Obra de engenheira alimentar ajuda a evitar erros na cozinha e há uma peça que chama a atenção para a igualdade
No sábado, 25 de outubro, pelas 15h00, no Café-Concerto, será apesentado o livro “Mais de 50 Coisas que Não Deve Fazer na Cozinha” que é da autoria de Susete Estrela.
A engenheira alimentar, com mais de 20 anos de experiência, apresenta “um guia prático, cheio de ciência acessível para quem quer proteger a sua família dos riscos escondidos à mesa”, conta nota sobre a obra. Este livro é, também, “um aliado para quem deseja reduzir o desperdício alimentar, conservar melhor e garantir refeições seguras, saborosas e nutritivas”, conta. Nesta obra poderemos também ficar a saber porque não se deve descongelar alimentos na bancada, ignorar o perigo das latas amolgadas, nem misturar fruta e hortícolas no mesmo cesto.
Em busca da Igualdade
O espetáculo “Os brincos à Ronaldo e outras histórias” será apresentado na quinta-feira, dia 30 de outubro, no pequeno auditório do CCC.
A peça tem três intérpretes que vão interpretar trinta personagens. Trata-se de um espetáculo bem-disposto, rápido e intenso, com a vida toda a correr onde se apresentam “situações quotidianas, casos exemplares e a ironia dos preconceitos, dos estereótipos de género, da regulação de comportamento”, explica nota sobre o espetáculo.
Da empresa ao cabeleireiro, do consultório médico à praça, do táxi ao portão de casa, da sessão de fitness ao jogo de futebol, há uma série de situações onde se colocam as questões relativas à igualdade.
A encenação de “Os brincos à Ronaldo e outras histórias” é de Alexandre Sampaio enquanto que a interpretação vai estar a cargo de licia Gómez, Joana Costa, Sofia Borges e José Abrante.
A dramaturgia é de Abel Santos, Alexandre Sampaio, Alicia Gómez, Joana Ventura, Luís Quinas Guerra, Rosa Monteiro, Sofia Borges e inclui-se ainda a adaptação de cartoons, notícias de imprensa, livros da especialidade e relatórios europeus sobre Igualdade de Género. esta é uma produção da Casa de Vilar – Associação Cultural e Artística.
Pianista regressou para atuar na Caldas, no auditório dos Pimpões, num concerto intimista que contou com vários convidados
Quem assisitiu ao concerto de Gerardo Rodrigues no serão de sábado, 18 de outubro, ficou a conhecer alguns dos novos temas do novo álbum “Gerardo Rodrigues – Remixed” que só será lançadono primeiro semestre de 2026.
O primeiro single deste quarto trabalho é “Contrast Remixed” e foi apresentado no concerto das Caldas, apesar de só sair oficialmente amanhã, sexta-feira dia 24 de outubro.
Segundo explicou, o novo álbum será composto por remixes de temas dos seus três discos anteriores, isto é, apresenta versões eletrónicas, com sonoridades pop, rock e techno, agora misturadas com os temas neoclássicos deste pianista.
“Foi incrível! Depois dos temas mais habituais, obtive uma ótima reação aos temas com as novas sonoridades”, contou o músico. Esta mistura das novas tonalidades com o seu piano clássico está também a permitir-lhe experimentar adicionar mais energia à sua música e a fazer chegar as suas composições originais a novos públicos, assim como lhe permite atuar noutros locais, fora dos habituais auditórios, mais adequados às suas sonoridades do piano solo.
“Posso agora tocar noutros locais como espaços ao ar livre, na rua e também em festivais”, contou o artista. Este ainda deu a conhecer que que nesta atuação nos Pimpões assinalou os cinco anos da última atuação do músico nas Caldas, no CCC.
Com o pianista atuaram também Sofia Miradouro (Soprano), Beatriz Morais (Violino), Adriana Gonçalves (Violoncelo), Amândio Filipe (Percussão).
E as Caldas da Rainha foi a primeira localidade onde o pianista atuou, assim que houve alívio nas restrições causadas pela pandemia. O artista, que é também professor, quis assinalar esta data e fê-lo no auditório da coletividade caldense. Na atuação preferiu aproximar-se do público e não quis atuar no palco. O concerto decorreu na sala perante casa quase cheia. “Foi muito bom, foi um ótimo regresso com uma atuação intimista”, contou o músico que, neste fim de semana, além das Caldas também atuou em Torres Vedras e em Beja. Na próxima sexta-feira , 24 de outubro, Gerardo Rodrigues atua no Porto. A 29 de outubro, volta a subir ao palco do centro cultural de Alcochete.
Previstas estão também durante uma semana, em finais de novembro, será também apresentado em salas de espetáculo de países do Reino Unido como na Irlanda, Inglaterra e Escócia.
No próximo mês de março, Gerardo Rodrigues desloca-se ao Japão para uma série de seis concertos que servirá ainda para dar a digressão “As Coisas Simples” pelos auditorios do país e além-fronteiras e em paralelo avança também com a Tour “Remixed”, que é mais energética e que traz novas sonoridades à conquista de novos públicos.
O pianista – que soma mais de duas centenas de atuações por vários países – irá dar a conhecer um single por mês até ao lançamento do seu quarto disco.
Até final de dezembro, o pianista terá mais uma dezena de concertos em Portugal e mais quatro no estrangeiro.
Foi agora editado livro de crónicas que reúne temáticas nacionais, regionais e locais
”Visto da Foz” intitula o novo livro de Alberto Costa, cronista colaborador deste semanário.
À maioria das crónicas, publicadas na Gazeta das Caldas, juntam-se outras que foram editadas no jornal alcobacense, Região de Cister.
As crónicas deste autor – publicadas entre 2021 e 2024 – versam sobre vários temas nacionais, regionais e locais e muitas foram alavancadas pelo facto de se ter assinalado, durante o ano transacto, os 50 anos do 25 de Abril”, contou o autor, que tem os seus textos datados neste livro.
No primeiro capítulo, que designou Calendário, reuniu crónicas de âmbito nacional sobre os 47 anos da Revolução, um discurso do Presidente da República sobre a Guerra Colonial ou ainda sobre a morte de Jorge Sampaio, o último Presidente da República que lutou contra a ditadura. Juntou outros sobre o final do período da governação de António Costa e também sobre a emergência do Chega.
No seguinte, Transições, dedica-se à digitalização e às alterações climáticas. Também reflete sobre o facto do sistema escolar beneficiar hoje as mulheres, em todo o mundo”. Passados 50 anos de Abril, “dá-se o absoluto triunfo às mulheres na escola mas depois são desvalorizadas no mundo do trabalho”.
No seguinte, Inércias e Mudanças, o autor acaba por tratar assuntos como o novo aeroporto de Lisboa, depois a limitação dos mandatos, sempre sobre contextos locais como aconteceu nas Caldas. Também aborda a questão do surgimento das candidaturas independentes ao poder local e ainda sobre a reforma judiciária que levou ao julgamento de um caso relacionado com a Foz do Arelho e que foi julgado em Leiria. “Se fosse há 15 anos seria julgado nas Caldas”, comentou Alberto Costa que acha que teria sido melhor se o julgamento tivesse sido mais próximo, com melhores condições de escrutínio, de proximidade e de controlo público do caso.
Alcobacenses pró-democracia na mira da CIA
“O primeiro caldense que me bateu à porta em Paris foi José Luís Almeida Silva”, recordou Alberto Costa, que conta posteriormente como foi o exílio de ambos.
Em Viagens na minha terra retrata também as viagens entre Mafra e Leiria (onde tinha a família) quando estava na tropa e “passava por várias localidades, incluindo as Caldas”.
Há duas crónicas dedicadas às reuniões clandestinas do Movimento das Forças Armadas, em 1973, em Óbidos e que conduziram ao fim do regime. Dedicou e homenageou também os locais que de alguma forma lutaram contra o Estado Novo, como o 16 de Março.
Em a Oeste dos Candeeiros, além de temáticas sobre a região e sobre o ocaso dos distritos, numa espécie de morte anunciada mas que ainda conta no que diz respeito às eleições dado que as pessoas desde Peniche a Castanheira de Pera votam para a mesma realidade política”, contou o autor, que também reflete sobre projetos como o novo aeroporto de Lisboa ou o Hospital do Oeste.
O primeiro caldense de quem foi amigo foi o historiador João Serra, a quem também dedica uma crónica, na altura em que “se frequentavam e discutiam os assuntos nos cafés das localidades”, disse Alberto Costa.
Há ainda uma crónica sobre o homem do Neandertal de que há vestígios encontrados a sul da praia da Foz, na praia do Rei Cortiço. Os vestígios foram recolhidos por investigadores da Universidade do Algarve. Este caçava com instrumentos de pedra lascada e fazia uso dos recursos marítimos, o que indicia que faria uso do que lhe oferecia a Lagoa.
Alberto Costa, que dedica esta obra aos seus netos, considera que é importante para as novas gerações contactem com temas contemporâneos que são caros a esta região, como também “para lhes mostrar a importância da imprensa regional e até do papel”.
Neste livro também se homenageiam pessoas que fizeram parte de acontecimentos com relevância para esta zona.
“Visto da Foz” conta ainda com um índice onomástico onde constam 90 nomes que são referidos no livro e “uma boa parte deles são daqui desta região”. Há, por exemplo, uma lista de alcobacenses que consta nos arquivos da CIA e que tinham sido presos ou perseguidos pela Pide, nos anos 50, do século passado. “Em vez do salazarismo ter sido enterrado no pós-guerra, como tantos esperavam, começara um período de ativa colaboração entre a polícia política e a CIA.
A seguir à 2ª Grande Guerra Mundial há ainda registo de uma ida a Alcobaça do representante da embaixada norte-americana e conta-se “que lhe foi pedido, em apelo público, a introdução da Democracia em Portugal”, contou o autor.
“Visto da Foz” de Alberto Costa reúne pois 40 textos “que se leem em apenas três minutos”, garantiu o autor. O livro está à venda na Gazeta das Caldas.
D. Leonor colocou o irmão no trono e “direcionou” financiamento para assegurar a continuidade do Hospital Termal das Caldas
No sábado, 18 de outubro, o Centro de Artes acolheu a conferência “À viva memória e fama immortal”: D. Leonor de Lencastre e o hospital de Nossa Senhora do Pópulo no século XVI” que foi proferida por Lisbeth Rodrigues e decorreu no âmbito dos 500 anos do seu legado.
A académica – que dedicou a sua tese de doutoramento ao hospital das Caldas – conhece bem a fundação e o funcionamento do mesmo. Na verdade sempre se deixou interrogou como teria sido em pleno século XV financiar uma estrutura tão grande. “Como teria sido possível vestir e alimentar e providenciar mais de cem indivíduos em simultâneo em pleno século XV?”. Para a investigadora, a demanda só foi possível pois o financiamento do Hospital foi conseguido por D. Leonor com a Coroa Portuguesa.
Em 1503, a rainha comprou ao rei as jugadas (imposto pago por cada jugo de bois) de Óbidos, Aldeia Galega, Merceana e Aldeia Gavinha. Em 1508, D. Leonor doou-os ao hospital termal. Fê-lo em satisfação do seu dote que 30 anos após o seu casamento ainda não tinha sido pago. “Foram decisões que acabaram por garantir a sustentabilidade do hospital das Caldas”, contou a investigadora.
“D. Leonor era uma mulher muito perspicaz, inteligente, astuta e determinada”, disse Lisbeth Rodrigues.
Apesar de ter sido também alvo de situações muito dramáticas como a morte do seu único filho e de ter vivido o assassinato do seu irmão D. Diogo, em 1484, pelo seu marido, o rei D. João II, a rainha “não se deixou abater pelas tragédias, isto é, transformou as suas fraquezas em forças para levar avante vários projetos”.
A convidada relembrou que o Hospital Termal das Caldas, fundado em 1485, é anterior ao de Todos os Santos que surgiu em Lisboa em 1492 e que, de facto, houve a ideia de travar os monges da Ordem de Cister que queriam cada vez mais território.
Nas Caldas, disse a académica, a Rainha não criou apenas um edifício, “criou uma comunidade”. Além do mais, esta esteve nas Caldas pelo menos em quatro ocasiões, numa altura em que era “mesmo muito difícil viajar em Portugal”.
D. Leonor era de facto uma mulher poderosa e segundo a convidada “tinha mais poder que muitos dos homens da sua época, tendo capitalizado a sua relação com o irmão, D. Manuel”.
Lisbeth Rodrigues diz que há uma relação de dádiva: “ela pede e ele acede. Foi ela que o fez rei de Portugal”.
A oradora é professora de História Moderna na Universidade do Porto, onde ensina um módulo sobre Assistência, onde são feitas referências constantes ao Hospital Termal e à ação da Rainha.
Em termos cronológicos, a investigadora considera que falta um estudo dedicado ao século XVII. Falta também um estudo sobre os doentes e as doenças que eram ali tratadas e a dinâmica que existia. “Falta também um estudo sobre o recrutamento das pessoas que serviam no hospital”, contou Lisbteh Rodrigues, acrescentando que no Hospital Termal, no tempo da Rainha, havia cinco escravos que laboravam no Hospital e que por isso “não tinham salário”.
Com a administração dos Loios, deixa de haver escravos nos serviço do hospital. Já a escolha dos provedores era feita sempre sob a alçada real e a partir de 1532 passam a ser padres a assegurar os lugares mais importantes da hierarquia.
No Livro do Compromisso expressa-se preocupação com quem serve no Hospital que em idos tempos contratava pessoas com incapacidades que “varriam o chão das enfermarias”, mostrando que a inclusão começou cedo.
Os doentes tomavam os banhos durante as madrugadas pois “acreditava-se que era nessa altura em que mais se transpirava”. Os banhos termais aconteciam por volta das duas da manhã. Os doentes voltavam para as suas camas, eram bem embrulhados e desta forma ao transpirarem “libertavam os maus humores, curando os seus males”. Também havia quem pagasse e ficasse alojado nas casas da localidade. “A diária incluía alimentação e os banhos”, contou a investigadora que continuará a estudar este Hospital “criado por uma rainha e bem sucedido, e que surgiu de um local ermo”, rematou.
Lisbeth Rodrigues
Uma das maquetas apresentada na sessão
A lista de alimentos confecionados numa das receções à Rainha D. Leonor no seu Hospital
Conheça o que existe atualmente relativo à Sétima Arte nas Caldas, quando a cidade vê encerrar salas do único cinema comercial
No dia 7 de setembro deste ano comemoraram-se os 120 anos daquela que é a primeira exibição de um filme nas Caldas da Rainha. O Cinematographo, no Pavilhão Central do Parque D. Carlos I, apresentava nesse dia, uma quarta-feira, em 1905, o “Barba Azul”.
Conta-nos o cartaz do filme, patente no museu, que era a “estreia do magnifico e comovente quadro phantastico de 25 minutos de duração, apresentando com extraordinário luxo de «atrezzo» e soberbo decorado, com mais de 200 personagens, decorações especiaes, effeitos de magia, apparições, transformações à vista e trucs d’alta novidade”, resumindo ainda que se tratava da “mais bella peça cinematographica conhecida até hoje”.
O Museu de Ciclismo, nas Caldas, está atualmente a assinalar essa data. No espaço museológico do rés-do-chão, na sala dedicada às exposições temporárias, “que desde sempre têm recebidos mostras de diversas temáticas”, está agora patente a exposição “Memórias Cinéfilas”, que permite conhecer “as desaparecidas salas de projecção, panfletos e posters, onde não faltam alguns alusivos às bicicletas”, salienta o proprietário do acervo que compõe a mostra, Mário Lino. É ele quem nos guia numa viagem pelo panorama cinematográfico caldense desde então, com as sessões em diferentes salas, como o Sport Casino ou o Salão da Convalescença do Hospital Termal, mas também o Club Recreio.
Nesta história é incontornável a família Levy, primeiro com as projeções e depois, com os descendentes de Samuel Levy, que nos Estados Unidos da América conseguiram, em regime de exclusividade, os direitos sobre alguns filmes de Charlie Chaplin para a Península Ibérica. O Ibéria Club e, mais tarde, Salão Ibéria foi outro dos locais históricos do panorama cinematográfico das Caldas. Recorde-se, após as projeções na Rua de Camões, a construção, com os tijolos da demolida Fábrica Bordalo Pinheiro, do Salão Ibéria junto aos Pavilhões do Parque, que viria a ruir em outubro de 1978, numa segunda-feira, único dia em que não havia sessão.
O Teatro Pinheiro Chagas, primeiro, que depois se transformou em Cine-Teatro Pinheiro Chagas, é outro local indissociável do cinema nas Caldas. Mário Lino recorda que tinha “por base tons de verde claro e cortinados verde escuro”, mas também as paredes, no exterior, de linhas direitas e sóbrias” e que estavam pintadas a rosa velho. Não se esquece o “grande janelão envidraçado”, entre outras coisas.
O primeiro filme português com som, Severa, de 1931, foi exibido na cidade termal, neste local.
O carácter solidário de várias sessões está plasmado nos próprios panfletos, onde encontramos, por exemplo, espetáculos promovidos pelo corpo ativo dos Bombeiros em benefício da associação humanitária. Outra ligação dos Bombeiros ao cinema dá-se com a sala própria, que tiveram na Rua Henrique Sales.
De outros locais, recorda Mário Lino, “houve projeções até na Casa dos Barcos do Parque D. Carlos I e cinema ao ar livre”. Algo que também já tem ocorrido em tempos contemporâneos. Mas já lá vamos.
Destes tempos mais “modernos”, é obrigatório falar do Estúdio UM, extinto em 1993, e que foi durante largos anos a única sala de cinema das Caldas, mas também dos Cinema Delta, que existiram no Centro Comercial da Rua das Montras. Com duas salas foram uma referência para várias gerações de caldenses e receberam os principais êxitos cinematográficos até encerrarem em 2009. O espaço tem estado desocupado e está, segundo anúncios disponíveis na Internet, à venda. Os dados do ICA – Instituto do Cinema e Audiovisual permitem perceber que no último ano de funcionamento estes cinemas receberam mais de 37.500 espectadores e que, nos últimos cinco anos (2004-2008) contaram com cerca de 280.000 espectadores.
Salas a fechar no La Vie
Entretanto, em 2008 abria o centro comercial Vivaci, que sob a marca Vivacine, trazia para as Caldas cinco novas salas de cinema. Desde o ano de 2009, e do encerramento dos Cinema Delta, é o único local para ver cinema comercial. No início de julho de 2016, já depois de o Centro Comercial ter sido adquirido pela ECS Capital, uma sociedade gestora de fundos de capital de risco e restruturação e a gestão ter sido entregue à Widerproperty, os cinemas Vivacine fecham. No entanto, logo em agosto viriam a reabrir as salas nas Caldas, já sob a marca Cineplace, do grupo brasileiro Orient que tem gerido os cinemas no centro comercial caldense desde essa altura. Atualmente os cinemas nas Caldas vão sofrer uma reestruturação.
“Não confirmo que os cinemas vão encerrar, posso confirmar que estamos em negociação com o operador, os cinemas das Caldas têm cinco salas e é quase certo que serão reduzidas para duas ou três salas”, explicou à Gazeta das Caldas o diretor do centro comercial La Vie das Caldas, Amaro Correia, notando que o que virá depois não sabe.
“Temos um espaço cedido, mas quem gere o negócio são os operadores”, frisou, destacando a necessidade de contextualizar toda a questão. “Há aqui uma alteração no mercado que nos vai obrigar a reajustar a operação, mas não posso confirmar o encerramento nem a continuidade da forma que está”.
“Depois da pandemia, o negócio dos cinemas sofreu alterações significativas”, começa por explicar, notando que “desde então os bilhetes vendidos na bilheteira reduziram drasticamente”. Tal tem levado a um ajuste de mercado com operadores a desmantelarem cinemas e a encerrarem salas em todo o país. “É uma consequência daquilo que o mercado transmite, há uma procura reduzida que também está associada ao produto, porque há menos, faz-se hoje muito mais produções para streaming e depois há a alteração dos hábitos de consumo, as pessoas não vão tanto aos cinemas”.
Ainda assim, salienta Amaro Correia, “vemos o cinema como uma verdadeira âncora e nas Caldas da Rainha, uma cidade das Artes, responsabiliza-nos ainda mais. Não é nosso intuito encerrarmos deliberadamente ou de ânimo leve os cinemas”, refere. “Para mim, pessoalmente, seria um problema, é a cidade que é e faz falta. O cinema comercial é algo de que precisamos, porque senão a oferta local tem que ser sustentada pelos cinemas de Leiria e Torres Vedras, sustenta”.
Amaro Correia salienta a falta de viabilidade do negócio da forma atual e os dados do ICA comprovam isso mesmo. Os primeiros anos foram logo de grande sucesso, com a fasquia acima dos cem mil espectadores anuais e o recorde até hoje, em 2010, com 123.008 espectadores. No último ano antes da pandemia, em 2019, foram mais de 114 mil. A partir de 2020, com o início da covid-19, nunca mais se atingiu, sequer, os 80 mil. Mas esses dados também permitem perceber que pelos cinemas do centro comercial já passaram, desde a abertura, mais de 1,5 milhões de espectadores.
Um dado relevante e que o diretor do La Vie partilha é que, às sextas-feiras e fins de semana, os cinemas “continuam a ter uma performance aceitável”, o problema é a operação entre segunda e quarta-feira.
O CCC e o cinema
Mário Branquinho, diretor do CCC, considera que o panorama cinematográfico das Caldas “responde à cidade”, mas esperando que se mantenha o cinema comercial, que “é uma componente importante”.
“Da parte do CCC tentamos contribuir para o cinema dito alternativo e isso tem-se verificado em diferentes patamares”. O primeiro é o Cineclube CCC, com cinema quinzenal, ao longo do ano, com as últimas novidades do cinema português e dos filmes nomeados nos grandes festivais, como Cannes, Berlim, Veneza e outros. “Têm sido sessões muito frequentadas, com muita adesão do público e julgo que ao longo do ano cumprimos essa missão da oferta de cinema de autor”, refere, esclarecendo que a média é de 100 pessoas por sessão. Outro patamar são as quatro sessões de cinema ao ar-livre, que fazem em julho, no Parque D. Carlos I e outros locais, com médias de 400 pessoas em cada. O último patamar é o Intervalos, o encontro/mostra de cinema português que teve a sua primeira edição em 2025 e que regressa em abril. “É uma aposta forte no cinema português, com três dias para discutir, ver e analisar, quer curtas, quer longas metragens, com a presença de realizadores, críticos, jornalistas, atores, um conjunto de personalidades e o público em geral”. Aqui discute-se a produção, a distribuição, a adesão dos públicos, a programação, entre outras temáticas. “Julgamos que damos um contributo importante para a cena cinematográfica da região”, afirma Mário Branquinho, realçando ainda o facto de o CCC ter estreado este ano o equipamento de projeção digital DCP “que melhorou muito a qualidade do cinema”. Tratou-se de um investimento de 150 mil euros, financiado a 100% pelo PRR.
O Cineclube.CR
Quem também promove cinema na cidade é o Cineclube.CR, que nasceu em 2021, em plena pandemia, pela mão de um grupo de jovens estudantes da Escola de Artes e Design das Caldas que começou a fazer projeções na própria escola. Têm uma programação anual com sessões quinzenais, além de um festival anual e outros eventos. Guilherme Rocha, que tem 26 anos e que é natural da Amadora, é o mentor do projeto e sente que “era bom existirem mais iniciativas” na cidade. “No Cineclube procuramos ter uma programação diversificada e bastante experimental”, começa por esclarecer. Nas Caldas nota que “há várias pessoas diferentes, interessadas no cinema” e que “há algumas pessoas que vão ao CCC, por exemplo, ou que vão ao La Vie, e que não vêm às nossas sessões, da mesma maneira que temos pessoas que vêm às nossas sessões, que não vão aos outros sítios”. No Cineclube das Caldas sentem “uma adesão muito grande por parte de alunos da ESAD”, mas “regularmente aparecem outras pessoas da cidade” e, no festival de cinema, tal “é muito mais acentuado”. Ainda assim, frisa, “há públicos super diferentes nessa ideia de públicos”.
O núcleo duro é constituído pelo próprio e por Lara Tomás, Francisca Caldas, David Santo-Tirso, Afonso Marques e João Santos. O amor à arte é que move o coletivo, que não tem um local definido para as sessões, que têm entrada livre. Essa liberdade levou-os a fazerem sessões em cafés e bares, mas também, por exemplo, no Museu José Malhoa, no CCC, nos Silos, no Posto de Turismo e no Grupo Social do Bairro. Também não têm material próprio de projeção (nomeadamente um projetor e uma tela), garantindo a atividade através de parcerias e apoio de amigos. O jovem identifica ainda nos antigos cinemas Delta “um espaço incrível para dinamizar”, com “um grande potencial, não só para cinema”.
A escritora Isabel Ricardo, da Nazaré, vai lançar um novo romance histórico: “A Força da Honra”, a 19 de outubro, às 16h00, na livraria Bertrand do Chiado, em Lisboa. O livro será apresentado pelo escritor Sérgio Luís de Carvalho. Neste romance, Isabel Ricardo apresenta a turbulência dos tempos que se sucederam à Restauração da Independência de 1640, transportando o leitor numa viagem até ao século XVII, onde se juntam factos históricos com ficcionais.
No domingo, 26 de outubro, pelas 17h00 no café-concerto do CCC o fotógrafo e médico caldense Vasco Trancoso lançará o novo livro de fotografias “88”. A obra dá continuidade ao livro publicado em 2020 (designado 99) – constituindo-se assim uma duologia. A maioria das 88 imagens foram captadas pelo autor nas Caldas, Foz do Arelho e em Óbidos. Apenas 25 delas foram tiradas em Lisboa e no sul do país.
O movimento Palestina Livre Caldas marca presença no FÓLIO com duas iniciativas que cruzam literatura, memória e resistência cultural palestiniana.
A 16 de outubro, às 19h30, terá lugar uma escuta coletiva imersiva do episódio “Amanhecer em Gaza”, produzido pelo podcast Fumaça a partir do livro Daybreak in Gaza (2024), de Mahmoud Muna e Matthew Teller.
A escuta, realizada em auscultadores individuais (30 lugares disponíveis por ordem de chegada), mergulha o público em histórias reais de vida, cultura e resistência em Gaza.
No final, haverá conversa com a equipa do Fumaça, o premiado podcast português de investigação com experiência de reportagem na Palestina. Ainda no âmbito do FOLIO Mais, o Palestina Livre Caldas, em parceria com a Associação Mãe Joana, dinamiza no domingo, 19 de outubro, na Escola de Hotelaria e Turismo de Óbidos, às 11h30, uma oficina de construção coletiva de papagaios de papel, que serão depois lançados no encerramento do festival. Nesta atividade serão evocados artistas e escritores palestinianos mortos nos últimos anos, incluindo os poetas Hiba Kamal Abu Nada (1991-2023) e Refaat Alareer (1980-2023). Publicado pela editora Saqi (2024) e ainda sem tradução para português, Daybreak in Gaza – Stories of Palestinian Lives and Culture reúne textos de artistas, acrobatas, médicos, estudantes, lojistas e professores. Reúne histórias de amor, perda, sobrevivência e resistência que revelam a riqueza cultural de Gaza.
No próximo dia 18, a partir das 15h00, terá lugar na Quinta da Granja (Carvalhal), o evento “A arte da falcoaria”. A apresentação está marcada para as 15h15, por Nunziatella Alessandrini e Fernanda Quadros. A seguir, Tiago Viúla de Faria abordará o comércio e circulação de aves de rapina entre a corte portuguesa e o exterior no final da Idade Média.
Filipe Themudo Barata falará sobre a falcoaria, o património cultural e a conservação da natureza e António Carapuço irá abordar a caça e cetraria.
A Adega dos Balseiros, no Museu do Vinho, recebe no sábado evento musical deste festival
No sábado, dia 18 de outubro, pelas 18h00 decorrerá, no Museu do Vinho, o expo-concerto Reflexos de Macondo — uma proposta artística dos artistas Óscar Perfer (fotógrafo colombiano) e María José de Bustos (pianista espanhola) — que tem apresentação única em Portugal.
A Adega dos Balseiros acolherá esta homenagem à obra Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez, numa viagem musical e visual até Macondo, que é a cidade imaginária do romance.
O fotógrafo Oscar Perfer apresenta retratos inspirados nas personagens intemporais do livro, expostos em telas de grande formato entre a plateia. O público é convidado a contemplar cada imagem enquanto María José de Bustos interpreta, ao piano, obras de Schubert, Sibelius, Brahms, Debussy, Chopin, Ravel, entre outros. O fascínio que a música exerceu sobre Gabriel García Márquez, dando ritmo às suas palavras e acompanhando os seus pensamentos, é o mote para este espetáculo imersivo que, une música, literatura e fotografia.
O ciclo Cistermúsica Fronteiras arrancou no passado sábado com uma criação contemporânea, através da cantata cénica Delícia de Morangos com Chantilly, interpretada pela Banda Sinfónica Portuguesa e o Quarteto Contratempus. Com foco na criação contemporânea, o ciclo, que decorre até dezembro, apresenta programas que estreitam laços entre a música e outras formas de expressão artística.
O mês de outubro termina com música coral improvisada. No dia 26, a programação Fronteiras traz ao Mosteiro de Alcobaça LEIDA, um ensemble vocal de oito intérpretes que propõe uma experiência única e site-specific, criada pela compositora e maestrina Mariana Dionísio.
Aliando criação contemporânea e espaço acústico, LEIDA tira partido da longa reverberação do Refeitório do mosteiro, o cenário ideal para esta apresentação que propõe uma nova forma de pensar a voz e o canto coletivo. O resultado é uma experiência imersiva e contemplativa, entre o concerto e a instalação sonora. O Cistermúsica Fronteiras continuará até ao dia 7 de dezembro.
Carlos Sá Pires abriu novo ciclo de exposições que a responsável Franchesca Melendez quer que sejam mensais
Abriu a 11 de outubro, na Galeria Bohío Creative, a exposição “Abraço de Cor” e que é da autoria de Carlos Sá Pires.
A mostra deste autor que vive nas Caldas da Rainha há cinco anos. “Pinto a óleo e tiro grande partido do uso da cor”, contou o autor, de 70 anos, que retrata animais, frutas e elementos da natureza, explorando o contraste entre as cores.
Nesta mostra estão presentes desde os primeiros esboços até às telas texturadas onde o artista interliga as emoções com as cores. “Pinto desde miúdo e fi-lo regularmente ao longo de toda a vida”, disse Carlos Sá Pires que tem as paredes da sua casa, totalmente decoradas com as suas pinturas. “A minha habitação e a dos meus familiares também têm obras minhas”, referiu este autor que veio à Bohío Creative para dar a conhecer os seus trabalhos dedicados sobretudo à figuração. Há árvores em tons de azul e pássaros multicores, numa profusão de tonalidades bem vivas.
A pintura foi algo que este autor foi fazendo em paralelo à sua vida profissional de empresário pois dedicou-se a importar e a distribuir produtos naturais.
“Agora como estou reformado, pinto todos os dias”, explicou o criador convidado que não se preocupou em realizar exposições.
Este autodidata, que continua a ver a pintura como um passatempo, apresenta ainda nesta mostra alguns dos desenhos que fez durante a sua infância. “Abraço de Cor” inclui também uma seção de desenhos, que podem ser apreciados numa nova área, aberta ao público e que se situa ao fundo da galeria.
A responsável pela Bohío Creative, Franchesca Melendez, teve a oportunidade de conhecer a casa e atelier de Carlos Sá Pires e de constatar as muitas obras que decoram o seu lar. A maioria está patente nas paredes enquanto que outras aguarda vez para decorarem o espaço. “Cada centímetro da habitação tem presente a sua arte”, contou Franchesca Melendez.
Criar comunidade e dar acesso à arte
A galerista, que pretende criar uma comunidade artística, também pretende dar acesso às iniciativas artísticas a qualquer pessoa. “É importante dar acesso à arte a toda a gente. A arte não deve ser elitista”, referiu a curadora.
E explica que o significado de Bohío, em porto-riquenho, é como uma casa – pois o significa uma cabana, feita de madeira e galhos e juncos e é esse sentido de espaço comum para todos que pretende dar continuidade. A curadora quer ajudar os artistas, divulgando os seus trabalhos e criando uma comunidade local em volta da arte.
“Tenho conhecido muitas pessoas interessantes nesta região que podem propor-se a realizar mostras ou então responder às Open Calls que também organizamos”, disse a curadora que vai dinamizar a sua galeria, apostando na realização de exposições mensais.
O espaço já se abriu para dezenas de mostras de autores portugueses e estrangeiros.
A porto riquenha Franchesca Melendez vive nas Caldas há dois ano com a sua família – marido e filho de oito anos – e está adaptada ao Oeste. Além das artes, também trabalhoui em relações internacionais. Por agora conta que se deixou encantar sobretudo pelo ambiente criativo e artístico que as Caldas possui.
“ Ainda incentivo e escrevo histórias sobre pessoas também ligadas às artes”, disse a galerista que se ocupa a criar comunidades por onde passa, tendo por base as expressões artísticas.
Designada “Abraço de Cor”, a exposição-venda que é composta por obras de Carlos Sá Pires ficará patente naquele espaço até ao dia 8 de novembro, na Bohío Creative que fica na R.General Queirós n°85 e 87.
Alguns dos trabalhos deste autor, que podem ser vistos até 8 de novembro
O filme Palácio de Cidadãos foi visto por 375 pessoas ao longo do dia 8 de outubro no CCC. Durante o dia, as sessões escolares esgotaram e à noite houve visionamento e debate com o público geral
“O Palácio de Cidadãos” é o último filme do realizador caldense, Rui Pires e foi filmado durante um ano – entre 2018 e 2019 – na Assembleia da República. O autor esteve nas Caldas, a 8 de outubro, no CCC e gostou de ter contado com as sessões com alunos do secundário e do ensino profissional e que lotaram o pequeno auditório do centro cultural.
“Para alguns foi a primeira vez que contactaram com a realidade do Parlamento”, disse o caldense, autor deste filme de duas horas.
No total, “O Palácio de Cidadãos” foi assistido nas Caldas por 375 pessoas: duas sessões de 150 alunos das escolas caldenses e 75 que vieram à noite assistir e debater o filme com o autor.
O documentário apresenta as mais variadas situações e como há barreiras aos processos. Numa delas, relativa à aprovação da lei de bases para a habitação é notório que “há deputados que querem fazer a mudança ao passo que há outros que fazem com que estas não funcionem”, disse o autor que filmou durante 150 dias, tendo agora mais 400 horas de gravações onde não faltam votações, comissões de especialidade, petições e manifestações no exterior da Assembleia. E permite-nos ver os deputados dos diferentes partidos e os assuntos a que se dedicam, dando a conhecer o funcionamento de uma instituição que impacta diretamente na vida dos seus cidadãos, com o debate de assuntos relacionados com os direitos à habitação, com a saúde e com o trabalho.
O documentário dá uma visão sobre como se constrói uma sociedade, a partir do interior de um parlamento, procurando desta forma “a essência da democracia”, referiu o autor que respondeu a todas as questões colocadas pelo público que assistiu à última sessão no dia 8 de outubro. Com os presentes, Rui Pires partilhou que “a política não é um lugar de privilégio “ e com o material que filmou seria possível dar a conhecer outras vertentes da vida parlamentar. Partilhou ainda que numa primeira versão “O Palácio dos Cidadãos” tinha três horas e meia, o que significaria “pedir demasiado às pessoas” e por isso a versão final ficou com apenas duas horas.
Apesar do cada vez maior afastamento entre representados e representantes, o documentário “O Palácio dos Cidadãos” acaba por ser um documento que mantém atualidade e deixa ver as limitações e complexidades do sistema que permite dar corpo ao sistema democrático.
O filme de Rui Pires foi o vencedor do Prémio Max – Para Melhor Filme da Competição Portuguesa (Doclisboa, Portugal’24) e marcou presença no Dokumentarfilmwoche Hamburg, (Alemanha’25) e no Festival Cinematográfico de Uruguay.
Esteve ainda em festivais ou eventos de cinema em Buenos Aires na Argentina, Santiago do Chile, Bogotá na Colômbia, Quito no Equador e para a Cidade do México. Foi visto também em Macau, no final de setembro, numa iniciativa do Doclisboa’24 – Macau extension e incluiu uma palestra do realizador caldense para os alunos do secundário da Escola Portuguesa de Macau.
Rui Pires está já a trabalhar num novo projeto. O caldense na fase de montagem do seu Palácio contactou com Museu do Aljube, sobretudo com as memórias e histórias de mulheres, passadas antes do 25 de abril. Interessou-se pelos relatos das mulheres das casas clandestinas do PCP que se destinavam a garantir a segurança dos seus membros ou até locais de impressão. “Elas incarnavam personagens com uma aparência de normalidade, de boas donas de casa que justificavam perante a vizinhança e que justificavam o facto de ter maridos ausentes pois estes eram caixeiros viajantes”, exemplificou o realizador que está a trabalhar na recolha de muitas histórias de mulheres que viveram na clandestinidade e que hoje têm 80 anos. “Temos 48 anos de resistência em Portugal e muitos percursos de mulheres para conhecer”, afirmou o autor que continuará o seu périplo por todo o país, dando a conhecer o que se passa na Casa da Democracia Portuguesa e por poder debater com o público as várias temáticas do documentário. O filme já foi visto em Lisboa, Elvas, Lamego, e Almada, além de ter marcado presença no circuito internacional dos festivais. Depois das Caldas da Rainha, o Palácio dos Cidadãos segue caminho para ser exibido e também debatido em Águeda, na Moita, em Leiria e em Loulé.
Houve sessões para as escolas de manhã e à tarde e à noite para o público em geral
Rui Pires, com este seu filme, está a debater com o público, português e estrangeiro, como se faz política por terras lusas
A artista visual Beatriz Narciso, formada na ESAD.cr, venceu a primeira edição da bolsa anual WAF – Women in Art Fellowship, no valor de 27 mil euros, criada para apoiar e dar visibilidade a mulheres artistas emergentes em Portugal, foi hoje anunciado.
“Após um período de formação, mentoria e desenvolvimento artístico das dez finalistas, entre julho e setembro de 2025, o júri elegeu Beatriz Narciso como a artista que melhor expressa o espírito da bolsa: uma combinação de talento, originalidade e consciência crítica sobre o papel da mulher nas artes contemporâneas”, lê-se num comunicado hoje divulgado.
A bolsa, que foi atribuída este ano pela primeira vez, resulta de uma parceria entre o Freeport Lisboa Fashion Outlet e o Vila do Conde Porto Fashion Outlet, em parceria com a agência de marketing cultural SOTA – State of the Art e a rede de promoção de novos artesãos portugueses Portugal Manual.
O projeto de Beatriz Narciso “destacou-se pela profundidade conceptual e pela forma poética como reflete sobre o tempo, a memória e a resiliência humana, uma homenagem ao passado e um olhar sensível sobre o que faz seguir em frente”.
Até ao final do ano, Beatriz Narciso irá participar num ciclo de mentorias e acompanhamento para desenvolver o projeto artístico que lhe valeu a bolsa, que estará em exposição no início de 2026.
Em novembro, a artista participará, juntamente com as outras nove finalistas da bolsa, numa mostra coletiva que estará patente num novo espaço expositivo no Vila do Conde Porto Fashion Outlet, em Vila do Conde.
Beatriz Narciso, nascida em 2001, é licenciada em Artes Plásticas pela Escola Superior de Artes e Design (ESAD) das Caldas da Rainha.
Artista residente no espaço Safra, em Lisboa, é ali que Beatriz Narciso “continua a desenvolver a sua investigação plástica em torno da observação do quotidiano e das suas múltiplas perceções”.
A bolsa WAF dirige-se a mulheres residentes em Portugal, maiores de dezoito anos, cujo trabalho não seja representado por galerias.
O apoio abrange áreas como artes visuais, artesanato, design, escultura e têxtil, e, além de apoio financeiro, oferece formação com especialistas e uma estratégia de comunicação profissional.
Para esta edição foram recebidas 210 candidaturas e selecionadas dez concorrentes finalistas. Além de Beatriz Narciso (pintura), foram também finalistas da bolsa: Ana Leça (pintura, instalação, desenho), Elizabeth Prentis (performance, escultura, instalação), Flávia Costa (desenho), Ilfu-Soi Studio (Jéssica Ilfu-Soi, com escultura), Joana Dionísio (fotografia), Joana Paraíso (pintura, desenho), Patrícia Pettitt (fotografia), Vânia Reichartz (têxtil, instalação, escultura) e Vera Fonseka (pintura e colagem).
As dez finalistas participaram em ‘masterclasses’ em várias áreas, nomeadamente comunicação e redes sociais, gestão e sustentabilidade financeira, identidade artística e apresentação profissional, para obterem formação no seu percurso.
A artista Joana Vasconcelos foi a embaixadora da primeira edição da bolsa WAF.
Caldas da Rainha e a cidade de Deruta, em Itália, são geminadas pois ambas são centros cerâmicos europeus. Neste contexto, os dois municípios uniram-se para desenvolver um encontro internacional em Deruta, sob o tema “A Cerâmica e as mulheres. Como as mulheres se tornaram protagonistas”, a realizar-se em Deruta, entre os dias 23 e 26 de novembro de 2025.
A iniciativa organizada pelos municípios caldense e italiano, será feita no âmbito do programa europeu CERV – Town Twinning (Cidadãos, Igualdade, Direitos e Valores – Geminação de Cidades), destina-se a apoiar encontros entre cidades geminadas com o objetivo de reforçar os laços entre cidadãos europeus, promover o intercâmbio cultural, social e económico. Nos dias do intercâmbio naquela localidade italiana, está prevista a visita a empresas e oficinas de artesãos de cerâmica da região. Decorrerão também encontros com artesãos, trabalhadores, empresários e profissionais do ofício da cerâmica.
Em março de 2026, será a vez da cidade das Caldas acolher o projeto e as ceramistas de Deruta.
A participação neste projeto que conta com apoio europeu pretende abranger 42 participantes de cada uma das cidades.
O Acordo de Geminação entre os municípios de Deruta e das Caldas da Rainha foi assinado no passado mês de março de 2024, na sequência de uma série de encontros e intercâmbios sobre os diferentes aspetos sociais, culturais e económicos decorrentes de uma tradição partilhada na criação de cerâmica artística.
A literatura vai estar em destaque já partir de dia 9 de outubro e dedica-se ao tema Fronteiras
A edição de 2025 do FÓLIO vai acontecer entre os dias 9 a 19 de outubro, e será dedicada ao tema “Fronteiras”. É o regresso de um dos festivais literários mais relevantes da Europa, que durante 11 dias celebra a Literatura como espaço de diálogo, de reflexão e de encontro de culturas, num total de 464 iniciativas culturais. Este ano, no cartaz, figuram nomes como Ricardo Araújo Pereira, João Soares, Anabela Mota Ribeiro, João Tordo e José Eduardo Agualusa, e autores internacionais como Gregório Duvivier, Richard Zimmler, Anne Applebaum, Avi Shlaim, Paul Murrey, e Carmen Maria Machado.
Para além destes autores, está também confirmada a presença de dois laureados com o Prémio Nobel da Literatura: a escritora e jornalista bielorrussa, Svetlana Alexievich, distinguida em 2015, e o escritor sul africano John Maxwell Coetzee, distinguido em 2003.
A Representação da Comissão Europeia em Portugal, com o apoio do Europe Direct Oeste Oeste, Lezíria e Médio Tejo, associa-se ao festival para assinalar quatro décadas da adesão portuguesa à União Europeia, com debates, mesas redondas, oficinas, sessões de leitura e uma exposição multilinguística. Ao todo até ao dia 19 vão decorrer 21 exposições, mais de uma centena de conversas, 50 apresentações de livros e revistas, 21 concertos, 15 mesas e seis tertúlias. Entre tantas outras propostas, haverá 59 oficinas, 28 lançamentos de livros, três seminários, um prémio, seis conferências e nove sessões de cinema.
Músicos do rap nacional e DJs animam o serão de 11 de outubro no pavilhão da associação local
No sábado, 11 de outubro, a partir das 21h00, há um evento que terá lugar no Pavilhão da Associação da Lagoa Parceira e que trará às Caldas o rapper King Bigs. Além do cabeça de cartaz, também atuará o rapper Mozzy Junior. A noite continuará com as atuações dos DJs Johnny D e Dbraz, sendo que este último é da Lourinhã.
A iniciativa de organizar este evento é de Pedro Jarrais e de Guilherme Rocha, jovens caldenses de 24 e de 22 anos, respetivamente que estão interessados em promover iniciativa que voltem a dar vida à noite caldense.
O primeiro trabalha na produção dos Wet Bed Gang e é responsável pela imagem da empresa Transwhite. O segundo é o responsável pelo Burgui, roulotte de hambúrgueres que está nos Silos. Guilherme Rocha é o responsável também pela organização das rodas de Samba. As primeiras junto à roulotte mas o evento cresceu e já tem acontecido também na Associação da Lagoa Parceira. Este local também recebeu o Baile Funk, organizado há quatro meses.
Ambos pretendem continuar a realizar eventos e já garantiram público da zona, mas também de outras localidades como de Lisboa e até há dois jovens que se vão deslocar da Suíça só para poder assistir a este evento de hip hop. A organização pretende encher o pavilhão e esperam chegar a um público com mil a 1500 pessoas.
“Um dia gostaria de realizar um festival”, disse Pedro Jarrais que garante que já estão a planear mais eventos relacionados com o Hip Hop. Os empresários reforçaram a segurança e ainda terão uma carrinha de nove lugares – patrocinada pela Transwhite – que assegurará o transporte entre a cidade e o Pavilhão da Lagoa Parceira, pedindo por pessoa, um preço simbólico de um euro. “Queremos animar a noite na região”, garantiu Pedro Jarrais que contou que há já muitos bilhetes vendidos. Estes custam oito euros, já custaram seis e no dia do evento terão um custo de 10 euros por pessoa. Haverá no local bebidas e comida (bifanas).
Abriu a 3 de outubro, na Art4Family a coletiva dedicada a D. Leonor e que deu origem também a uma publicação
A galeria Art4Family organizou uma Open Call que convidou artistas a retratar a Rainha D. Leonor. A mostra que abriu portas a 3 de outubro contou com a participação de 30 artistas que retrataram a rainha das mais variadas formas.
“A rainha foi uma senhora fantástica desde a fundação dos hospitais das Caldas e de Lisboa (Todos os Santos) até à fundação das misericórdias, feita durante a sua regência”, disse João Paulo Cunha, o médico responsável pela galeria que fez uma pesquisa aturada sobre a vida e obra de D. Leonor que é assim bem relembrada nesta iniciativa. A sua religiosidade, o facto de ter sido mecenas e de ter encomendado vários autos a Gil Vicente, está tudo representado numa área desta galeria caldense. Presentes estão também várias banheiras coloridas que lembram o hospital termal, bem como a própria genealogia de D. Leonor.
“Estou em querer que ela fundou as Caldas para dar força ao seu marido. Ela fez muito pelos seus e pelo seu país”, disse o médico-galerista que é também o responsável pela nova associação Aspas e que reúne as obras que estão presentes nesta mostra. Com o catálogo “pretendemos divulgar os artistas que participaram na Open Call” referiu. No sábado 4 de outubro houve novo momento de lançamento da publicação e um almoço de celebração.
Cristina Mateus é uma das artistas que está a participar na coletiva. Voltou a pintar a Rainha D. Leonor em aguarela, algo que já tinha feito anteriormente quando retratou a estátua da entrada sul da cidade. “Gosto de participar em coletivas pois dá ao visitante a possibilidade de ver várias propostas artísticas”. Por seu lado, o jovem autora ucraniano, Andrii Taraban que se dedica à pintura abstrata, retratou a rainha de costas. O autor de 21 anos vive há três anos nas Caldas, da sua pintura. Andrii Taraban considera que este tipo de iniciativas devia acontecer mais vezes pois as Open Calls “dão oportunidade a todos os autores de poder participar”.
Por seu lado, Margarida Andrade trouxe para esta mostra a Mata que foi mandada plantar pela Rainha, “proporcionando assim um ambiente fresco a quem vinha fazer termas”, contou a autora. Margarida Andrade dedica-se à pintura desde 2002 e participou nesta mostra com obra feita a pastel seco. A artista é de Lisboa, vinha passar os fins de semana no Oeste e após a pandemia, mudou-se definitivamente para cá.
Já Sofia Brito, autora que vive em Peniche, gostou de criar uma nova rainha. Designou o seu trabalho “Leonor, missionária e visionária” e a sua proposta está cheia de simbologia pois representou elementos como a serpente (que significa a saúde e a sabedoria) e o falcão, associando-o à visão e à mestria.
“Ela deixou um legado que se prolonga até hoje”, contou a autora que “vestiu” a rainha com um fato que lembra a azulejaria. Na sua opinião, este tipo de iniciativas como a Open Call são “ótimas para dar oportunidade a artistas que não são tão conhecidos”. A autora que vive em Ferrel também se dedica ao artesanato.
O artista caldense Pedro Ventura participou com uma obra mais abstrata onde está representada D. Leonor. Na sua peça de parede consegue-se identificar a coroa e uma parte do rosto . A proposta ainda inclui o vapor da água termal. No verso, a obra guarda as datas de nascimento e morte de D. Leonor. A mostra está patente na Galeria Art4Family (situada na R. Raul Proença º 71) até ao próximo dia 17 de novembro.
Algumas das obras que estão presentes nesta coletiva
Há um novo local que se dedica à aprendizagem das artes, sobretudo à cerâmica
Abriu recentemente e designa-se Arneiro Art Center e fica na Rua dos Carvalheiros nº 19 no Chão da Parada e é um novo espaço dedicado ao ensino das artes, sobretudo à cerâmica mas também à pintura e à escultura.
Sónia Melo é natural de Toronto mas a sua família é do Chão da Parada (Tornada).
A autora, que viveu e que se formou noutros países, está de regresso às suas origens e decidiu então criar um espaço dedicado às artes e à sua aprendizagem.
Sónia Melo viveu desde os oito aos 18 anos nas Caldas e depois voltou para se formar em Toronto, no Canadá, tendo estudado artes, desde a fotografia à cerâmica. Posteriormente, viveu durante uma década em França e em 2015 regressou a Portugal para se formar em Cerâmica e Vidro no Cencal.
A coordenação do projeto é dividida com Elsa French, artista que também se dedicou profissionalmente ao design. Ambas tiraram várias formações em cerâmica no Cencal.
“Pretendemos que este seja o nosso espaço de trabalho e também que possa servir de lugar para que outros autores possam fazer aqui os seus workshops”, disse Sónia Melo que além da vertente artística, também se dedica ao ensino de várias línguas. O Arneiro Art Center, aberto neste verão já recebeu vários ceramistas e, segundo Sónia Melo, este projeto gostaria de trabalhar, em conjunto, com as estruturas locais da terra, desde as creches até aos lares.
Outro espaço para quem sofre de doenças crónicas
A responsável do Arneiro Art Center tem ainda uma segunda ideia de construir, na área da sua habitação, um projeto destinado a mulheres que sofrem com doenças crónicas. Sónia Melo gostaria que este fosse um local agradável, que pudesse contribuir para a recuperação da saúde e onde pudesse ser feitas terapias alternativas.
Sónia Melo, que tem participado em exposições coletivas de grupos de autores feitas nas Caldas, dispõe-se agora a coordenar workshops de cerâmica a grupos de quatro até seis participantes.
Neste espaço do Chão da Parada, sob coordenação das duas autoras, pode aprender-se várias técnicas desde a pintura de azulejo, passando pela lastra ou rolo.
Além do espaço de trabalho das duas autoras, o Arneiro Art Center também terá espaço de loja e, no futuro, quer abrir-se à colaboração de outros autores e ceramistas. E quem sabe, no futuro, gostariam também de organizar residências artísticas e realizar exposições no espaço.
O espaço, que tem três áreas distintas, está preparado para receber vários tipos de público. O público poderá aprender várias artes no ambiente calmo do Chão da Parada. Sónia Melo dedica-se à cerâmica desde os anos 90 se bem que a sua primeira área de estudo artística foi a da fotografia analógica.
Sónia Melo e Elsa French são as responsáveis pelo Arneiro Art Center
Atriz caldense vive e ensina sobre como estar nos palcos. Além do teatro também faz stand-up e é uma das mentoras do concurso nacional desta área que está a decorrer
Sofia Bernardo é de S. Martinho do Porto e nasceu nas Caldas. Tem 43 anos e uma vida dedicada ao teatro, ao ensino da arte dramática e ao stand-up. A autora é uma das mentoras do concurso nacional de Stand-Up Comedy, O Último a Rir, que é promovido pela revista Sábado, que está a decorrer e ainda a receber candidatos. Esta é já a quarta edição e Sofia Bernardo foi mentora na segunda e na terceira edição deste concurso. A caldense trabalha neste concurso com Marco Horácio e com Miguel Sete Estacas.
Cada humorista escolhe entre os candidatos quais são aqueles com quem quer trabalhar. “É um concurso e é uma experiência interessante já que tenho oportunidade de testar teorias sobre a comédia em palco”, disse Sofia Bernardo que está também a doutorar-se em Estudos Artísticos, especialização em Estudos Teatrais e Performativos, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.
Desde 1994 que começou a dedicar-se ao teatro. Os primeiros passos foram no teatro amador na sua terra, S. Martinho. Formou-se em Teatro da Universidade de Évora e, em 2002, participava na sua primeira peça, com a companhia Bruxa Teatro, também em Évora.
Também trabalhou com o Teatro das Beiras, da Covilhã, um grupo de digressão, com quem a caldense percorreu todo o país até 2007.
Nesse ano passou a dedicar-se às suas produções próprias e participa pontualmente com outras companhias.
E na verdade nunca mais parou. A atriz dá aulas e workshops e tem os seus próprios espetáculos em digressão.
Nestes mais de 20 anos de carreira “a comédia está sempre presente não só na minha vida pessoal como na profissional”, disse a autora que a partir de 2008 também começou a dedicar-se à stand up comedy. Diz que não tem a pretensão de se tornar comediante desta área, pois acha que é mais uma atriz de teatro que tem mais uma vertente, a possibilidade de também fazer stand-up.
No que diz respeito às suas criações próprias, que já são várias, Sofia Bernardo conta que aprecia juntar a área musical ao seu trabalho, tal como acontece em “Nem Famosa, Nem Falhada”, um espetáculo de comédia, um one woman show que une a comédia à música.
Sofia Bernardo também tirou o mestrado em Gestão Cultural na ESAD.CR já que na verdade em Portugal “é o próprio artista que tem que fazer, promover e vender os seus próprios espetáculos”.
Por onde tem passado, acaba por ser chamada de novo para apresentar um novo espetáculo. Orgulha-se de já ter percorrido Portugal de lés-a-lés com grupos teatrais e até com as suas criações próprias. “Creio que já representei em duas centenas de localidades, e nalgumas mais do que uma vez”, disse a atriz que há uma década que ensina teatro no Centro de Educação Especial Rainha D. Leonor (CEERDL) e também ensinou Teatro no ensino articulado, no Conservatório de Música das Caldas.
Neste momento, Sofia Bernardo tem mais projetos, um deles que interliga a arte dramática com a escola e que está a ser implementado na região Oeste. Designa-se “A Escola não é um drama” e destina-se a alunos do 2º e do 3º Ciclo que “terão que resolver as dúvidas que têm sobre a escola, usando técnicas teatrais, neste atelier”, disse a atriz, disposta também a trabalhar com grupos de crianças e de jovens nas associações.
“Não tenho a pretensão de formar atores mas sim bons cidadãos, usando para tal as ferramentas do teatro”, referiu Sofia Bernardo que ainda acrescentou que os próprios professores poderão assistir ao atelier teatral. Este terá como motes “desacelarar e também ajudar a desenvolver o espírito crítico”.
Atualmente Sofia Bernardo está dedicada a escrever um espetáculo sobre a ansiedade. “E na pesquisa dei-me conta que o tipo de vida que levamos acaba por nos conduzir à ansiedade, tentando ser perfeitos e chegar a todo o lado”, referiu a autora que gostaria de estrear a peça até ao final deste ano. Na calha está um livro sobre o processo de criação e de performance ligada à comédia. “Gostaria de fazer uma edição de autor desta obra que está quase pronta”, rematou a autora que na sua investigação académica ainda se dedica ao estudo do conceito de timing na comédia. Sofia Bernardo está também a adaptar a salas não convencionais o seu espetáculo “Seja um ditatador em 10 passos”, que foi premiado.
A autora de S. Martinho do Porto também se dedica ao stand-up
E tem várias produções próprias. “Nem Famosa, nem Falhada” é uma delas
Estão de regresso os concertos do Cistermúsica Fronteiras com propostas que cruzam a música com outras artes
O ciclo Cistermúsica Fronteiras regressa a Alcobaça entre os meses de outubro a dezembro com propostas em que a música, com especial enfoque na criação contemporânea, se irá cruzar com a fotografia, a literatura, a poesia e a pintura. A programação reafirma a música como eixo central, em diálogo criativo com outras formas de expressão artística. O ciclo Cistermúsica Fronteir regressa a Alcobaça de outubro a dezembro com múltiplas propostas em que a música, com especial enfoque na criação contemporânea, se cruza com a fotografia, a literatura, a poesia e a pintura.
A programação reafirma a música como eixo central, em diálogo criativo com outras formas de expressão artística. espaços da cidade que acolhem estes espetáculos, desde o património histórico, no Mosteiro de Alcobaça, passando por vários equipamentos culturais como o Museu do Vinho, o Armazém das Artes e o mais recente Panorama – Multiusos de Alcobaça.
A abrir a programação, a Banda Sinfónica Portuguesa e o Quarteto Contratempus apresentama criação Delícia de Morangos com Chantilly, a 11 de outubro, a partir das 18h00, no Cine-teatro de Alcobaça – João D’Oliva Monteiro, uma cantata cénica multimédia que resulta de um libreto colaborativo entre homem (Edward Ayres d’Abreu) e tecnologia (em parte escrito pelo ChatGPT). A obra, para cinco solistas e orquestra de sopros, conta com música de Pedro Lima, jovem compositor premiado que se tem afirmado como voz ativa da música contemporânea. O espetáculo “Reflexos de Macondo” será uma expo-concerto de María José de Bustos e Óscar Perfer que terá lugar a 18 de outubro, às 18h00, no Museu do Vinho, na Adega dos Balseiros.
“Mythological Portraits” de Leida será apresentado a 26 de outubro, pelas 18h00, no Refeitório do Mosteiro de Alcobaça. Do programa fazem ainda parte atuações da Orquestra de Jazz do Hot Club de Portugal, Mário Laginha (que tocará Carlos Paredes). O festival irá encerrará a 7 de dezembro, pelas 18h00, no Cine-teatro de Alcobaça – João D’Oliva Monteiro com o espetáculo “Sinfonia Amadeo” pela Banda Sinfónica de Alcobaça que será dirigida por Luís Carvalho.
Até ao dia 4 de outubro, há várias companhias de marionetas de três paises a atuar em Alcobaça
Prossegue até ao próximo domingo o festival Marionetas na Cidade, em Alcobaça. Hoje, 2 de outubro, o Cineteatro local, acolhe às 10h30, o espetáculo “Os Sonmhos do Tom” do grupo Limite Zero ao passo que 21h00, o Armazém das Artes vai receber uma Oficina de Manipulação de Teatro Dom Roberto. Amanhã, dia 3 de outubro, às 18h00, na Pensão Corações Unidos, haverá uma conversa sobre “Renovar a Tradição no Teatro Dom Roberto” que contará com a presença dos marionetistas que participam no festival. Também a 3, às 21h30, no Armazém das Artes será representada a peça “Cabaret Voltaire”, dos SA Marionetas. A festa vai prosseguir com o DJ Set feito por marionetas Mariolinda (Natacha Costa Pereira e Beatriz Pires).
O espetáculo “Adamastor”, será apresentado no sábado, a 4 de outubro, às 16h00, na Praça 25 de abril. O gigante Adamastor é uma marioneta com quatro metros de altura que iniciará a performance prostrada no chão.
A 4, às 21h30, no Cine-Teatro João D’Oliva Monteiro será apresentado “O Menino Eterno” do grupo Fio D’Azeite. O Teatro e Marionetas de Mandrágora, a 5 de outubro, às 15h30 trará “Histórias da Terra” à Praça da República. Meia hora antes, haverá o Punch and Judy Show, do prof. Clive Chandler, na Praça 25 de Abril. Às 16h00, a Praça 25 de Abril receberá a pela El Pirata Barba do grupo Xarop Teatre. Algumas das peças serão representadas nos dias 4 e 5 de outubro. A mostra inclui três exposições que podem ser apreciadas no Armazém das Artes e há uma outra, “Lúmen – Uma história de amor em imagens” patente nas montras do comércio local.
Trata-se de uma exposição de fotografias do processo de construção e de apresentações de Lúmen – Uma História de Amor, um espetáculo original da S.A.Marionetas. Este festival é apoiado pela DGArtes , pelo Município de Alcobaça, Reencontro Restaurante, Corações Unidos Pensão, Armazém das Artes e Caixa de Crédito Agrícola.
Pintura, cerâmica e recortes de jornais sobre o médico e hospitais caldenses fazem agora parte da coleção do museu
O médico aposentado Vasco Trancoso, especialista em Gastrenterologia, doou parte do seu espólio ao Museu do Hospital e das Caldas.
A doação, formalizada a 23 de setembro, integra quatro peças cerâmicas, seis pastas com recortes de jornais sobre a sua atividade profissional e textos de opinião publicados na imprensa local.
Inclui ainda um quadro em acrílico de Ferreira da Silva, com o retrato do médico, uma serigrafia do mesmo autor dedicada a Vasco Trancoso. Nesta obra, feita em 1996, o médico surge em tom de caricatura, sempre apressado e como menção a várias artes como a música, e a pintura, que o gastrenterologista tanto aprecia.
Vasco Trancoso revelou ainda que foi com o artista a Lisboa comprar as tintas acrílicas com que pintou o seu e outros retratos de personalidades caldenses como do também médico Ernesto Moreira e ainda do historiador João Serra.
Nessa altura, em 2002, Ferreira da Silva disse ao médico: “gostava que o quadro em que te retrato ficasse no Museu do Hospital”. Como tal, “cá estamos cumprindo o desejo do autor”, referiu o doador que ainda deixou a sugestão de reunir mais obras de outros dirigentes do Centro Hospitalar das Caldas como, por exemplo, de Mário Gonçalves. Este último, além de ter sido presidente do Conselho de Administração durante mais de duas décadas, está também ligado aos dois hospitais caldenses e à fundação do próprio Museu do Hospital e das Caldas.
Foi também doado um busto representando o próprio, da autoria do mestre Herculano Elias, de 2002 e outras peças de cerâmica, uma delas da autoria de Alberto Miguel. Há outras duas que foram oferecidas por doentes a Vasco Trancoso como forma de agradecimento pelos tratamentos.
A doação inclui seis álbuns de recortes de notícias, a maioria dos jornais locais e há muitos recortes da Gazeta das Caldas que o médico foi colecionando sobre a sua carreira e sobre os hospitais caldenses. “A maior parte é referente ao período em que fui presidente do Conselho de Administração, de 1999 até me aposentar em 2009. Ao todo conheci sete ministérios da Saúde”, recordou. A atual presidente do Conselho de Administração da ULS, Elsa Baião, agradeceu ao doador “a generosidade de oferecer obras ao Museu e obrigada por ajudar a melhorar a memória coletiva, contribuindo com obras e informação sobre a história mais recente”. Vasco Trancoso foi fundador do Serviço de Gastroenterologia do Hospital das Caldas, onde também exerceu funções como diretor clínico.
Presidiu ao Conselho de Administração do Centro Hospitalar das Caldas, foi presidente honorário do Núcleo de Gastrenterologia dos Hospitais Distritais (NGHD), associação que ajudou a fundar em 1984.
Destaca-se também na fotografia de rua,somando prémios nacionais e internacionais, publicando imagens em revistas especializadas.
O Museu Municipal de Óbidos reabriu a 27 de setembro com um novo programa museológico e cultural que aposta em experiências interativas e imersivas, tornando a visita mais inclusiva
À entrada do Museu Municipal, a rainha D. Maria I dá as boas vindas aos visitantes. Explica quem foi, o que fez e a sua ligação a Óbidos e pode fazê-lo em quatro línguas: português, inglês, espanhol e francês, tendo em conta que cerca de 70% dos visitantes são estrangeiros.
Este quadro, que faz uso da Inteligência Artificial, é uma das quatro estruturas interativas estão disponíveis no espaço museológico e encontra-se de frente para a obra original, a pintura “o retrato de D. Maria I”, datada de finais do século XVIII. No primeiro piso, na Sala dos Retábulos, o historiador Bruno Silva faz uma explicação, virtual, da coleção de pinturas e esculturas em talha dourada que ostentavam os altares das igrejas durante os séculos XIV e XVI. Na sala ao lado, é o beneficiado Faustino das Neves quem “fala”. Ele, que foi provedor da Santa Casa da Misericórdia e está sepultado na Igreja de Santa Maria, foi pintado por Josefa d’Óbidos e apresenta a sala dedicada à pintora obidense. A vida e obra de Josefa d’Óbidos pode também ser conhecida numa projeção de vídeo (com recurso a seis câmaras), num ângulo de 270º, ocupando três paredes da sala.
Por último, os participantes podem completar diversos puzzles, dos quadros expostos da pintora obidense, nos quatro dispositivos tecnológicos que existem ao seu dispor.
Esta integração de novas tecnologias permite melhorar a experiência do público, valorizar as coleções e reforçar a divulgação do património cultural. Entre as vantagens estão o maior acesso às obras, a preservação digital do acervo e a criação de novas formas de interação e aprendizagem. O investimento foi de 74.980 euros e, de acordo com o presidente da Câmara, Filipe Daniel, tem por objetivo adaptar o Museu Municipal aos tempos atuais, dando-lhe alguma inovação e tecnologia, também para atrair outro tipo de público, nomeadamente estudantes. “Todas as obras permanecem no museu, mas agora existe uma interação e relação imersiva com elas”, explicou o autarca, acrescentando que este é um exemplo do que pretendem fazer na Praça da Criatividade. Para aquele espaço estão previstas projeções das experiências: Artes e Ofícios, Óbidos ao Longo dos Tempos e Passeio de Bateira. “Tudo isto para que possamos ter mais pessoas a visitar Óbidos, com uma nova centralidade na Praça da Criatividade e que possamos, a partir dali, projetarmos tudo o que existe de melhor no nosso concelho, desde a lagoa ao aqueduto, às aldeias históricas”, referiu. O objetivo é que, com estas experiências imersivas, “fixar as pessoas mais tempo, para dar um estímulo à economia, nomeadamente à restauração e hotelaria”, explicou Filipe Daniel, que acredita que estas possam estar implementadas até ao final do primeiro semestre de 2026.
O autarca informou ainda que estão a delinear a ideia de uma tenda domo (uma espécie de iglô) para poder levar às escolas a projeção sobre a história de Óbidos em várias versões.
A autarquia já está a trabalhar com uma empresa que dinamiza os documentários “Os Lugares de Outrora”, na realização de um projeto do concelho e das sete freguesias, que será depois também disponibilizado às autarquias de base.
“Foi-nos proposta esta prestação de serviços e aceitámos porque tem a identidade do território, que queremos finalizar e que depois as pessoas se identifiquem com aquilo que eram as histórias das várias localidades”, explicou o autarca, adiantando que o trabalho ficará patente em diversos espaços do concelho, para as pessoas ficarem a conhecer todo o território.
Também foi lançada uma publicação sobre a exposição “Maria de Lourdes de Mello e Castro: uma esplêndida lição”
Uma performance de dança e o lançamento de uma publicação sobre a exposição “Maria de Lourdes de Mello e Castro: uma esplêndida lição” assinalaram o fim da mostra com curadoria de Sofia Bandeira Duarte, que esteve patente no Museu José Malhoa entre 24 de maio e 27 de setembro. A finissage teve lugar a 26 de setembro, e público não faltou.
Tudo começou com uma conversa no claustro do museu, onde Nicole Costa, a diretora, proferiu algumas palavras. Começando por se referir à publicação que ali foi lançada, frisou que esta “não é um catálogo, é uma publicação sobre a exposição. Por isso, traz algumas singularidades”. Nomeadamente, “o facto de que contempla imagens da exposição montada”, o que “não é muito comum”, e “de momentos significativos que aconteceram enquanto a exposição esteve aberta ao público”, referindo ainda que “a maior parte das obras veio cedida pela família da artista”.
Patentes estiveram mais de 70 obras de Maria de Lourdes de Mello e Castro (1903–1993), natural de Figueiró dos Vinhos, que foi discípula de José Malhoa e cuja pintura também tem uma “ligação às Caldas”, salientou Manuel Bandeira Duarte, o designer gráfico da publicação.
Sofia Bandeira Duarte referiu que o projeto da exposição “demorou quase um ano a preparar”, e partilhou uma notícia que recebera no dia anterior: a de que o projeto para a Casa da Memória Maria de Lourdes Mello e Castro, em Tomar, “vai finalmente avançar; está neste momento numa fase que já permite alguma esperança nesse sentido, depois de muito tempo de letargia”. O projeto “já vem de 1996, a data de morte da pintora”, contou.
“Penso que a exposição cumpriu plenamente os seus objetivos. Houve várias pessoas que me comunicaram que não conheciam, mas que passaram a conhecer a pintora e a sua obra. Para mim, isso já é uma grande conquista, se não a maior”, rematou.
Inesa Markava encantou os presentes com uma performance na sala da exposição temporária que montou “durante várias visitas. residências artísticas e ensaios no museu”, contou. A bailarina foi descoberta por Nicole Costa através do projeto “Museus na Aldeia” e recorreu a tecidos, flores ou mesmo grãos de areia para trazer um novo olhar repleto de doçura e delicadeza sobre a exposição.
Cristina Sampaio e Nuno Saraiva vieram ao CCC falar sobre Zés Povinhos. Para o último, o Zé de hoje tem dois carros e quer o telemóvel mais moderno
A maioria dos cartoonistas portugueses usam o Zé Povinho nos seus trabalhos.
Nuno Saraiva e Cristina Sampaio são dois dos atuais ilustradores e cartoonistas que o fazem e que vieram às Caldas a 27 de setembro para conversar sobre a sobrevivência da personagem e para debater se esta ainda representa o que é ser português hoje.
“Sempre desenhei Zés, primeiro no campo do erotismo, depois a partir de 2003 no projeto editorial do Inimigo Público”, disse Nuno Saraiva, autor premiado que começou na banda desenhada e que diz que tem uma relação difícil, de amor-ódio com esta personagem.
“Tenho-o no meu coração, vejo-o com toda a ternura mas considero-o um reacionário, que cai nas armadilhas mas que também elege. Na sua opinião, o próprio Bordalo Pinheiro – com quem não antipatiza – “não gostava do seu filho pois retratava-o um pouco chateado e com uma albarda, com uma postura de subserviência e que carrega os poderosos. “O Toma não é uma obra gráfica, mas surge sim da cerâmica”. Segundo Nuno Saraiva, o Zé Povinho a fazer o manguito surge já depois da morte do pai, Bordalo Pinheiro. Para este autor o Zé Povinho de hoje “tem dois automóveis e está muito preocupado com o próximo modelo iphone e, muito provavelmente, vota naquele partido que eu me recuso a dizer o nome”.
Por seu lado, Cristina Sampaio tomou contacto com Zé Povinho do Abel Manta quando tinha 14 anos e quando se deu o 25 de Abril. Os pais eram da oposição e “já me tinham passado ideias de contestação”. A figura do Zé Povinho foi imediatamente adotada por esta autora premiada que adotou também o Zé. “Quando comecei a ganhar dinheiro fazendo bonecos comecei a desenhar Zé Povinhos por necessidade”, contou. A autora acrescentou que “precisamos de símbolos e até de clichês para falar sobre o povo português, ou melhor, sobre o homem da rua e é por isso que recorremos ao Zé Povinho”. Para a autora, esta personagem é “aquilo que quisermos fazer dele”. E especificou: “já o retratei como vítima e também como um oportunista”. Para a artista “ele é bastante moldável e conseguimos usá-lo conforme o ar do tempo”.Quando o desenhou com as calças na mão e com Passos Coelho com um cinto mas que o usa para o estrangular “era assim que a maioria das pessoas se sentiam no seu governo”. Quando o coloca a dar biberão “aos poderosos da UE” e com uma roca com o símbolo do futebol, “é a representação do povo que ali está”.
A convidada referiu que maioria dos cartoonistas é de esquerda ma levantou a hipótese de como seria o Zé Povinho de um cartoonista de direita. “Na verdade ele um veículo e nós fazemos dele o que queremos. É uma simplificação, algo muito simbólico que acaba por ser um recurso como a Marianne dos franceses”, disse Cristina Sampaio. Há também num Zé um aspeto algo anacrónico pois já ninguém se veste daquela maneira ou usa aquele chapéu. “Há quem me pergunte se ele é um Amish”, disse. Cristina Sampaio que por norma se dedica mais ao Internacional considera ainda que há muitos tipos de Zés. O Toma! Queres fiado ? é algo que recordo das tascas e das tabernas enquanto que o Zé Povinho do Abel Manta “é para intelectuais”. A cartoonista deixou no ar a interrogação de porque é que é que nunca usamos a Maria Paciência. “É certo que não tem a mesma notoriedade mas em França usa-se a Marianne que é também uma figura feminina e é muito usada pelos cartoonistas franceses”.
O debate foi moderado pelo historiador Paulo Jorge Fernandes. O evento marcou também o fim da exposição e contou com palavras de agradecimento da vereadora da Cultura – ao curador, Jorge Silva e aos convidados que vieram “à província de Bordalo”. Nuno Saraiva e Cristina Sampaio sentem-se herdeiros de Bordalo pois este “acaba por ser pai de todos nós. Somos membros dessa grande família já que Zé Povinho foi continuado e desenhado pelos seus pares. A iniciativa terminou em festa com os presentes a cantar os parabéns a Cristina Sampaio que celebrou o seu 65º aniversário.
A 8 de outubro, o realizador caldense Rui Pires vem às Caldas apresentar o seu filme sobre a Casa da Democracia
Na próxima quarta-feira, dia 8 de outubro, o realizador Rui Pires vai estar no CCC para comentar o seu filme “O Parlamento de Cidadãos”, Este foi filmado durante um ano – entre 2018 e 2019 – na Assembleia da República. Haverá sessões de manhã e à tarde destinadas às escolas e uma sessão às 21h00, para o público em geral.
O realizador é caldense e retrata, de forma inédita, o trabalho parlamentar, as discussões ideológicas à forma como deputadas e deputados lidam com o povo quando este usa os mecanismos legais para mudar a realidade.
O documentário estreou a 24 de abril, em várias salas de cinema de todo o país e o realizador tem participado em sessões que se destinam às escolas e ao público em geral. Perante o aumento da distância entre cidadãos e poder, e após uma crise económica que afetou gravemente a coesão social, este filme dá-nos a ver de forma inédita como cidadãos constroem uma sociedade a partir do interior de um parlamento, um Palácio de Cidadãos, possibilitando uma pertinente reflexão, muitas vezes contraditória e complexa, sobre a essência da democracia.
O filme dará a conhecer os deputados dos diferentes partidos e os assuntos a que se dedicam, dando a conhecer o funcionamento de uma instituição cujo labor impacta a vida de quem habita em Portugal. Foi dada especial atenção às petições e às manifestações.
“O Parlamento de Cidadãos” tentou encontrar algumas respostas sobre como funcionam os processos, quem decide as mudanças nas vidas dos cidadãos.
“As reações ao filme têm sido muito positivas e até redobrou o interesse de várias em ir conhecer melhor a Casa da Democracia”, referiu Rui Pires à Gazeta das Caldas quando o filme foi estreado. “O Parlamento de Cidadãos” tem sido apresentado com sucesso em várias localidades.
O documentário dá uma visão sobre como se constrói uma sociedade, a partir do interior de um parlamento, procurando desta forma “a essência da democracia”, disse o autor à Gazeta das Caldas.
O filme de Rui Pires foi o vencedor do Prémio Max – Para Melhor Filme da Competição Portuguesa (Doclisboa, Portugal’24) e esteve também no Dokumentarfilmwoche Hamburg, (Alemanha’25) e no 43º Festival Cinematográfico de Uruguay. Esteve ainda em festivais ou eventos de cinema em Buenos Aires na Argentina, Santiago do Chile, Bogotá na Colômbia, Quito no Equador e para a Cidade do México.
Foi visto também em Macau, no final de setembro, em iniciativa do Doclisboa’24 – Macau extension no final de setembro e incluiu uma palestra do realizador caldense para os alunos do 12º ano da Escola Portuguesa. O filme já foi visto em Lisboa, Elvas, Lamego, e Almada. Depois das Caldas, o Palácio dos Cidadãos poderá ainda ser visionado em Águeda, Moita, Leiria e Loulé.
A programação do CCC, até ao final de 2025 , inclui vários géneros de espetáculos. Vão subir ao palco caldense as peças “Teatro Paraíso”, pelo Trigo Limpo (ACERT) a 1 e 2 de outubro e “Pagar?! Aqui, Ninguém Paga!” pelo Teatro dos Aloés, numa parceria com o Teatro da Rainha, a 4 de outubro. “Os Brincos À Ronaldo e Outras Histórias”, de Alexandre Sampaio, será representada a 30 de outubro. Em novembro, no dia 15, apresenta-se “Cárcere”, do Brasileiro Vinícius Piedade.
O Stand Up Comedy vai estar nos dias 18 e 19 de outubro, com a Bumba na Fofinha a apresentar o espetáculo “Sombra”, já com sessões esgotadas e uma terceira quase a esgotar.
O cinema, em português, inicia o ciclo a 8 de outubro, com o filme “O Palácio dos Cidadãos”, do realizador caldense Rui Pires e a 22 de outubro com Mississipis, de António-Pedro.
Em novembro, no dia 5 é exibido o filme “Vida Luminosa”, de João Rosas e no dia 19, “Lindo”, de Margarida Gramaxo. Este ciclo de cinema encerra a 3 de dezembro, com o filme “ON Falling”, de Laura Carreira. A 8 de dezembro destaca-se o Bailado Clássico Quebra-Nozes, uma produção da Classic Stage e a 17, Maximum Impact, da RiSa Dance School. Há alguns eventos da associação que organiza o Impulso como o workshop “Silêncio”, por Sílvia Mendonça, a 17 de outubro e uma residência artística que terá lugar a 20 e 21 de novembro com Llama Virgem.
Festival de música das Caldas fará uma pausa até ao final do ano, após concerto de Mazela, Tó Trips e de Rizan Said
O Festival Impulso teve mais uma atuação, no passado fim de semana dias 20 e 21 de setembro), tendo apostado em concertos no CCC como também participando no Caldas Film Fest, o festival de cinema que teve lugar na Molda e no Museu do Hospital e das Caldas. Mazela, Tó Trips acompanhado pelos The Fake Latinos e o sírio Rizam Said foram as propostas que fecharam a última data do ano do Impulso.
O festival de música contemporânea das Caldas está agora a viver uma fase de reflexão, pois quer crescer e precisa de mais apoios. “Concorremos a apoio financeiros da DGArtes e vamos voltar a fazê-lo”, disse Nuno Monteiro, o diretor do evento que já vai no seu oitavo ano.
Só em 2025, o Impulso concretizou 30 concertos, e conta com o apoio da autarquia “mas precisamos de mais apoio, se quisermos continuar a manter o mesmo nível”, referiu o responsável referindo ainda que deverão ter chegado aos dez mil espectadores. Além de uma programação atual, o Impulso conta com a participação de alunos da ESAD.CR e entretanto “precisamos de começar a pagar às pessoas pelo seu trabalho. A maioria, sobretudo da parte técnica, não recebe nada”, referiu o diretor.
Até ao final do ano está ainda prevista a realização de duas residências artísticas e depois “teremos que repensar o formato para 2026”, sublinhou Nuno Monteiro que é também docente na ESAD.CR. “Temos tido apoio com a autarquia para a programaçao mas é insuficiente para o que já estamos a realizar”, referiu Nuno Monteiro acrescentando que o festival está numa fase em que precisa de ser redimensionado. Há até uma ideia de começar a fazer uma iniciativa itinerante, ocupnado mensalmente um espaço diferente da cidade. Este ano já atuaram nas Caldas os Linda Martini, Lena d’Água, Maria Reis, Três Tristes Tigres,Vaiapraia, Bia Maria, Rafael Toral; os Emergentes como bbb hairdryer, YAKUZA, roadkill e apostas internacionais com Baby Berserk, Sheherazaad e Rizan Said.
O Impulso passou pelo CCC,Silos, Museu do Hospital, Igreja do Pópulo e locais ao ar livre.
Ao longo de nove dias, 11 companhias de marionetas, oriundas de três países, participarão em 13 espetáculos do Festival Marionetas na Cidade
Começa no próximo sábado, 27 de setembro, às 22h00, o Festival Marionetas na Cidade, no Mosteiro de Alcobaça. Vários espaços da localidade vão acolher espetáculos de teatro de marionetas, num dos mais antigos eventos culturais da região já que o festival já soma 22 anos.
O evento vai começar com a estreia do espetáculo “Quantum – A Origem”, uma peça em estreia absoluta da S.A.Marionetas – Teatro e Bonecos Portugal e que terá início junto aos Paços do Concelho.
O espetáculo, que conduz o público numa viagem desde a criação do universo até à saída da vida do meio aquático. Tem uma hora de duração e entradas livres.
Do festival também fazem parte exposições como “O Amor nas Produções S.A.Marionetas”, “Pelo sim, pelo Não – As marionetas da série Felp” e “Quantum – A origem- Processo” que abrem portas no dia 28 de setembro, pelas 16h00, no Armazém das Artes, e têm visitas guiadas.
O evento incluirá espetáculos Dom Roberto como A Tourada, O Barbeiro Diabólico e o Castelo dos Fantasmas que fazem parte das programação para as escolas. As peças poderão ser vistas a 29 de setembro, às 10h30, no Salão Paroquial de Évora de Alcobaça.
As entradas são livres mas é preciso fazer reserva.
Já a 30 de setembro, às 10h30, no Cine-Teatro João D’Oliva Monteiro acolhe o espetáculo “Um submarino em Marte – Imaginar do Gigante”. Já no dia 1 de outubro, será apresentado o espetáculo “Palhinhas – A História de um espantalho” de Krisálida e no dia 2, “Os Sonhos do Tom” do Limite Zero.
A 2 de outubro, às 21h30, o Armazém das Artes recebe uma Oficina de Manipulação de Teatro Dom Roberto. Já no dia 3 de outubro, às 18h00, na Pensão Corações Unidos, haverá uma conversa sobre Renovar a Tradição no Teatro Dom Roberto e que contará com a presença dos marionetistas presentes nesta edição do festival. Também no dia 3, às 21h30, no Armazém das Artes será representada a peça “Cabaret Voltaire”, pelo grupo de Alcobaça, SA Marionetas que organiza esta iniciativa que é apoiada pela República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto / Direção-Geral das Artes, pelo Município de Alcobaça, Reencontro Restaurante, Corações Unidos Pensão, Armazém das Artes e Caixa de Crédito Agrícola. O festival prossegue com mais iniciativas até 5 de outubro.
O último fim de semana do festival de Ópera de Óbidos aconteceu no Convento de S. Miguel das Gaeiras e voltou a contar com casa cheia. O Segredo de Susanna, em double bill com o bailado El Amor Brujo, de Manuel de Falla. No primeiro, destacou-se o elenco composto por Ana Vieira Leite, Nazar Mykulyak e o ator Gonçalo Ramalho; no segundo, a voz consagrada de Maria Luísa de Freitas deu vida a uma obra-prima da música espanhola, acompanhando os bailarinos Ivanoel Tavares e Catarina Ribeiro.
Os dois espetáculos contaram com a Orquestra Filarmónica Portuguesa, sob a direção do maestro Darrell Ang.
O Festival de Ópera de Óbidos apresentou sete espetáculos em 13 apresentações – incluindo quatro produções próprias, um concerto inaugural e duas conferências – que reuniram perto de 2000 espectadores, preenchendo 90% da lotação disponível. Esta edição apostou na ópera descentralizada, com apresentações no Parque Tecnológico de Óbidos, na Praça da Criatividade, no Museu Abílio Mattos e Silva e no Convento de São Miguel das Gaeiras.Subiram ao palco 26 cantores líricos, dois bailarinos, 67 coralistas do Coro Sinfónico Lisboa Cantat e do Coro Voces Cælestes, além de 99 músicos da Orquestra de Câmara Portuguesa e da Orquestra Filarmónica Portuguesa. Fora de cena, cerca de 49 profissionais técnicos e artísticos asseguraram o êxito do evento.