A Hepatite não pode esperar!

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José Presa
presidente da Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado

A Hepatite caracteriza-se por uma inflamação das células do fígado, podendo apresentar várias etiologias, como é o caso dos vírus da Hepatite A, B, C, D e E.
A Hepatite B é considerada a mais perigosa e grave, afetando milhões de pessoas em todo o mundo, podendo tornar-se crónica e evoluir cirrose hepática e para cancro do fígado. Segundo a Organização Mundial da Saúde, em todo o mundo, vivem com este tipo de Hepatite 296 milhões de pessoas e causou a morte em 2019 a 820 mil pessoas. Em Portugal, a Hepatite B afeta cerca de 1 a 1,5% da população. Apesar de ser grave, pode ser prevenida através da vacinação, tendo uma eficácia de cerca de 95%.
A Hepatite C evolui com muita frequência para formas crónicas. Estima-se que existam entre 50 a 100 mil doentes em Portugal a maioria por diagnosticar. Os principais afetados são os consumidores de drogas injetáveis e as pessoas que receberam transfusões de sangue antes de 1992.
No entanto, além dos vírus, existem outras lesões do fígado, como é o caso das alterações do sistema imune — o sistema de defesa do organismo (a chamada Hepatite autoimune), ou a gordura no fígado, algo cada vez mais prevalente na sociedade, com números crescentes também em números de doença hepática.
O diagnóstico é feito através dos sintomas indicados pelo doente e, ainda, da realização de exames complementares. As análises ao sangue são, por norma, a maneira mais comum de diagnosticar a Hepatite, porém, pode ser necessário complementar com ecografia abdominal, TAC ou ressonância magnética, para verificar se existem outras lesões. Além disso, é aconselhado que sejam alterados os hábitos alimentares e as rotinas do doente, como, por exemplo, evitar bebidas alcoólicas, repousar e manter um peso saudável.
Na maioria das vezes, o tempo é o melhor amigo do tratamento das Hepatites. Não adie a consulta ao médico. Cuide do seu fígado. ■