Benedita: Uma terra de empreendedores virada para o desenvolvimento e futuro

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A Igreja Nova, inaugurada em 1955, com grande envolvimento da população transformou a face da Benedita

Aquela que chegou a ser a freguesia mais industrializada do país e sede da Associação Nacional de Freguesias continua a criar riqueza para o concelho de Alcobaça e para o Oeste

A Benedita é uma terra de empreendedores e, sobretudo, virada para o desenvolvimento e futuro das gerações vindouras, criando riqueza para a região. Foi a freguesia mais industrializada do país na década de 1980, recebeu a sede da Associação Nacional de Freguesias e, apesar das várias crises que sofreu, mantém uma vitalidade empresarial que lhe permite ser a freguesia mais povoada do concelho de Alcobaça.
Embora os primeiros relatos sobre a existência da Benedita remontem ao século IX, o território que hoje conhecemos como a freguesia foi definido em grande parte pela intervenção da Ordem de Cister. Como as terras não eram tão férteis como os monges desejavam, os terrenos foram sobretudo utilizados para a agro-pecuária e a suinicultura tornou-se um setor de grande peso económico.

Matriz identitária dos beneditenses passa pelo trabalho e pelo progresso

A 20 de dezembro de 1532 foi criada a freguesia, por carta assinada pelo Cardeal Infante D. Afonso, administrador do Mosteiro de Alcobaça, desanexando territórios da vilas de Turquel, Santa Catarina, Alvorninha e Rio Maior.
Já no século XVIII, a Benedita afirma-se como uma das freguesias mais progressivas dos Coutos de Alcobaça, passando a denominar-se paróquia de Nossa Senhora da Encarnação, que, séculos depois, veio a dar nome à cooperativa que criou o Externato da Benedita, entidade que permitiu a milhares de jovens prosseguirem os estudos e desenvolverem a apetência pelo empreendedorismo.
Antes, a ação de artesãos tornou a Benedita numa espécie de cluster em setores como o calçado e a cutelaria e, já em pleno século XX, a chegada da eletricidade, com intervenção direta do padre Inácio Antunes, abriu caminho à industrialização, que seria exponenciada pela construção da Igreja Nova e, na década de 1960, com a implementação do projeto de Desenvolvimento Comunitário. Estes melhoramentos, conjugados com a criação do Externato Cooperativo, permitem a afirmação plena da aldeia, que é elevada ao estatuto de vila a 16 de maio de 1984, no apogeu da freguesia.

Freguesia tem vindo a crescer em termos de população nas últimas décadas

A Benedita tem vindo a crescer em termos de população e, segundo os últimos Censos, de 2011, apresentava uma população de 8.635 habitantes. Admite-se que este número seja revisto em alta nos próximos Censos, até porque, nas últimas eleições autárquicas, estavam inscritos na freguesia 7.384 eleitores.

O legado
Maria de Lurdes Pedro considera que as pessoas da Benedita “são muito dinâmicas” e estão treinadas para “procurar soluções onde outros só vislumbram os problemas”.
A presidente da junta da Benedita recorda o “crescimento exponencial nos anos 1980” e acredita que a freguesia pode voltar a ganhar protagonismo com projetos em curso como a nova Área de Localização Empresarial, a maior empreitada de sempre no concelho de Alcobaça e cuja obra está em andamento.
“A crise chegou a todo o lado, também à Benedita, mas as pessoas têm esse dinamismo interior. Aqui não se fica à espera e a Benedita continua a ser uma terra muito dinâmica, com uma característica muito acentuada de arregaçar as mangas e continuar”, salienta a autarca, valorizando o que os antepassados fizeram pela localidade.
”As gerações anteriores olharam para as necessidades da população. Foi isso que fez a Benedita. As pessoas pararam, analisaram e perceberam as necessidades ao nível da educação, indústria e todas as áreas. Depois, fizeram obra. E esse o exemplo que temos de prosseguir”, sustenta Maria de Lurdes Pedro, que considera que a Benedita vai “continuar a ser uma freguesia importante do concelho, da região e vai voltar a ter crescimento económico”. ■