ter valências que foram transferidas para Torres Vedras. “Vamos melhorar o nosso hospital e os centros de saúde, porque não podem estar fechados ao fim-de-semana e depois das 17h00”, aponta.
Já relativamente ao Hospital Termal diz que o próprio contrato de concessão é limitativo: “Já passaram três anos da concessão das águas. O que é que foi feito para voltar a ter as termas nas Caldas? Nada. A pandemia começou em 2020, tem as costas largas”.
O ciclo de entrevistas aos candidatos autárquicos nesta parceria entre a Gazeta e a 91FM prossegue, na próxima edição, com as entrevistas a Sabino Félix, candidato do Chega em Óbidos, e Paulo Pessoa de Carvalho, cabeça de lista da coligação Caldas Mais Rainha. ■

06Edmundo Carvalho defende que a prioridade passa por melhorar as condições existentes ao nível da saúde