Uma aplicação móvel para jovens músicos

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Gazeta das Caldas
Bernardo Rodrigues e João Raquel, da direcção e maestro da SMRO (à direita) durante a reunião de intercâmbio que decorreu em Óbidos |DR

Um jovem músico estrangeiro está de visita a Óbidos e gostaria de participar numa das actuações das bandas locais. Clica na aplicação que tem no telemóvel e fica a saber os grupos existentes na região. O mesmo pode fazer um jovem português que esteja no estrangeiro e queira tocar com músicos locais. Isto vai ser possível com uma aplicação móvel que está a ser desenvolvida no âmbito de um projecto internacional que inclui a Sociedade Musical e Recreativa Obidense.

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Um músico estrangeiro que tenha a aplicação pode ver as datas das actuações e participar num concerto da banda de Óbidos |DR

O projecto, denominado “The music is the key” está a ser desenvolvido pela Sociedade Musical e Recreativa Obidense (SMRO), juntamente com mais quatro associações, de Itália, Espanha, Alemanha e Bélgica.
A aplicação disponibilizará numa fase inicial informações sobre cada uma das associações e as respectivas terras, assim como os eventos onde as bandas filarmónicas irão actuar. “Por exemplo, em Óbidos, costumamos fazer diversas actuações durante a Semana Santa e um jovem que durante essa altura ande a passear, de instrumento às costas, poderá telefonar-nos e participar nos nossos espectáculos”, conta João Raquel, maestro da banda da SMRO.
O músico considera que esta é uma forma de divulgação dos eventos a nível mundial pois a aplicação estará disponível para quem a quiser usar. “Qualquer pessoa pode aportar informação ou juntar os eventos da sua terra”, diz, acrescentando que com a mobilidade dos tempos actuais é também uma forma dos músicos se integrarem e até criarem amizades.
Os maestros e representantes dos cinco países envolvidos no projecto reuniram em Óbidos em Agosto e deram um concerto conjunto no auditório da Casa da Música. Este foi o último evento que juntou os parceiros, faltando agora apenas concluir a aplicação móvel – por parte de uma empresa espanhola – com os dados fornecidos pelas bandas envolvidas, o que está previsto acontecer até Dezembro.

Projecto de integração

O belga Jean-Marie Xhonneux é um dos participantes. Considera que este projecto permite partilhar as boas práticas das várias associações envolvidas e entende que a aplicação móvel será um bom instrumento para os jovens.
Já Ildefonso Martos, de Valência (Espanha), destaca que com esta ferramenta pretendem sensibilizar os jovens para a oferta cultural e a realidade de cada país, tendo por base a linguagem universal da música. “Queremos criar uma rede entre os vários países que compõem o projecto e que depois se amplia a outros, que sintam curiosidade”, explicou à Gazeta das Caldas.
O maestro da Banda Sinfónica del Centro Instructivo Musical de Benimaclet, salienta ainda que será também criado um fórum, onde os músicos dos vários países poderão interagir e, por exemplo, partilhar ofertas de trabalho. A mesma opinião tem Júlio Fernandez, que espera que este seja um projecto “multiplicador” e que se espalhe por todo o mundo.
Para Samuele Faini, maestro da Banda Musicale Cittá di Stafffolo (Itália), é muito importante uma banda filarmónica, tida como uma expressão cultural tradicional estar a par da realidade actual e acompanhar as novas tecnologias. “É possível juntar duas realidades muito diversas, como a banda filarmónica e as novas gerações em rede”, defende, acrescentando que esta não se restringe à música, mas que também é cultura e associativismo.
Já para o polaco Mikolaj Kapala, que integra uma associação alemã no projecto europeu, tudo se resume a integração. “Estamos a viver em tempos difíceis onde estamos divididos por fronteiras e nenhum de nós quer isso”, disse, acrescentando que são iniciativas como esta que levam a que os jovens se conheçam.
“O projecto não terá sido bem sucedido se não tivermos jovens em movimento e a conhecer novas coisas”, rematou.
“The music is the key” prevê também a integração dos jovens na sociedade através da música. O ano passado, por exemplo, a Banda de Óbidos organizou um espectáculo onde participaram vários utentes do Centro de Educação Especial Rainha D. Leonor, a cantar e dançar. Antes, em Valência, tinha havido um concerto com as várias bandas que integram o projecto, que incluiu crianças e jovens com deficiência.