Monumento homenageia emigrantes

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O autor, Carlos Enxuto, explicou a simbologia da obra que ocupa toda a rotunda da Granja, na Serra do Bouro

Monumento na rotunda da Granja, na Serra do Bouro, foi inaugurado a 15 de agosto

“Uma obra esculpida sobre os movimentos humanos – a emigração – emerge do encontro de um navio, com os versos lusos do canto I da epopeia portuguesa. E, à semelhança da viagem das gentes da Serra do Bouro, que partiram pela primeira vez para o longínquo Norte (Estados Unidos e Canadá), a obra é atingida após a viagem que o traço percorre até à matéria”. Esta a forma como o autor, Carlos Enxuto, começa a explicar a peça que encima a rotunda da Granja, apelidada de A Viagem e que é uma homenagem à emigração.
O autor referiu ainda que o corpo central da escultura, em Aço Cortem, lembra um cargueiro de aço dos anos 50, e que a proa, orientada a Norte, representa o momento da partida para o desconhecido e a esperança de rumar a algo melhor. A coragem é materializada pela figura humana e três linhas “ilustram o rumo de ida e regresso para novos destinos, enquanto celebram o regresso à Serra”, partilhou Carlos Enxuto, que ainda incluiu o verso da Epopeia Portuguesa.
De acordo com o presidente da União de Freguesias de Santo Onofre e Serra do Bouro, o investimento na base e escultura anda na ordem dos 24 mil euros, a que se junta o custo com as obras feitas pelo anterior executivo, ao nível do alcatroamento, ligações pluviais e saneamento do local. Para a realização da obra de arte foram contatados três artistas caldenses, com raízes na freguesia, tendo sido escolhida a de Carlos Enxuto “pela beleza e o simbolismo, que é uma homenagem aos emigrantes, referiu Nuno Santos. Também ele filho de emigrantes, considera que é importante saber receber que escolhe esta freguesia para se fixar e integrá-los nas atividades locais. “Na Serra do Bouro fixaram-se imigrantes que deixaram os seus países para aqui passarem a reforma, enquanto que em Santo Onofre estão muitos migrantes, para trabalhar”, disse, chamando a atenção para estas diferentes realidades.
Também presente na cerimónia, a vereadora Conceição Henriques referiu-se à emigração como parte da “história que nos marca como povo”, no saber bem receber. Referindo-se à aventura da partida para o desconhecido, destacou a coragem e generosidade dos emigrantes, mas também a importância de nos colocarmos do lado do outro, que vem de outras paragens à procura de melhores condições de vida. Também o presidente da Câmara, Vítor Marques, destacou o simbolismo da peça, que homenageia quem parte, mas também quem chega a esta freguesia e deixou uma palavra aos representantes da Associação Regional Caldense, que marcaram presença neste “momento emblemático”. ■