O sol e as temperaturas primaveris do início da semana levaram a que a reabertura das esplanadas fosse concorrida. Ainda assim, os empresários não se mostram confiantes relativamente à retoma

O sol e as temperaturas amenas, a rondar os 20º, foram o convite perfeito para o reabrir das esplanadas, no início desta semana. Na segunda-feira, 5 de abril, pelas ruas das Caldas, as esplanadas estavam praticamente todas cheias. Ao contrário do que sucedeu durante meses, ouvem-se pessoas, há conversas e, até, algum frenesim. No ar, o típico cheiro a café e a… normalidade.
A máscara ainda causa um certo desconforto, mas voltar a este ato simples de estar na esplanada já é um avanço face à reclusão a que todos temos estado impostos.
As saudades de simplesmente estar na esplanada, na rua, a conviver, não permitiram a muitos esperar mais, e aproveitaram esta liberdade para a exercer.
Foi o caso de Ana Serrenho, que aproveitou o primeiro dia desta reabertura para ir almoçar na cervejaria O Litro. “Tinha imensas saudades de estar na esplanada ao sol, já estava a contar os dias”, disse a caldense. “Estava sol e uma temperatura agradável, calhou bem!”, exclamou.
Ana Serrenho disse que se sentiu bem neste regresso. “Foi normal e senti-me bem, gosto muito de ir a este sítio comer e socializar”, contou, acrescentando que sentiu que estava um bom ambiente na esplanada.
“Não se sentia as pessoas com medo, tinham respeito pelas regras, mas sentia-se que tinham vontade de sair”, explicou à reportagem da Gazeta.
Esta caldense sentiu-se completamente segura nesta reabertura. “Estava tudo organizado e distanciado, toda a gente com máscara, as mesas eram desinfetadas e todas as regras eram cumpridas”, analisou. “Quando alguém se esquecia de colocar a máscara, por exemplo, para ir à casa-de-banho, os funcionários alertavam logo”, sublinhou.
Quem também aproveitou o sol para se sentar na esplanada foi Luísa Santos.
“Vim para apanhar um bocadinho de sol e para beber um café com as minhas amigas”, contou.
“Considero que é importante que as esplanadas estejam a funcionar, com respeito pelas regras impostas pela Direção-Geral da Saúde, mas é importante para sentirmos alguma normalidade e para quem tem negócios nesta área”, alertou a munícipe, que no primeiro dia não ficou surpreendida por ver tantas pessoas na rua. “Penso que estamos todos com vontade de sair e de nos encontrarmos”, referiu, acrescentando que também ela se sentiu confortável e segura na esplanada.

Dia com muita afluência
No primeiro dia após este confinamento, Tomás Vieira, da Cervejaria O Litro, teve a esplanada cheia desde a hora de almoço até ao fecho, pelas 22h30.
“Foi um dia excecional, com muita afluência”, conta. “Deu para matar saudades”, desabafa o comerciante, que nos últimos meses tem sentido na pele as dificuldades impostas pela pandemia de covid-19 que mudou as vidas de milhões de pessoas.
Do ponto de vista empresarial este foi também um bom dia. A faturação mais do que duplicou face ao volume registado anteriormente, quando apenas podiam vender refeições para serem consumidas fora. “O take-away serviu apenas para minimizar o prejuízo”, frisa Tomás Vieira.
A cervejaria é um ponto de encontro e de convívio e, num cenário normal, todos os dias recebe dezenas de pessoas.
Com as novas medidas, e comparativamente com a lotação à data de encerramento do negócio, foi possível manter o mesmo número de lugares na esplanada. A grande diferença está no facto de, nesta fase, o interior do restaurante não estar a trabalhar. “Foi muito bom este voltar à normalidade depois de tantos meses parados”, concluiu.
José Elói, proprietário do restaurante e café Maratona, contou à Gazeta das Caldas que a reabertura da esplanada, “a julgar pelo primeiro dia, correu muito bem”.
O empresário realça, ainda assim, que esteve um dia de primavera, com sol e temperaturas agradáveis, o que se aliou a uma grande ansiedade das pessoas em sair e em conviver.

“Em termos de caixa não tem nada a ver com o que se consegue a trabalhar exclusivamente em take-away”

José Elói

“Foi muito bom este voltar à normalidade após tantos meses parados”

Tomás Vieira

“Em termos de caixa não tem nada a ver com o que se consegue a trabalhar exclusivamente em take-away, porque na confeção de refeições para fora temos de nos esforçar imenso para faturar muito pouco”, justifica.
Também neste caso, o movimento de caixa foi mais do dobro do que se tinha vindo a registar no modelo anterior, apenas com refeições para fora. Mas o facto de trabalhar apenas com esplanada é um desafio. É que, num ano normal, entre o melhor dia de verão e o pior do inverno, a faturação da esplanada regista uma flutuação de dez vezes.
Apesar de feliz com a reabertura, o empresário já esteve mais confiante. “O terrível é pensar neste processo de avanços e recuos, é muito doloroso preparar tudo para reabrir, em termos de pessoal e de matéria-prima, e 15 dias depois sermos obrigados a recuar”, aponta.
E mesmo das limitações no número de pessoas por mesa, no caso do Maratona, o empresário conseguiu quase manter o mesmo número de lugares à disposição dos clientes. Costumam ser 55 e agora são 30, mas foi possível aproveitar as arcadas e uma parte do passeio para aumentar a capacidade em 16 lugares.
O empresário é também proprietário da Taberna Marginal, em São Martinho do Porto, que ainda não reabriu as portas.
“Em São Martinho, o forte são os jantares”, explica, fazendo notar que ainda não está um clima suficientemente agradável para trabalhar os jantares nas esplanadas da baía em forma de concha. Há que esperar melhores dias. Dias de relativa normalidade. ■
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