Termalismo e cuidados de saúde primários marcam feriado nas Caldas

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A comparticipação nos tratamentos termais e a aposta nos cuidados de saúde primários foram anúncios feitos por António Lacerda Sales

Convidado para as festas da Cidade, o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, trouxe consigo um presente: a notícia de que o Estado continuará a comparticipar os tratamentos termais prescritos pelo SNS em 35% até ao valor de 95 euros. “Com a publicação da portaria o governo mantém a confiança no termalismo e na sua contribuição para a prevenção da doença e promoção da saúde”, manifestou António Lacerda Sales, durante a visita ao Balneário Novo do Hospital Termal e que coincidiu com a reabertura dos seus tratamentos.
O governante destacou a importância dos tratamentos na recuperação de sequelas nesta fase pós Covid 19 e manifestou o “justo reconhecimento” à autarquia pelo trabalho que tem vindo a desenvolver desde que ficou com a concessão do património termal. “Devemos olhar para as águas termais numa ótica de promoção da saúde, mas também de atividade de entre família ou entre amigos”, salientou, defendendo o diálogo entre diferentes entidades e promovendo uma maior informação e investigação.
O “trabalho exemplar” que está a ser feito ao nível do termalismo caldense foi também evidenciado pelo diretor clínico do Hospital Termal, Jorge Santos Silva, lembrando que acarretam o “peso” de ser o hospital termal mais antigo do mundo.
Na presença do governante e entidades oficiais, o presidente da Câmara, Tinta Ferreira, referiu que terão menos utentes do que o que seria expetável, por força das limitações da pandemia, mas que haverá uma “dedicação total” na realização dos tratamentos de doenças respiratórias.
O chefe do executivo municipal deu, também, devida nota das obras que estão a decorrer no primeiro piso da ala sul do Hospital Termal. Está também projetada uma segunda ala, no rés do chão do edifício, idêntica à que deverá entrar em funcionamento no verão, e que poderá dar resposta a uma procura maior de aquistas. Há ainda o projeto global de recuperação patrimonial do edifício, que deverá acontecer numa fase posterior.
Relativamente às comparticipações, apesar de considerar uma “boa notícia”, Tinta Ferreira refere que se trata de uma renovação da prática de anos anteriores e considera que este apoio poderia ser um pouco superior, bem como perdurar por vários anos. “Era fundamental para garantir as decisões que têm de ser tomadas para a sustentabilidade dos sistemas das termas”, disse, acrescentando que, no caso caldense, o défice que resulta do funcionamento das termas é coberto pela autarquia.

Êxodo dos médicos para Norte
Em Santo Onofre, o secretário de Estado inaugurou o novo equipamento de saúde, que integra a Unidade de Saúde Pública Zé Povinho e a Unidade de Saúde Familiar Rainha D. Leonor, e possui espaços polivalentes, como um gabinete de saúde oral e um de fisioterapia. Na apresentação do equipamento, Marta Félix, presidente do conselho clínico, explicou que a USF Rainha D. Leonor é constituída por oito médicos, oito enfermeiros, seis assistentes técnicos e seis internos de formação especifica e presta cuidados a uma população de cerca de 15 mil utentes. Está integrada no ACES Oeste Norte, que conta com um total de 56 postos de atendimento dispersos por seis concelhos e com 180 mil utentes inscritos, dos quais 161 mil têm médico de família atribuído, perfazendo uma cobertura de 90%. No entanto, de inícios de janeiro a finais de abril, o agrupamento de centros de saúde perdeu 12 médicos, “num verdadeiro êxodo para a zona norte do país”, referiu a responsável. Também o presidente da Câmara, Tinta Ferreira, destacou a importância da obra agora inaugurada, que se traduz num investimento superior a 1,8 milhões de euros, comparticipados em 1,2 milhões por fundos comunitários e em 600 mil euros pelo município. O equipamento foi da responsabilidade da ARSLVT.
O autarca informou que já foi aprovado o projeto de execução para reabilitar o centro de saúde antigo, no valor de 1,4 milhões, e que será candidatado a fundos comunitários. Apelou ao governante o reforço de recursos humanos e voltou a manifestar o desejo de ver construído nas Caldas o novo Hospital do Oeste. Mas, enquanto isso não acontece, Tinta Ferreira pede investimento público para o atual hospital caldense.
Sem responder diretamente ao autarca, o secretário de Estado destacou que a política dos cuidados de saúde primários é uma prioridade para o atual Ministério da Saúde e que, a curto prazo, pretendem “garantir que todos os portugueses têm acesso a médico de família na sua área de residência”.

O governante disse, ainda, que a semana passada foi publicado um despacho para reforço dos recursos humanos para o SNS, que prevê a integração de mais 2400 profissionais com contratos de trabalho por tempo indeterminado, entre os quais constam mais de 1300 profissionais para os cuidados primários de saúde.
Integrado nas comemorações foi ainda celebrada a assinatura do auto de consignação da reabilitação do parque infantil no Parque D. Carlos I. Trata-se de uma empreitada de perto de 100 mil euros, e é uma das propostas vencedoras do Orçamento Participativo municipal.

“Com a publicação da portaria o governo mantém a confiança no termalismo”

António Lacerda Sales