“A Verdade Dói” exposta no Museu José Malhoa

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Exposição-instalação está patente num espaço que nem era expositivo

Exposição alerta para a violência contra as mulheres, com sapatos que partilham histórias de desrespeito pelos seus direitos.

No dia internacional para a eliminação da violência contra as mulheres, 25 de novembro, foi inaugurada no Museu José Malhoa, a exposição-instalação “A Verdade Dói”. A mostra é composta por 28 sapatos vermelhos e cadeiras, que, textualmente, através de cartazes, nos dão a conhecer as histórias de 28 mulheres vítimas de violência, que nos convidam a calçar os sapatos destas mulheres e a imaginar os sentimentos, os medos, as angústias, o terror que sentiram. “A Verdade Dói”, mas não lhe podemos virar a cara”, lê-se numa das paredes.
Cedida pelo Museu do Calçado/município de São João da Madeira, a exposição-instalação resulta de uma parceria com a UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta.
Na inauguração, a diretora regional de Cultura do Centro, Suzana Menezes, convidou os presentes a lerem uma das histórias e, depois a partilharem uma palavra. “Perseguição”, “frustração”, “impotência”, “silêncio” e “solidão”, foram algumas delas.
“Nós somos corresponsáveis por estas histórias, sempre que nos calamos, sempre que fingimos não ver”, referiu a dirigente, que contou, ainda, que em março de 2020 lançaram um desafio nas redes sociais para que cada pessoa identificasse uma mulher com um papel de relevo no desenvolvimento do seu território.
“Criou-se um intenso movimento de reflexão sobre a invisibilidade das mulheres na sociedade”, partilhou. Desse projeto vai nascer, no próximo ano, um livro sobre “As Mulheres da Cultura”, precisamente para dar visibilidade a estas mulheres que se destacaram e que em muitos casos estão esquecidas.
Já Nicole Costa, diretora do Museu de José Malhoa, salientou que “as temáticas sociais têm estado presentes” no Museu de José Malhoa e revelou que nos dias seguintes se realizaria uma oficina de pintura em grandes dimensões sobre estes temas dedicada às crianças e também uma intervenção do Teatro da Pessoa, num diálogo com as esculturas existentes.
Por sua vez, Clara Bastos, presidente da Assembleia Municipal de São João da Madeira, afirmou que esta exposição vai de encontro ao que defende para os museus, que “tragam vontade de mudança”.
Joaquim Beato, vice-presidente da Câmara das Caldas da Rainha, destacou que a exposição-instalação traz testemunhos na primeira pessoa. “A Câmara associa-se a estes princípios, de não à violência, seja ela contra quem for”, ressalvou. A exposição-instalação “A Verdade Dói” pode ser apreciada até ao dia 19 de fevereiro.