Inácio Antunes: um padre empreendedor

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Com o Cardeal Cerejeira no uso da palavra na inauguração da nova igreja em 1955

Pároco decidiu fazer referendo para validar construção da igreja e está ligado ao crescimento da Benedita

Inácio Antunes dá nome à avenida que faz a ligação do centro da Benedita ao IC2 e essa homenagem justifica-se pelo facto de o padre ter sido o principal responsável pela construção da Nova Igreja e da criação da artéria que liga a localidade à Serra de Aire e Candeeiros. É por isso que, ainda hoje, é recordado como um padre empreendedor.
Natural de Marruas, no concelho de Torres Novas, onde nasceu em 1913, foi ordenado sacerdote em Lisboa a 29 de junho de 1938 e serviu em Peniche e na Serra d’El Rei, antes de chegar, em 1951, à Benedita. Por ali ficou apenas sete anos, mas a aldeia nunca mais foi a mesma.
O pároco diligenciou junto da câmara de Alcobaça o desenvolvimento do plano de urbanização que permitiria “abrir” a avenida ao local da nova igreja, que só avançou depois de um referendo popular. E com resultado expressivo: 90% votaram a favor da destruição da velha igreja construída no local onde Nossa Senhora terá surgido junto à Fonte da Senhora e a construção de um templo noutra zona. Para aquele resultado esmagador muito terá contribuído a carta que enviou aos “chefes de família”, que, na época, constituiam o colégio eleitoral…
Como a obra custava cerca de 2 mil contos, a 1 de julho de 1952 começavam as campanhas de angariação de fundos, a 25 de outubro de 1953 seria lançada a primeira pedra. E em 1955, na presença do Cardeal Cerejeira e altas individualidades da Igreja Católica, seria inaugurada uma imponente igreja, que ajudou a transformar por completo a Benedita e iniciou um novo ciclo na vida dos beneditenses.
Para a história fica o lema de Inácio Antunes, aquando das diligências para a construção do templo religioso: “Avante nova Igreja – Avante por uma Benedita maior”.
O padre empreendedor, que viria a falecer em Lisboa em 1992, trabalhou na paróquia da Benedita durante sete curtos anos, mas a obra que deixou erigida perdura no tempo. ■