Elisa Ferreira defende que bazuca deve servir para “relançar economia”

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Elisa Ferreira falou a jornalistas de vários órgãos de comunicação social regional, entre os quais a Gazeta das Caldas

Comissária europeia salienta que é necessário que os estados-membros invistam no sentido de criar uma economia “mais verde, mais digital e mais coesa socialmente e espacialmente”

A comissária europeia Elisa Ferreira considera que a chamada bazuca deve “servir para relançar a atividade económica da Europa de uma forma diferente do passado” e “não para pagar estradas”, sendo necessário definir prioridades para o investimento.
Numa entrevista conjunta a vários jornais regionais, a responsável da pasta da Coesão e Reformas defendeu que o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) submetido à Comissão Europeia em abril deve servir para “relançar a economia no sentido de criar mais-valias”.
“Não estamos a falar de resolver todos os outros problemas da economia e certamente não é objetivo do PRR pagar estradas”, declarou Elisa Ferreira, que ambiciona ver uma “economia seja mais verde, mais digital e mais coesa socialmente e espacialmente” quando a Europa “sair desta crise”.

Responsável da pasta da Coesão e Reformas diz que dinheiro não deve servir para estradas

Relativamente à aposta na Linha do Oeste, a comissária europeia explicou que o concurso público para a 2ª fase da modernização “ainda vai demorar”, admitindo-se que seja iniciado em 2024 e termine em 2026, pelo que “caberá melhor” no âmbito da Nova Política de Coesão 2021-2027, bem como outros investimentos na ferrovia.
“Quer nos fundos 21-27, quer no PRR, há setores que tiveram uma preocupação especial na vertente ambiental. O turismo é um desses casos, mas outros devem também preocupar-se com estas questões”, declarou a antiga ministra do Ambiente nos governos de António Guterres, para quem os países-membros devem apostar em “não fazer a mesma coisa, mas aproveitar esta oportunidade” de financiamento para alavancar uma economia mais verde.
Para a antiga vice-governadora do Banco de Portugal, o importante neste momento é discutir o que é que o país “vai fazer relativamente” à bazuka. “O dinheiro da Europa é para fazer coisas que muito dificilmente seria possível fazer sem esse dinheiro. Nessa medida, os fundos deviam ser aproveitado para fazer coisas mais difíceis e fazer a ligação com as empresas”, declarou.
Elisa Ferreira observou que a chamada bazuca resulta de um grande esforço europeu, dado que a Comissão Europeia “tem entre 2028 e 2058 para pagar a dívida” que agora vai contrair para acudir aos estados-membros.

O montante financeiro do PRR ascende a 16.644 milhões de euros, dos quais 13,9 milhões serão a fundo perdido

Os números do PRR
O montante financeiro do PRR ascende a 16.644 milhões de euros, dos quais 13.944 milhões de euros correspondem a subvenções. O governo tem, ainda, a possibilidade de recorrer a um valor adicional de 2.300 milhões de euros em empréstimos. O documento, intitulado “Recuperar Portugal, Construindo o futuro”, aguarda aprovação de Bruxelas. O governo fez saber que aguarda o ‘sim’ até final de junho, ainda durante a presidência portuguesa da União Europeia.
Fonte da Comissão Europeia frisa que o desenvolvimento da rede ferroviária em Portugal é um instrumento “catalizador” para o desenvolvimento económico e social de todas as regiões do país e com um “importante contributo para a concretização do Pacto Ecológico Europeu”.
O plano português está, no domínio dos transportes, bastante centrado na mobilidade rodoviária e urbana. Portugal pretende recorrer ao Connecting Europe Facility (CEF) e ao Fundo Europeu Regional e de Desenvolvimento (FEDER) para ajudar a financiar os investimentos ferroviários listados no PNI 2030, tratando-se de projetos “que são realmente necessários.” Para a UE, a ferrovia é uma área na qual o nosso país deve executar apostas claras na melhoria das linhas existentes para obter “melhores condições de operacionalidade e maior velocidade” e consumar a linha de alta velocidade que ligue Lisboa e Porto.
De resto, as recomendações emitidas pela Comissão em 2019 e em 2020, incluíam a necessidade de investimento e da aposta numa política económica associada ao transporte ferroviário, focando o investimento na transição verde e digital, em particular na produção e utilização limpa e eficiente da energia, nas infraestruturas ferroviárias e na inovação. ■