O médico de família na saúde cardiovascular

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Francisca Melo
médica interna de Medicina Geral e Familiar da USF Rainha D. Leonor

O médico de família, pelas especificidades da sua prática clínica e pela relação única de proximidade que desenvolve com o doente e a sua família, está numa posição privilegiada para atuar. O seu “olhar” sobre o doente permite-lhe não só ter uma visão integrada das doenças em causa, como também, relacionar as respetivas características clínicas com aspetos psicológicos e sociológicos.
A área cardiovascular tem grande peso na atividade do médico de família, quer pela multiplicidade dos fatores de risco, quer pela prevalência da doença. Também é a área onde a intervenção, controlando esses fatores de risco e iniciando precocemente o tratamento, pode ter resultados positivos e salvar muitas vidas.
O programa de seguimento de doentes hipertensos na consulta do médico de família pressupõe um seguimento semestral, ou seja, 2 vezes por ano. Em cada consulta deve ser realizada medição da tensão arterial, pelo menos 2 vezes, com o intervalo mínimo entre elas de 2 minutos, sendo registado o valor mais baixo. Pode considerar-se uma terceira medição se existir uma grande discrepância entre os 2 valores iniciais medidos e assinalar essa diferença no processo clínico.
O programa de seguimento de doentes diabéticos pelo médico de família pressupõe um seguimento de forma semestral. Nos casos em que não se atinja as metas estabelecidas, o seguimento poderá ser encurtado, ou seja ser feito mais vezes do que as 2 vezes por ano. Na consulta de Diabetes no médico de família são avaliadas análises sanguíneas, sendo de grande importância a hemoglobina glicada, que deve ser realizada semestralmente, ou em períodos menores, nunca inferiores a 3 meses, se justificado pela situação clínica.
Na prática clínica do médico de família, todos os dias há contacto e necessidade de aplicar os conhecimentos na área do risco cardiovascular¢. Em todas as consultas, o médico de família assume um papel fundamental na quantificação do risco cardiovascular e na adoção de medidas que o atrasem. ■