Ceres assinala centenário com ocupação total dos Silos

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Uma das vistas que se obtém dos andares cimeiros do edifício

A empresa, que se instalou nas Caldas da Rainha em 1966, está a celebrar um século de existência. Hoje alberga 38 ateliês e quer ser exemplo de reaproveitamento de instalações industriais na cidade

A Sociedade Industrial Ceres, que laborou nas Caldas da Rainha entre 1966 e 2003, assinala este ano o centenário. A empresa teve início em 1912 numa pequena fábrica de moagem em Vendas Novas, mas a firma só viria a ser constituída a 30 de abril de 1921. Expandiu-se para as Caldas após a construção de uma primeira fábrica de moagem em Montemor-o-Novo, que já era automática e bastante evoluída para a época. A segunda unidade surge nas Caldas e era igualmente avançada. A laboração foi iniciada em 1966.
“Quem construiu esta fábrica foi o meu avô Lúcio Martins de Sousa que assumiu a gestão da empresa nos anos 1940”, disse à Gazeta Miguel Paiva e Sousa, um dos herdeiros e que gere o espaço com os irmãos.
“Somos a quinta geração com responsabilidade na gestão da Ceres, em colaboração com o nosso pai, Manuel Paiva e Sousa”, contou o gestor, recordando que a família de raízes alentejanas teve forte ligação às Caldas que se tornou a cidade adotiva. De resto, o seu tio paterno, Luís Paiva e Sousa, foi presidente da Câmara.
A fábrica nas Caldas moía cereais e produzia vários tipos de lotes de farinha que abasteciam clientes e empresas do Oeste e um pouco mais além sendo, por exemplo, os fornecedores dos famosos pastéis de Belém. A unidade teve laboratório próprio onde se fazia experimentação de pão e de massas.
“Era uma das mais modernas moagens existentes em Portugal”, afiança Miguel Paiva e Sousa, acrescentando que tinham clientes desde Lisboa até à Marinha Grande e Leiria, assim como entre as Caldas, Rio Maior e Santarém.
Para além dos Silos, que se destinavam ao armazenamento de trigo, nos anos 1980, foi construído o silo destinado à farinha no edifício amarelo, o que permitiu à unidade caldense “começar a fornecer farinha a granel a clientes de grande dimensão”, explicou acrescentando que a fábrica deixou de laborar em 2003 e esteve abandonada até 2010. Nessa altura, os herdeiros decidiram a reconversão das instalações para um futuro polo criativo e foi no final da primeira década do atual milénio que começaram a alugar os primeiros espaços para criativos.

Espaços disponíveis arrendados
“Creio que podemos fazer a diferença e acrescentar valor às Caldas”, diz Miguel Paiva e Sousa, explicando que esta nova vida acaba por ser também “uma forma de homenagear os nossos avós que foram de uma dedicação e visão extraordinárias para a época”, acrescentou Miguel Paiva e Sousa.
O responsável diz que a família está satisfeita com trabalho desenvolvido nos últimos cinco anos e que continua “com vontade de continuar a ajudar a desenvolver projetos nas diversas áreas”. Há, agora, espaços dedicados à arquitetura, à cenografia, à dança e ao design. Há espaços de restauração, igrejas evangélicas, espaços ligados à música, à cerâmica e à venda de peças de design, entre tantas outras.
Além disso, os herdeiros querem que o projeto ligado àquela antiga área industrial continue a crescer, comprometendo-se a prosseguir o investimento na manutenção do edifício. Orgulham-se ainda de, no momento em que celebram cem anos, ter uma taxa de ocupação na ordem dos 100%. Ou seja, todos os espaços disponíveis estão arrendados. Deste modo, alguém ou alguma empresa que pretenda instalar-se nos Silos terá de aguardar que algum dos projetos deixe as instalações.
Miguel Paiva e Sousa deixou uma nota de apreço pela colaboradora Ângela Santos que, nos últimos 30 anos, “foi a cara visível da empresa” e impulsionadora da nova Ceres. ■

O edifício alberga perto de 40 ateliers criativos e empresariais

 

Uma das salas da Ceres no final da década de 60
Em quase todos os pisos do edifício há atividades criativas