Produção de Maçã de Alcobaça pode crescer 50% este ano

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Maçã Alcobaça - Gazeta das Caldas
A produção de Maçã de Alcobaça continua a crescer e pode atingir as 45 mil toneladas este ano (foto de arquivo)

A Maçã de Alcobaça deverá ter na época 2017/18 uma das melhores campanhas de sempre, podendo atingir as 45 mil toneladas de maçã certificada, até mais 50% que no ano passado. A fileira está em crescimento, este ano foram adicionados 20% de novos pomares e nos próximos dois anos estima-se que a área plantada suba de 1.200 para 1.500 hectares.

Para a época 2017/18, cujo processo se encontra na fase de crescimento do fruto, espera-se uma campanha normal. As condições climatéricas foram as ideais. Fez frio na altura certa, o que permitiu um correcto despertar das árvores. Na época da floração as temperaturas estiveram amenas e não houve oscilações nem fenómenos destrutivos, como o granizo. Na fase actual, não se verifica excesso de chuva, que pode afectar o sabor do fruto, explicou Jorge Soares, presidente da Associação de Produtores de Maçã de Alcobaça (APMA), que acredita que a falta de água não deverá ser um problema para esta campanha.
Tendo em conta que houve este ano um aumento de 20% na área de pomar inscrita para Maçã de Alcobaça IGP, para os 1.200 hectares, estima-se que a produção seja entre 40 a 45 mil toneladas, o que representa um crescimento entre os 30 e os 50%.
Na campanha que está a terminar, que resulta da produção de 2016, houve um decréscimo na ordem dos 30%. A fruta certificada, cerca de 60% da que os pomares produzem, ascendeu às 30 mil toneladas, com um volume de negócios de 30 milhões de euros, quando na campanha de 2015 tinham sido 40 mil toneladas. A quebra de produção foi a maior com que a associação já se debateu, no entanto “foi tolerável porque as condições climatéricas foram muito adversas”, explica Jorge Soares.
O recuo da produção teve efeitos sobretudo ao nível das exportações, que baixaram de 29% para 12% na campanha 2016/17. Jorge Soares explica que esse efeito foi estratégico. Ao longo dos anos a fileira direccionou-se para um mercado interno que estava muito virado para a importação. “Recuperámos muito espaço à maçã importada, que chegou a ser de 100 mil toneladas mas diminuiu um terço graças ao nosso posicionamento. Era importante manter esse foco, por isso sacrificámos a exportação”, explica.
A campanha de 2017/18 deverá permitir que a marca volte a crescer no mercado externo e para isso a APMA poderá avançar com um clube de exportadores, que permitirá às organizações de produtores actuarem juntas no estrangeiro, como fazem já em Portugal.
Actualmente a APMA é composta por 19 organizações de produtores numa zona entre a Serra dos Candeeiros e o mar e dá emprego directo a cerca de 1.200 pessoas. Estima-se que a área plantada possa atingir os 1.500 hectares dentro de dois anos.
Jorge Soares diz que cada hectar de pomar representa 220 dias de trabalho directo, ou seja, garante um posto de trabalho a tempo inteiro, e significa menos um camião de fruta estrangeira a entrar no nosso mercado.
O sector também garante divisas ao Estado já que 40 a 45% do preço que o consumidor paga corresponde a receita fiscal, incluindo a tributação da mão-de-obra e de energia. Já com a fruta importada, o Estado pode amealhar entre 6 e 10% do preço final em receita fiscal, e se a comercialização for feita fora do sistema fiscal “e isso pode acontecer com fruta espanhola, a receita fiscal é zero”, salienta o presidente da APMA.
Jorge Soares identificou alguns dos desafios que norteiam o futuro da APMA. O principal é continuar a valorizar um produto que per si valoriza as pessoas e o território. E isso implica “o reforço dos laços de união dos produtores, porque se a Maçã de Alcobaça deixar de ser um projecto associativo deixa de ter estes resultados”, salienta Jorge Soares.