Colégios apagam referências ao grupo GPS nas suas páginas da Internet

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pesquisagpsOs colégios Rainha D. Leonor (Caldas da Rainha) e Frei S. Cristóvão (A-dos-Francos) retiraram todas as menções que existiam ao grupo GPS (Gestão e Participações Sociais) nos seus sites na Internet, na sequência da investigação da Polícia Judiciária aquele grupo e das reportagens da TVI sobre o seu funcionamento.

Em Janeiro deste ano a PJ realizou uma operação, que envolveu mais de 100 inspectores, que visou o grupo de ensino GPS, detentor de 26 colégios, entre os quais os dois estabelecimentos das Caldas da Rainha que têm recebido verbas do Ministério da Educação, na ordem dos milhões de euros, apesar de haver capacidade na escola pública. Em causa estarão crimes de corrupção e branqueamentos de capitais.
Além da sede, no Louriçal (Pombal), foram realizadas buscas em cinco colégios do grupo, entre eles o colégio Rainha D. Leonor e colégio de Frei S. Cristóvão.
As suspeitas em relação ao grupo já são antigas. Em 2011 o jornal Expresso revelava que o ex-secretário de Estado da Educação e o ex-director regional de Educação de Lisboa (à data da aprovação da criação dos dois colégios das Caldas e celebração dos respectivos contratos de associação em 2005) estavam a trabalhar naquele grupo de escolas privadas.
O líder do grupo GPS, António Calvete, também foi deputado do PS e membro da comissão parlamentar de Educação da Assembleia da República, na última legislatura em que António Guterres foi primeiro-ministro. Este verão, António Calvete tem aparecido mais publicamente num novo papel: disc-jockey em festas, com o nome artístico de DJ AC.

As Caldas da rainha
na origem do GPS

O GPS foi criado precisamente na altura em que foram construídos os dois colégios nas Caldas, aos quais vários outros estabelecimentos de ensino se uniram.
Na reunião da Assembleia Municipal de 6 de Dezembro de 2004, o então presidente da Câmara, Fernando Costa, falou pela primeira vez no interesse de um promotor privado em construir as novas escolas em Santo Onofre e A-dos-Francos, as quais o Estado vinha prometendo há alguns anos sem que as construísse.
A 21 de Fevereiro de 2005 a Assembleia Municipal das Caldas aprovou a alienação de dois terrenos municipais à GPS para a construção das duas escolas 2, 3 com secundário.
O assunto foi então apresentado na Assembleia Municipal com alguma urgência para ser aprovado porque a Câmara queria que as obras pudessem ter início a 15 de Março, de modo a que os colégios começassem a funcionar no ano lectivo seguinte (como veio a acontecer). Pouco tempo depois seria constituído oficialmente o grupo GPS, ao qual se juntaram outros estabelecimentos de ensino.
Agora essa associação ao GPS desapareceu dos sites dos dois colégios (Caldas e A-dos-Francos). Uma pesquisa pelo termo “gps” nestes dois sites não devolve qualquer resultado, o que aparentemente quer dizer que essa designação foi apagada até de todas os textos do qual fazia parte no arquivo de notícias.
Comparando a página inicial actual destes sites com versões mais antigas (há instrumentos na Internet onde isto é possível, que foram utilizados pela Gazeta das Caldas), é notório que a ligação para o GPS desaparece do menu “ligações úteis”.
No entanto, no site do grupo GPS continuam aparecer  todas as escolas da holding. Uma relação que, pelosvistos, não biunívoca porque, além dos colégios caldenses, também os de Nazaré, Torres Novas, Covilhã, Figueira da Foz, Malveira e Mafra apagaram a referência ao patrão GPS.
Gazeta das Caldas tentou averiguar se estes dois colégios do concelho irão deixar de fazer parte do grupo GPS, mas não conseguiu obter uma resposta em tempo útil, por causa do período de férias dos seus responsáveis.

Pedro Antunes
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