Comissão quer garantias da eletrificação da Linha do Oeste até às Caldas

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A contínua prorrogação de prazos do concurso entre Torres Vedras e Caldas leva a pedido de respostas à tutela

A Comissão para a Defesa da Linha do Oeste receia que a eletrificação entre Torres Vedras e as Caldas não seja concluída no segundo trimestre de 2023, juntamente com o primeiro troço. Isto porque, de acordo com o porta-voz da comissão, José Rui Raposo, o concurso foi lançado em outubro de 2020 com um prazo de 90 dias para apresentação de propostas e, desde então, já se registaram diversas prorrogações, num total de mais 120 dias, e que já expiraram há meses.
“Até agora ninguém veio explicar o porquê do atraso e o que fazer para o superar”, reclama o dirigente, que acredita que haja empresas interessadas na obra e defende que o importante é “tentar encontrar solução para os problemas que eventualmente existam com este concurso e com esta empreitada”.

“Até agora ninguém veio explicar o porquê do atraso para o troço entre Torres Vedras e Caldas e o que fazer para o superar”

“Queremos a eletrificação porque defendemos uma linha que efetivamente sirva os passageiros”

José Rui Raposo

Em conferência de imprensa, realizada na estação das Caldas, a 12 de julho, José Rui Raposo alertou para o risco de a linha ser eletrificada apenas até Torres Vedras, com a agravante de a 1ª fase não contemplar a modernização até à estação daquela cidade.
Outra das preocupações da comissão prende-se com os prazos de entrega do novo material circulante, previstos para 2024, o que leva a que se, até essa altura, a Linha do Oeste já estiver eletrificada, sejam utilizadas as composições já existentes na CP. “Teremos unidades elétricas até às Caldas, obrigando os passageiros a fazer transbordos para material a diesel, para continuar a viagem”, explica José Rui Raposo, alertando para questões de conforto, ambientais e económicas. “Queremos uma linha que efetivamente sirva os utentes”, salienta o porta-voz da comissão, realçando que esta deve ser vista no contexto da rede ferroviária nacional pela sua importância estratégica.
A comissão quer também a garantia de que, a seguir à obra, haverá maior frequência de horários, preços nos bilhetes e passes sociais que incentivem ao uso do comboio e, nas cidades, um serviço combinado com o transporte rodoviário. Sem respostas e à espera de reuniões há muito pedidas, a comissão irá esperar “uma a duas semanas” por uma decisão da tutela e, caso tudo permaneça na mesma, “exigirá ser recebida no Ministério das Infraestruturas, para saber o que se está a passar, designadamente com o concurso”, conclui o porta-voz. ■