Sabores da Serra de Montejunto na EHTO

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IMG_0005Da Serra de Montejunto até à mesa da Escola de Hotelaria e Turismo do Oeste veio o cabrito, o queijo fresco e o mel, que se juntaram à codorniz, à pêra rocha e aos conceituados vinhos das adegas do Cadaval (Confraria) e da Vermelha (Mundus), no quinto almoço dos Sabores do Oeste, desta feita dedicado ao Cadaval.

No almoço da passada sexta-feira dos Sabores do Oeste, na Escola de Hotelaria e Turismo do Oeste, surgiram os produtos do Cadaval em forma de canja de codorniz, cabrito assado com batata cozida e grelos, pataniscas de bacalhau com molho de tomate e tarte de pêra rocha com queijo fresco e mel serranos, sendo acompanhados pelos vinhos branco leve seleccionado, escolha tinto 2012 e licoroso da Mundus (Adega Cooperativa da Vermelha) e moscatel branco leve e tinto Confraria (Adega Cooperativa do Cadaval).

Da Serra de Montejunto veio o queijo fresco, o mel e o cabrito. O cabrito serrano é muito apreciado na zona Oeste, sendo a grande diferença a alimentação nos pastos da serra. “A origem tem influência, a alimentação é fundamental”, explicou Carlos Guilherme, em representação da José Rodrigues Lda., empresa que se dedica à comercialização e industrialização de carnes, admitindo ainda que os animais também comem cereais, para os ajudar a desenvolverem-se.
A empresa, sedeada no Cadaval, comercializa o frango do campo, o borrego e o cabrito serrano e dedica-se ao mercado interno, maioritariamente na zona Oeste, tendo uma facturação anual de cerca de um milhão de euros.
Da Coopval, central fruteira que se dedica maioritariamente à pêra rocha, veio Ricardo Jorge. “Este ano houve muito poucas horas de frio”, notou aquele elemento da direcção da cooperativa, explicando que isso pode levar a que as florações sejam irregulares. “Pode condicionar um pouco a produção. A floração costuma ser a meio ou fim de Março”, esclareceu.
Um cenário ainda em aberto é que isto possa “atrasar um pouco a campanha e a apanha ser mais tarde, mas neste momento é difícil dizer se vamos ter uma produção maior e mesmo em termos de qualidade”, ressalvou.
A Coopval tem 320 sócios e produz entre as 20 e as 25 mil toneladas por ano. Dedica-se maioritariamente à exportação (80% da produção) e “as produções e as exportações têm aumentado todos os anos”. Para além de pêra rocha cultiva também maçã gala e fuggi, pêra moretini.
Quem também esteve no almoço foi Rui Soares, presidente da Adega Cooperativa da Vermelha, que trouxe os seus vinhos Mundus. Falou da política de internacionalização daquela adega, que a levou a estar “presente em África, Ásia, Europa e América”, em países como São Tomé e Príncipe, Brasil, Moçambique, Angola, Iraque, Polónia, Rússia, América, China e Japão.
“Há dez anos produzíamos e vendíamos 90% dos nossos vinhos a granel e neste momento toda a nossa produção é de engarrafados ou engarrafonados. Tínhamos 5% no mercado externo, neste momento temos 35%”, referiu Rui Soares.
O anfitrião Daniel Pinto, director da EHTO, falou do lado pedagógico da iniciativa. É que, para além de ficarem a conhecer a gastronomia da região, os alunos pesquisam acerca da cultura oestina. “Não há nada pior que não conhecer a sua própria casa”, afirmou, acrescentando que a iniciativa é uma forma de passar aos alunos a mensagem do sector agro-alimentar do Oeste. “Queremos que os alunos levem esta mensagem, que possam ser defensores e embaixadores da região”, concluiu.
O almoço foi confeccionado e servido pelos alunos do 2º ano de Técnicas de Cozinha e Pastelaria, Técnicas de Serviço de Restauração e Bebidas e Operações Turísticas e Hoteleiras.
José Bernardo Nunes, presidente da Câmara da Cadaval agradeceu à escola pela iniciativa. “É muito importante para uma CIM como a nossa, onde os 12 municípios estão ligados à produção de bens alimentares, esta ideia de fazer um dia de referência de cada município”, afirmou, acrescentando que é uma zona onde não há dificuldade em encontrar bons produtos.
Para além disso, esta iniciativa “é uma oportunidade de dar a conhecer os produtos de cada concelho a estes jovens que vão ingressar no mercado de trabalho em breve”, sendo “fundamental para nós que vão com o conhecimento dos produtos para os poderem divulgar e incentivar o seu consumo”, disse, antes de concluir que o projecto Sabores do Oeste “foi uma ideia excelente, porque permite o convívio agradável entre nós, mas também divulgar a região”.

Texto e fotos: Isaque Vicente
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