Início da dragagem da Lagoa arranca até final de maio

0
111
Seecretária de Estado do Ambiente, Inês dos Santos Costa, marcou presença na assinatura do contrato relativo às dragagens da Lagoa de Óbidos

Assinatura do auto de consignação da empreitada decorreu esta terça-feira. Intervenção no valor de 15 milhões de euros tem prazo de execução de 18 meses, que já começou a contar

Esta terça-feira, 27 de abril, foi dado mais um passo importante para o final da longa espera pela dragagem da zona superior da Lagoa de Óbidos, com a assinatura do auto de consignação da empreitada, que marca o início do prazo de execução da obra. Na cerimónia marcou presença a secretária de Estado do Ambiente, Inês Santos Costa.
Durante 18 meses, vão ser dragados da lagoa cerca de 1 milhão de metros cúbicos de sedimentos, que serão depositados ao largo da costa, numa empreitada orçada em 15 milhões de euros, financiada pelo POSEUR.
Segundo Pimenta Machado, vice-presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), o consórcio já se está a instalar nos locais onde a empreitada vai decorrer.
“A draga está a ser desmontada [em França] e dentro de um mês está cá”, até lá decorrem os trabalhos preparativos, para que, quando esse equipamento chegar, a dragagem comece de imediato, explicou.
A dragagem será acompanhada de prospeção arqueológica, monitorização ambiental, da fauna e da flora, além da qualidade da água, dos sedimentos e da hidrodinâmica.
Na cerimónia de assinatura, o presidente da Câmara de Óbidos, Humberto Marques, e a vice-presidente da Câmara das Caldas da Rainha, Maria João Domingues, manifestaram satisfação pelo processo ter chegado, finalmente, a este ponto, depois de passados seis anos sobre o final da primeira parte da intervenção.
Esse foi, contudo, um dos pontos que o autarca de Óbidos, destacou, dando nota de preocupação pelo estado em que se encontram os canais abertos na primeira fase.
“Quero sensibilizar, desde já, para não perdermos um investimento de cerca de 20 milhões de euros”, montante do conjunto das duas intervenções, afirmou. Maria João Domingues reforçou essa preocupação “com o que será necessário fazer a seguir”.
Além disso, Humberto Marques salientou que a Lagoa de Óbidos representa um valor anual bruto de cerca de 20 milhões de euros por ano, pelas atividades económicas dela dependem, e que ficam em causa se a manutenção do ecossistema não for realizada. O autarca realçou que “não estamos livres de haver uma ou outra análise que possa colocar em causa a apanha de bivalves na lagoa”, pelo que solicitou apoios do Estado aos mariscadores caso tal se venha a verificar, impedindo a atividade destes.
Humberto Marques deixou ainda um pedido a Pimenta Machado para que as tubagens de encaminhamento dos sedimentos, cuja colocação está prevista para a margem sul, não impeça a utilização da praia no verão.
Inês dos Santos Costa, secretária de Estado do Ambiente realçou, que o programa de da orla costeira, que tem intervenções previstas nos esporões do Alcoa e no cordão dunar do Baleal, protege a economia, protegendo os recursos naturais, mas salientou que e preciso fazer trabalho a montante, nas ligações nas redes de saneamento e nas ligações industriais para garantir resiliência do sistema, porque “muitos dos problemas são erros do passado”.
No seguimento desta cerimónia, realizou-se a primeira reunião da Comissão de Acompanhamento das Intervenções, que reunirá uma vez por mês. ■

 

Humberto Marques, presidente da câmara de Óbidos, aproveitou a oportunidade para solicitar à Agência Portuguesa do Ambiente a implementação de medidas que permitam a utilização da praia no próximo verão

 

Momento da assinatura do auto de consignação; à esquerda, a vice-presidente Maria João Domingues representou a câmara das Caldas da Rainha