Category: Cultura

Agenda de eventos e artigos sobre a vida cultural na região.

  • Caldas Film Fest animou a cidade e aboliu a parte competitiva

    Caldas Film Fest animou a cidade e aboliu a parte competitiva

    Cidade acolheu 18 filmes na segunda edição do Caldas Film Fest

    O espaço da Molda (Fábrica Bordalo Pinheiro) e o anfiteatro exterior do Museu do Hospital e das Caldas receberam a segunda edição do Caldas Film Fest, iniciativa que contou com a exibição de 18 filmes de quatro categorias: Nacional, Caldense, Estudante e Experimental. Esta última foi uma novidade deste ano, assim como o facto de “termos abolido a realização de concurso”, explicou Lara Tomás, que faz parte da organização do festival.

    Ou seja, os filmes são exibidos mas não houve competição, tornando o festival em algo mais saudável e inclusivo”. E segundo Lara Tomás, a organização obteve um parecer muito positivo dos realizadores por terem feito nas Caldas, uma mostra que celebra o cinema português nas suas várias vertentes.

    As sessões de cinema estiveram completas, com as plateias cheias

    Ao todo foram vistas curta metragens dos mais variados géneros desde a animação, ficção e até ao terror e houve ainda a exibição de um documentário sobre skate. Este foi mostrado em conjunto com a realização de uma skate jam.

    Os filmes que integraram a segunda edição do Caldas Film Fest foram curtas metragens pois nenhum tinha mais de 30 minutos.

    O festival contou com um conjunto de atividades paralelas como, por exemplo, uma exposição de Artes Plásticas que teve lugar no espaço da Molda. “O cinema interliga-se com várias artes e conceitos e por isso mesmo quisemos associar as sessões dos filmes a outras atividades”, explicou Lara Tomás.

    Eventos paralelos com outros coletivos
    O Caldas Film Fest contou com a realização de uma exposição de artes plásticas que teve lugar na Molda e feita em parceria com o Recreio.

    Os concertos foram feitos em parceria com a Sociedade Normal Caldense e com o Festival Impulso. Houve DJ Sets e ainda jantares coletivos foram realizados em conjunto com outros coletivos caldenses como a Fá-Lo e a Cantina Juvenil da ESAD.CR

    O festival contou com muitos jovens a participar nas suas propostas, “muitos esadianos (antigos e novos alunos), gente de outras localidades como de Lisboa e Porto e várias famílias caldenses que vieram ver o que se estava a passar”, contou a organizadora. Durante os três dias do evento, vários realizadores marcaram presença neste evento que, apesar de se dedicar ao cinema português, contou também com autores de outras nacionalidades, que filmam em terra lusas.

    Estiveram no evento caldense Cláudio Carbone, o realizador do filme “Maio”, David Figueiredo de “Natureza Morta”, Venância Matos que realizou o filme “Como entender o ser em sete etapas”. Sarah Legow mostrou “The Man Cave”, Daniel Gonçalves “O Ciclo e a Matéria” enquanto que Irina Oliveira deu a conhecer “Olho-Vento”. Carolina Duarte Santos deu a conhecer “Cobaias” ao passo que Eyv mostrou “Windowgazer”.

    O Caldas Film Fest nasceu a partir do Cineclube das Caldas e neste momento já tem mais de 20 pessoas na organização.“Pretendemos, no futuro, receber filmes internacionais e que possa também estender o número de dias”, rematou a jovem que se formou na escola de artes caldense, onde hoje já leciona.

    Além de um skate jam, passou no festival um documentário sobre a modalidade
  • “O Zé Povinho nunca acaba de ser desenhado”

    “O Zé Povinho nunca acaba de ser desenhado”

    Símbolo do povo e a celebrar o 150º aniversário, mantém-se na pena dos atuais cartoonistas

    No sábado, 20 de Setembro, o café-concerto do CCC acolheu a primeira conferência destinada a refletir sobre esta personagem da sátira portuguesa, tentando entender qual é o papel de Zé Povinho na sociedade contemporânea, se esta personagem ainda nos representa e se ainda incomoda. No debate, moderado por Carlos Querido, participaram a historiadora de arte, Raquel Henriques da Silva, o diretor do Museu Bordalo Pinheiro, João Alpoim Botelho e o curador da mostra sobre o Zé Povinho, patente no CCC, Jorge Silva.

    Esteve prevista a participação de Isabel Castanheira que não pôde comparecer, por motivos de saúde. Para a historiadora de arte, Raquel Henriques da Silva, Rafael Bordalo Pinheiro foi “o mais importante artista português do século XIX pois “fez a ligação entre a arte e a indústria”.

    O surgimento do Zé Povinho em 1875 numa caricatura do jornal bordaliano, Lanterna Mágica foi vista à lupa na sessão onde se debateu o contexto nacional e internacional.

    Sobre o Zé Povinho afirmou-se na conferência que este é, na verdade, “a criatura que sobreviveu ao seu criador” e que logo poucos anos depois de ter sido criado por Bordalo, passou a ser desenhado por uma série de outros autores e inclusivamente usado pelas mais diversificadas vertentes políticas.

    Já para João Alpoim Botelho, Zé Povinho “é uma figura que nunca acaba de ser desenhada” e que ainda hoje é reproduzida pelos atuais cartoonistas.

    O convidado relembrou que em tempos de grandes ataques à liberdade de expressão, e de cancelamentos de programas de humor, por causa de uma piada “fazem-nos pensar que de facto a Liberdade tem que ser conquistada todos os dias”, disse.

    Na partilha foram dissecados os mais variados aspetos sobre esta personagem, a começar pelo próprio nome. Para Raquel Henriques da Silva, a figura satírica não tem um significado fechado, tendo identificado alguns aspetos de auto-representação de Bordalo e vários sinais de modernidade. “Há um cerne de ironia pois sendo Zé Povinho um analfabeto, os seus desenhos necessitam de escrita, de legendas explicativas”.

    Sobre o facto de ele se chamar Zé Povinho, “diz-nos que ele não chega a ser Povo”. Por outro lado, o uso do diminutivo “não só exprime afeto como também desdém”.

    Já para Jorge Silva, os atuais autores quando reproduzem a personagem “pretendem referenciar Rafael Bordalo e fazem-no mantendo as características do Zé Povinho”. É hoje representado com a mesma cara redonda, barba, chapéu, colete e camisa branca. “Não se atrevem a mudar nada na sua indumentária”, referiu.

    No sábado, 27 de setembro, às18h00, no Café-Concerto, haverá o segundo debate que contará com as presenças de Nuno Saraiva e de Cristina Sampaio, ilustradores e cartoonistas e ainda do académico Paulo Jorge Fernandes.

    A conferência pretende abordar o futuro do humor em Portugal.

  • Oeste conquista 2º Prémio Destinos Turísticos no ART&TUR

    Oeste conquista 2º Prémio Destinos Turísticos no ART&TUR

    A região Oeste voltou a ser distinguida no panorama turístico nacional ao conquistar o 2º Prémio Destinos Turísticos no Festival ART&TUR – Festival Internacional de Cinema de Turismo, com o vídeo Oeste Over View.

    “O reconhecimento reforça a atratividade da região como destino de excelência, valorizando a diversidade do território, a autenticidade das suas gentes e a riqueza natural, cultural e gastronómica que caracterizam o Oeste”, refere a OesteCIM em nota de imprensa.

    Produzido no âmbito da estratégia de promoção turística, o vídeo premiado apresenta uma visão abrangente e inspiradora do território, convidando visitantes a descobrir os seus encantos únicos.

    O ART&TUR é uma das competições internacionais mais prestigiadas na área dos filmes de turismo, reunindo anualmente produções audiovisuais de todo o mundo. “A distinção atribuída ao Oeste reafirma o compromisso da região em promover um turismo sustentável, inovador e de qualidade, capaz de se afirmar tanto a nível nacional como internacional”, conclui aquela entidade.

    Veja o vídeo aqui:

  • Caldense lançou livro sobre as suas viagens pelo mundo

    Caldense lançou livro sobre as suas viagens pelo mundo

    Autora caldense escreveu sobre o que viveu em países como o Irão, a Índia Norte e no Pasquistão

    Joana Agostinho é uma viajante nata. A caldense, de 38 anos, que ensina Português a estrangeiros apresentou no domingo, 14 de setembro, o seu livro “Uma viagem pelo Irão, Índia Norte e Paquistão” no estúdio Juno, no Bairro Azul.

    O espaço esteve a abarrotar de gente, familiares e amigos da autora que assistiram ao lançamento da sua obra de estreia.

    Neste diário de viagem , a caldense conta o que viveu nestes três países e também junta fotografias que a própria tirou ao longo das suas estadias em países que são tão diferentes de Portugal.

    As suas escolhas e o que sentiu ao nas mais diversas situações está então descrito nesta obra. “Fui tratada com muita simpatia pela população do Irão”, contou a viajante e acrescentando que as pessoas mostram quem são e “fazem questão de se distanciar do regime opressivo que as governa”.

    Estão igualmente relatadas as experiências e os sentimentos que viveu na Índia, junto ao rio Ganges, bem como as razões que a levaram a usar hijab no Paquistão. Após uma destas viagens Joana Agostinho faz uma tatuagem. Fá-lo pedindo à sua tatuadora e ilustradora Larissa Amaral para lhe “desenhar na pele” momentos que viveu nessas paragens.

    E por isso convidou-a para ilustrar esta obra, editada pelo Bicho Carpinteiro que é um projeto editorial que também se estreia agora. Joana Agostinho é caldense e, ainda estudante, fez Erasmus na Alemanha. O que é certo é que não parou mais de viajar e agora reúne as experiências vividas e que gosta de contar “com autenticidade”. As viagens descritas foram feitas entre 2023 e 2025 e o seu relato é decorado com mapas, selos, carimbos de passaporte e até notas manuscritas e de dinheiro originários dos países visitados. Esse trabalho de digitalização foi feito por Larissa Amaral que gosta de usar “as fotos que a própria Joana tirou”, disse Larissa Amaral contando que este já é o segundo livro que ilustra. Joana Agostinho prometeu dar continuidade a este projeto. Mas para tal é preciso continuar a viajar!”. disse a autora, muito satisfeita com o lançamento que reuniu tantos familiares e amigos.

  • Artesanato na Praça apostou em artes e nos jogos tradicionais

    Artesanato na Praça apostou em artes e nos jogos tradicionais

    Os jogos tradicionais e as rendas de outras regiões estrearam-se no Artesanato na Praça

    Quem passou no sábado à tarde, 13 de setembro, pela Praça da Fruta, pelo Artesanato na Praça, teve a oportunidade de assistir ou se experimentar o jogo do burro ou do sapo, que são de pontaria. Havia também grandes argolas e andas, destinados a miúdos e a graúdos e que experimentavam jogar com as pelas. Para muitos esta foi a oportunidade de recordar o jogo do pião ou do arco e da gancheta ou então de participar na Corrida dos Sacos.
    Tudo isto porque a Fábrica da Alegria, empresa com sede nas salinas de Rio Maior, foi uma das convidadas desta edição e que teve a oportunidade de dar a conhecer aos visitantes os jogos tradicionais, feitos de forma artesanal.

    Ana Alves, da firma, os jogos tradicionais são algo “que conquista gente de todas as idades”. E é possível constatar os mais velhos mostram perícia e rodar o pião enquanto que os mais novos tentam dar os primeiros passos nos jogos de equilíbrio ou de coordenação. Ao todo participaram no Artesanato na Praça- Mercado com Alma 45 artesãos, duas dezenas de autores que são sócios da associação e 25 convidados que vieram de Norte a Sul do país.

    O evento, promovido pela Associação de Artesãos das Caldas, contou com a presença de rendilheiras de Vila do Conde. Isabel Carneiro dedica-se a esta arte há vários anos. A rendilheira contou que o método de trabalho é muito similar às rendas de Peniche, tendo estas últimas também marcado presença no evento. Tal como em Peniche, em Vila do Conde também há um museu com escola associada que existe desde 1919.

    “É uma arte feminina que passava de geração em geração”, explicou Isabel Carneiro. A rendilheira diz que hoje é possível fazer o mais variado tipo de peças em renda de bilros, enquanto mostrava peças diferentes desde presépios ou até marcadores de livros e também fazemos bijuteria coma renda de bilros. “Tudo o que possa imaginar dá para fazer em bilros!”, garantiu a convidada.

    Por seu lado, Nélia Farto é rendilheira em Peniche e dedica-se a esta arte decorativa desde os 16 anos. “Depois todas deixamos de fazer e acontece muito depois regressamos”, referiu a convidada que considera que é preciso mais divulgação e mais workshops de forma a dar a conhecer a mais gente esta arte de entrelaçar fios. “Podemos realizar o mais variado tipo de peças, usando qualquer tipo de fio”. Nélia Farto deu ainda a conhecer que os trabalhos que trouxeram para a banda do Artesanato na Praça são certificados ou seja cada peça artesanal possui selo de garantia.

    Outra das atrações do evento é a execução da cerâmica ao vivo. É sempre sucesso garantido pois é dada aos visitantes a hipótese de colocar “a mão no barro”. O presidente da associação de Artesãos trouxe as suas rodas de oleiro e deu alguns ensinamentos a quem quis experimentar. O ceramista João Pinto da Costa trouxe peças chacotadas que os visitantes pintaram e que depois podiam levar, após terem sido cozidas e decoradas sob técnicas de Raku.”É a segunda vez que participo neste evento”, contou o ceramista que está de regresso às Caldas, depois de ter vivido alguns anos em Tomar. Pelo tabuleiro da praça foi possível conversar com vários artesãos que trouxeram diferentes tradições e dão âmbito nacional à iniciativa caldense.

    As rendilheiras de Peniche estrearam-se no Artesanato na Praça
  • Festival de Cinema das Caldas em vários locais

    Festival de Cinema das Caldas em vários locais

    Filmes de realizadores lusos e de estudantes vão passar em vários espaços durante o próximo fim de semana

    Nos dias 18, 19 e 20 de setembro vai realizar-se a segunda edição do Caldas Film Fest, inicativa que pretende promover e divulgar a criação cinematográfica portuguesa, dando também visibilidade a novos talentos. O festival vai abranger vários géneros de filmes, incluindo documentários, animações, ficções e filmes experimentais. A iniciativa, organizada pelo CineClube das Caldas pretende também “integrar a comunidade local e seus coletivos culturais nas várias atividades propostas, bem como criar um ambiente abrangente onde o diálogo sobre os filmes possa surgir de forma livre”, explica a nota do evento.

    Esta edição distingue-se da anterior pela abolição da competição entre filmes. Em vez de escolher vencedores, “escolhemos celebrar todos os filmes exibidos”, explica a mesma nota. Pretende-se que o Caldas Film Fest “seja um espaço que valorize o encontro, a conversa e o crescimento coletivo dentro da comunidade do cinema português”. As entradas para as iniciativas são livres.

    Além dos filmes haverá outros momentos como concertos, exposições e também momentos de skate. Hoje, 18 de setembro, na Molda (antiga fábrica Bordalo), será inaugurada a exposição de Artes Plásticas com o Coletivo Recreio. Às 17h00 abre a Feira de Autor e às 18h00 haverá um Jantar na Cantina Estudantil ESAD.CR, onde será servida a maior pizza das Caldas. No anfiteatro do Museu do Hospital, às 20h00, há filmes para ver da categoria Estudantes, seguidos de concertos na Molda. Na sexta-feira, passarão filmes na Lavandaria do Hospital. Já no sábado há Skate and Create na Molda, mais filmes e um jantar coletivo, onde será servida Cachupa e haverá, também, exibição de filmes.

  • “Homenagear a Rainha D. Leonor é dar continuidade ao seu trabalho”

    “Homenagear a Rainha D. Leonor é dar continuidade ao seu trabalho”

    Rainha D. Leonor relembrada em missa, conferência e em ceia quinhentista

    No sábado, 13 de setembro, D. Manuel Clemente recordou a vida e obra da Rainha D. Leonor, no Salão Nobre do Hospital Termal. O convidado foi Cardeal-Patriarca de Lisboa de 2013 a 2023 e é também historiador e académico e teve casa cheia de gente que o quis ouvir, recordando a Rainha. D. Clemente contou que D. Leonor viveu vários acontecimentos dramáticos e ainda assim “nunca se deixou abater”.

    A Rainha nasceu em 1458 e vai sobreviver a momentos dramáticos que lhe deixarão marcas. A Rainha, que nasceu em Beja e que morreu em Lisboa em A vindo a falecer em 1525, foi bisneta dos reis da segunda dinastia e viveu tempos de grandes transformações. O seu marido, D. João II, vai querer colocar a nobreza “em ordem” quando lhe chegam notícias de conspirações contra si. E assim, D. Leonor assiste ao assassinato do seu irmão, o duque de Viseu, pelo seu marido no Paço de Setúbal.

    “Ainda houve uma outra tragédia que a marcou profundamente e que aconteceu pouco tempo depois da fundação do Hospital das Caldas e que é a morte do seu filho único, D. Afonso”, disse o convidado, explicando que será posteriormente o irmão mais novo da Rainha, D. Manuel I, o sexto na sucessão ao trono, que irá suceder ao seu marido, D. João II. “Insisto que esta mulher tinha várias razões para se retirar da vida pública, mas a verdade é que nunca o fez”, disse o cardeal, contando que a Rainha sempre teve uma atitude persistente, algo fundamental para levar adiante a fundação não só do Hospital Termal das Caldas, como à fundação das Misericórdias”, disse D. Manuel Clemente. Este também se deteve na ação do cardeal D. Jorge da Costa, conhecido como cardeal Alpedrinha que obtinha as necessárias licenças para os projetos caritativos da Rainha. “Ele esteve 30 anos em Roma e foi patrocinador dos projetos portugueses”, contou o orador.

    Acrescentou que era ele que conseguia as graças espirituais dadas a todos os que dessem doações ao Hospital das Caldas. “O cardeal conhecia as Misericórdias que existiam em localidades italianas, além de ter influenciado na escola de N. Sra. do Pópulo para nomear a igreja do Hospital caldense”. Para D. Manuel Clemente, a rainha foi uma mulher de ferro a quem também se deve a formalização da vila das Caldas em 1511 e até a criação do primeiro concelho, que era bem pequeno no início”. O irmão da rainha, D. Manuel também quis criar este concelho-tampão às ambições dos monges de Alcobaça que “tinham uma tendência expansionista e queriam descer de Tornada para baixo, quando os limites traçados não lhes permitia. Para D. Clemente estas decisões “têm mão da Rainha”, garantiu o convidado, acrescentando que a ela se deve o facto da Igreja do Pópulo ter o melhor que havia na altura, tendo sido construída por gente que estava a trabalhar no Mosteiro da Batalha. “E tem do melhor que havia no que se refere à arquitetura, à escultura e à pintura”. Foi também fundadora da Misericórdia de Lisboa, fundada em 1498 e antes já dava esmolas para amparo aos presos, para que enterrassem os mortos desamparados, entre ações caridosas. “A melhor forma de a homenagear é dar continuidade ao seu trabalho nos dias de hoje”, rematou.

    A vereadora da Cultura, Conceição Henriques, teceu elogios à ação de Rainha D. Leonor e, no final, distribuiu pelos responsáveis das várias entidades uma medalha, feita por alunos do Agrupamento da D. João II. A medalha que serviu de suporte a um desenho de N. Sra. do Pópulo foi feita com materiais reciclados como cascas de ovo.

    A peça foi entregue aos representantes da autarquia, assembleia municipal, paróquia e Misericórdia.

    A conferência foi antecedida por uma “Missa Vespertina da Exaltação da Santa Cruz” que teve lugar na Igreja de N. Sra. do Pópulo e foi seguida pelo Banquete Quinhentista, organizado pela Raynha das Águas em parceria com a Escola de Hotelaria e Turismo do Oeste.

    A programação dos 500 anos do Legado de D. Leonor contará com mais conferências e até com a edição do Compromisso da Rainha que está a ser preparada pelo Teatro da Rainha.

  • Ópera termina no próximo fim de semana

    Ópera termina no próximo fim de semana

    O passado fim de semana proporcionou duas tardes de ópera no Convento São Miguel das Gaeiras a centenas de espectadores, de várias gerações, muitos deles em estreia neste género artístico, explica nota do festival.

    O programa incluiu a criação contemporânea A Menina, o Caçador e o Lobo, de Vasco Mendonça e a centenária ópera de Ravel, L’enfant et les sortilèges, duas óperas que distam um século, mas que se encontram na mesma mensagem de tolerância e empatia. A mesma nota conta que esteve presente em Óbidos, o compositor Vasco Mendonça que destacou a estreia da nova produção do Lobo como “belíssima”e sublinhou o papel do festival “pela forte aposta na ópera do nosso tempo e no talento nacional”.

    Nos dias 20 e 21 de setembro, pelas 19h00, de novo no no Convento São Miguel das Gaeiras, poderá assistir-se à ópera em um ato de Ermanno Wolf-Ferrari, com libreto de Enrico Golisciani (1909), apresenta-se como uma partitura leve e espirituosa, revelando “O “segredo” da condessa Susanna”. O papel principal será interpretado pela soprano Ana Vieira Leite, acompanhada pelo barítono ucraniano Nazar Mykulyak e pelo ator Gonçalo Ramalho. A encenação é assinada pelo britânico-suíço Max Hoehn, com percurso pelas companhias europeias Glyndebourne, Oper Frankfurt e Opernhaus Zürich.

    A música está a cargo da Orquestra Filarmónica Portuguesa, dirigida por Darrell Ang, maestro prinicipal da Orquestra Sinfónica de Sichuan (China).

  • Jogralesca gravou canções da Rainha

    Jogralesca gravou canções da Rainha

    Grupo local de música antiga gravou, durante três dias, no Museu do Hospital e das Caldas o repertório de canções do tempo da Rainha D. Leonor

    O grupo Jogralesca gravou no Museu do Hospital e das Caldas, o álbum com música do tempo da Rainha D. Leonor.

    As gravações decorreram ao longo de três dias, no início de setembro e, segundo o maestro e coordenado do grupo, Joaquim António Silva, a gravação contou com produção de Duncan Fox e com som de Miguel Constantino.

    A gravação das canções do tempo da Rainha D. Leonor, concerto que o grupo tem levado aos mais diversos locais da cidade e freguesias caldenses contou com o apoio da @gda_fundacaogda.

    Segundo o músico, a Fundação da Gestão dos Direitos dos Artistas dá apoio à gravação. Das 622 candidaturas aprovou-se apoiar 120, entre as quais as deste grupo local que se dedica à música da Idade Média e do Renascimento.

    “Gravámos o repertório que estamos a apresentar nos concertos de celebração dos 500 anos do Legado da Rainha D. Leonor”, contou o responsável acrecentando que têm atuado não só na cidade mas também em várias freguesias caldenses. Aturam, por exemplo, nas igrejas da Serra do Bouro, Nadadouro, Sta. Catarina, A-dos-Francos e Salir de Matos.

    Neste concerto, os Jogralesca retratam o ambiente musical europeu no período da vida de D. Leonor, interpretando peças musicais da segunda metade do século XV e primeiro quartel do século XVI. As canções são interpretadas com instrumentos utilizados na época.

    O grupo integra Ana Clément (voz, flautas de bisel, charamela e percussão), Ana Margarida Silva, (flautas de bisel), João Caldas Lopes (voz, flautas de bisel e charamela), Orlando Trindade (voz, viola de mão e percussão), Joaquim António Silva (alaúde, viola de mão, viola de gamba e charamela). O grupo foi convidado para atuar nas festas da Nazaré na próxima sexta-feira, dia 12 de setembro. “É a segunda vez que atuamos naquelas festividades, atuando nos momentos lúdicos”, contou o maestro. Na Nazaré também se ouvirão as canções do tempo da rainha D. Leonor. O álbum será lançado em novembro, no âmbito das celebrações da Rainha.

  • Ópera em Óbidos  com concerto esgotado no Parque Tecnológico

    Ópera em Óbidos com concerto esgotado no Parque Tecnológico

    O festival de Óbidos iniciou com casa cheia. Seguem-se dois fins de semana deste género musical

    A Gala Bizet foi apresentada a 6 de setembro no Parque Tecnológico de Óbidos. A lotação da plateia esgotou, confirmando por isso o sucesso da abertura do Festival de Ópera de Óbidos, informa nota de imprensa sobre o festival. Na Gala foram apresentadas árias do compositor francês e a Ode Sinfónica Vasco da Gama, a primeira parte de uma ópera que Bizet nunca chegou a concluir.

    Segundo a mesma nota, numa das raras apresentações desta obra, os protagonistas da noite foram a Orquestra de Câmara Portuguesa e o Coro Sinfónico Lisboa Cantat, dirigidos por Pedro Carneiro e os solistas Cláudia Ribas, Beatriz Maia, João Fernandes e Marco Alves dos Santos, que entusiasmaram o público presente que aplaudiu as várias interpretações deste espetáculo.

    Uma experiência para toda a família
    No próximo fim de semana, nos dias 13 e 14 de setembro, o festival convida famílias e público de todas as idades a uma promenade pelo universo da ópera, que terá lugar no Convento de S. Miguel das Gaeiras.

    O programa do segundo momento deste festival inclui duas récitas de curta duração: A Menina, o Caçador e o Lobo, de Vasco Mendonça, e L’enfant et les sortilèges, de Maurice Ravel. Antes da sessão de estreia, haverá uma conversa introdutória e, entre récitas, o público vai ter oportunidade de conhecer os próprios intérpretes.

    Na criação contemporânea, a obra de Vasco Mendonça, A Menina, o Caçador e o Lobo, com libreto de Gonçalo M. Tavares, revisita o conto tradicional a partir da perspetiva do lobo, questionando memórias coletivas e sublinhando valores como civismo e tolerância. A peça será interpretada pela soprano Lara Rainho, pela mezzo-soprano Mariana de Sousa, e pelo contratenor belga Logan Lopez Gonzalez.

    Segundo a nota de imprensa, a L’enfant et les sortilèges, com libreto de Sidonie Colette, é uma obra-prima de Ravel que foi estreada há 100 anos, em Monte-Carlo. Esta mergulha no universo onírico de uma criança confrontada com as consequências das suas ações, num espetáculo de humor, fantasia e forte mensagem humanista.

    O elenco inclui as mezzo-sopranos Ana Ferro, Cláudia Ribas e Inês Constantino, as sopranos Ana Sofia Ventura, Joana Santos e Marina Pacheco, o tenor João Pedro Cabral, o barítono Tiago Amado Gomes e o baixo Rodrigo Calais, acompanhados pela Orquestra de Câmara Portuguesa e pelo Coro Voces Cælestes.

    Destaca-se ainda a conceção e a encenação destas duas óperas, que estão a cargo do encenador brasileiro André Heller-Lopes, figura de renome internacional (Covent Garden, English National Opera, Theatro Municipal do Rio de Janeiro, entre outros).

    A convite da diretora artística Carla Caramujo, a encenação evoca a estética de Almada Negreiros, no ano em que se assinalam 55 anos da morte daquele artista.

    Antes do programa do fim de semana, hoje, quinta-feira, dia 11 de setembro, decorrerá às 18h00, no Museu Abílio de Mattos e Silva, o recital de ópera e canção “Da Distância e do Desejo”, com a soprano Sofia Marafona e o pianista Duarte Pereira Martins. O programa inclui obras de Ginastera, Piazzolla, Menotti e Gershwin, e tem entradas livres.

    Os bilhetes estão à venda em www.blueticket.meo.pt, no Posto de Turismo de Óbidos , na Academia de Música de Alcobaça e locais habituais.

    O Festival de Ópera de Óbidos 2025 é uma iniciativa da ABA – Banda de Alcobaça Associação de Artes, em parceria com a Câmara de Óbidos. Tem apoio da República Portuguesa – Cultura / Direção-Geral das Artes, do BPI/Fundação ‘la Caixa’, do Círculo Richard Wagner Portugal e mecenato da Égide – Associação Portuguesa das Artes.

  • Bolota e a cerâmica local em destaque pela Delta

    Bolota e a cerâmica local em destaque pela Delta

    Ceramista caldense foi a escolhida para campanha de publicidade e que inclui um outdoor da própria na A8

    Isabel Claro, mais conhecida como Bolota, foi convidada para fazer uma campanha publicitária para a marca de café nacional, a Delta. A artista aceitou o convite da produtora The Playground para participar na campanha da @delta_cafes , onde, “através da minha cerâmica, representei a arte e a cultura do nosso Oeste”, contou. Bolota é uma das ceramistas caldenses com a sua carreira consolidada que abriu as portas do seu atelier, a 1 de julho para as filmagens desta campanha onde são valorizadas as pessoas e o seu saber fazer. Foi a própria caldense que sugeriu que a incluíssem a trabalhar na roda de oleiro manual, como símbolo da tradição. E qual não foi o seu espanto quando começou a receber telefonemas, de amigos e conhecidos, pois a campanha publicitária incluiu um outdoor que mostra a ceramista caldense e que foi colocado na A8, próxima da última saída do Bombarral, no sentido Caldas-Lisboa.

    Esta campanha, destinada às redes sociais, já teve uma sessão onde se incluiu uma peixeira do Mercado do Bolhão, um artesão que trabalha em carpintaria e uma skater que treina junto à Casa da Música. Este tipo de campanha publicitária tem tido grande adesão do público e, como tal, a marca decidiu dar a conhecer melhor a região Oeste.

    Além da conhecida ceramista caldense, o filme sobre este território também destaca uma peixeira da Nazaré e um body boarder que foi filmado no Rio Cortiço.

    “Foi muito interessante participar nesta campanha onde tive a oportunidade de dar a conhecer a olaria, que é a minha base de trabalho”, disse a ceramista, cujo filho também já trabalhou para a produtora nacional Playground. Além das filmagens da publicidade, Bolota coordenou workshops em família de elementos que integraram a equipa de filmagens.
    A autora, que tem mais de 35 anos de carreira, mantém a sua produção cerâmica que une a tradição à contemporaneidade.

  • Cerâmica de todo o país presente em Leiria e o Oeste também esteve representado

    Cerâmica de todo o país presente em Leiria e o Oeste também esteve representado

    Cerâmica das várias regiões marcou presença no coração da cidade de Leiria num evento que durou três dias

    A tradição das grandes talhas, da produção do figurado de Barcelos ou dos Bonecos de Estremoz marcaram presença entre os dias 5 a 7 de setembro, no Jardim Luís de Camões, em Leiria.

    Organizada pela Associação O Barro na Mão do Oleiro, da Bajouca, a 8.ª edição da Exposição Nacional de Olaria contou com presença de 32 ceramistas oriundos de 25 localidades e “temos pela primeira vez autores da Madeira e dos Açores”, contou Céu Pedrosa, uma das responsáveis da associação da Bajouca. Neste local há oito olarias, uma delas comunitária e onde já “temos dois oleiros novos que também já cá estão representados”.

    A mostra abriu portas na passada sexta-feira e contou com as presenças do presidente da Câmara Gonçalo Lopes e da vereadora da Cultura Anabela Graça.

    Segundo a autarca, a olaria é um dos recursos que Leiria quer promover pois faz parte do Plano Estratégico Cultural para o concelho.

    A iniciativa que já vai na 8ª edição contou com o apoio da autarquia local e da AptCVC- Associação Portuguesa de Cidades e Vilas de Cerâmica e teve ainda a curadoria do colecionador Alexandre Correia. “Esta é a primeira edição em que a Associação da Bajouca também está na organização”, disse o curador que ainda explicou que esta iniciativa há duas edições que passou a ser bienal. Segundo o responsável este ano “contámos com uma imagem forte da iniciativa, além de se poder contar com um catálogo”.

    A região Oeste esteve bem representada com Jorge Lindinho, Miguel Neto.

    O primeiro participa nesta iniciativa desde o início. “Gosto de cá vir pois é dedicado à cerâmica e é sempre um momento importante de partilha”. Lindinho trouxe os seus peixes, andorinhas, mochos e sapos, sempre muito coloridos. Miguel Neto veio participar pela primeira e começou logo a vender as peças de olaria contemporânea, na durante a inauguração. “É similar à nossa Mestra e também há um bom ambiente”, disse o autor. João Pinto da Costa, também das Caldas, fez uma demonstração de cozedura em forno de papel e demonstração da técnica de raku.

    Liliana Sousa e Stela Ivanova, ceramistas que trabalham em Alcobaça também elogiaram o evento não só pela organização como pelo público “ que é muito interessado”.

    Stela Ivanova é arquiteta e trouxe as suas peças de cerâmica contemporânea, feitas em porcelana.

    Contam alguns do Oeste e também da região da Bajouca, localidade que há possui destaque no panorama nacional da olaria.

    Uma das novidades desta edição foi a presença de ceramistas das ilhas. Miguel Ramos veio do Funchal em 2002 e formou-se em cerâmica em Reguengos de Monsaraz e em 2008 veio para as Caldas para se formar no Cencal, durante dois anos.

    O autor- que se dedica à cerâmica há 23 anos – voltou à madeira em 2014 e faz interessantes bonecas em cerâmica, muito coloridas, inspiradas naquelas que são feitas em maçapão. “O madeirense reconhece e valoriza este trabalho tradicional mas o nosso mercado é o turismo”, referiu o ceramista.

    Por seu lado, Cátia Pires, que estudou Design de Produto – Cerâmica e Vidro na ESAD.CR esteve presente com os seus trabalhos. A autora combina barro com fibras naturais da região do Fundão. A autora que une a tradição com a linguagem de hoje, como está rodeada pelas serras da Estrela e da Gardunha também coloca “neve” em contraste com os tons do barro. A autora foi a responsável pela Casa do Barro e agora foi convidada para a Fab Lab Fundão onde se trabalham várias vertentes do artesanato.

    O evento teve Oficinas de Olaria e animação musical. Abriu também a exposição e foi lançado o livro fotográfico de Nuno André Ferreira sobre “A Arte do Barro Bajouca”.

    Nas Caldas, no passado fim de semana, houve mais uma edição do Bazar à Noite, na Praça, que deu destaque à cerâmica, tendo pois contado com a presença de vários ceramistas.

  • Ópera em Óbidos inicia no Parque Tecnológico

    Ópera em Óbidos inicia no Parque Tecnológico

    Entre os dias 6 e 21 de setembro, a Ópera está de volta a Óbidos, com uma edição que quer celebrar os valores da “tolerância e da irreverência”

    O Festival vai abrir a 6 de setembro, pelas 21h00, com um concerto dedicado a Georges Bizet, no ano em que se assinalam os 150 anos da sua morte. O espetáculo terá lugar na praça do Parque Tecnológico de Óbidos que receberá, pela primeira vez, um evento desta dimensão.

    A Gala Bizet vai homenagear o compositor, Vasco da Gama e Camões, ao incluir a apresentação da Ode Sinfónica Vasco da Gama. Em palco vão estar a Orquestra de Câmara Portuguesa, sob direção do maestro Pedro Carneiro, e o Coro Sinfónico Lisboa Cantat, bem como os solistas Beatriz Maia, João Fernandes, Marco Alves dos Santos e Cláudia Ribas, que darão voz a excertos de Carmen, La Jolie Fille de Perth e Les Pêcheurs de Perles, obras do compositor francês. No segundo fim de semana será interpretados A Menina, o Caçador e o Lobo, de Vasco Mendonça, e L’enfant et les sortilèges, de Maurice Ravel. No fim de semana de encerramento apresenta-se Il segreto di Susanna, de Wolf-Ferrari e o bailado El Amor Brujo, de Manuel de Falla, no centenário da sua estreia. Decorrerá ainda o recital de ópera e canção “Da Distância e do Desejo”, que espelha o compromisso do festival em dar palco a talentos emergentes da cena lírica. Em contexto escolar será apresentada a ópera contemporânea Café Europa “Between Memories”, de Christoph Renhart e libreto de Miguel Honrado. Integrada no projeto europeu Sounds of Change, a obra aborda o tema dos refugiados.A ópera é uma iniciativa da Banda de Alcobaça com a Câmara de Óbidos. Bilhetes à venda nos locais habituais.

  • Ceramistas locais em evento em Leiria

    Ceramistas locais em evento em Leiria

    A olaria vai estar em destaque este fim de semana em Leiria e há autores das Caldas que vão marcar presença

    Jorge Lindinho, Miguel Neto, Liliana Sousa e Stela Ivanova, ceramistas das Caldas e de Alcobaça vão participar na 8.ª edição da Exposição Nacional de Olaria que se realiza entre os dias 5 e 7 de setembro, no Jardim Luís de Camões, em Leiria.

    A edição deste ano contará com 32 ceramistas de 25 localidades e terá como tema “A cerâmica nacional vem a Leiria”.

    A iniciativa, que possui curadoria do colecionador Alexandre Correia, contará com a participação especial de artistas de renome nacional, oriundos de várias regiões do país.

    Contam alguns do Oeste e também da região da Bajouca, localidade que há possui destaque no panorama nacional da olaria. Uma das novidades desta edição e que vai contar com ceramistas das ilhas.

    A Exposição Nacional de Olaria é organizada pela Associação O Barro na Mão do Oleiro, que é da Bajouca, conta com o apoio do Município de Leiria e da AptCVC- Associação Portuguesa de Cidades e Vilas de Cerâmica. O evento abre na sexta-feira, às 18h00 altura em que decorrerá a apresentação do projeto da Olaria da Bajouca, enquanto integrante do projeto É de Leiria! Às 21h00, há concertos com as concertinas da SAMB.

    Haverá também Oficinas de Olaria para pequenos e graúdos. Na tarde sábado às 15h00 atuam os Pauliteiros de Miranda e será inaugurada a exposição e lançado o livro fotográfico de Nuno André Ferreira sobre “A Arte do Barro Bajouca”. Segue-se uma demonstração de cozedura em forno de papel, no sábado, pelas 19h00 com o ceramista João Pinto da Costa que está também ligado às Caldas.Pelas 21h00 actuará a Orquestra de Santo Aleixo.

    No domingo, às 15h30, vai cantar o grupo de Cante Alentejano “Os da Boina” que são de Estremoz. Às 17h00 está prevista a atuação do Trio Marabilha de Leiria e que usa peças de cerâmica como instrumentos musicais. As entradas para este evento – que vai contar com várias atividades de animação – são livres.

  • A tecedeira que quer “iluminar a alma” esteve na Foz do Arelho

    A tecedeira que quer “iluminar a alma” esteve na Foz do Arelho

    Rita Martins Pereira fez uma residência artística na Casa-Museu Jaime Umbelino, onde dinamizou workshops de tecelagem. Pretende regressar

    Rita Martins Pereira, designer têxtil e tecedeira de 48 anos, esteve na Casa-Museu Jaime Umbelino, na Foz do Arelho, a fazer uma residência artística, durante o verão, até 29 de agosto. Esteve a dar workshops e aulas individuais à comunidade e fomos encontrá-la no seu atelier neste verão, enquanto tecia para uma nova coleção de sapatilhas.

    Natural de Lisboa, tem dado a volta ao mundo, seja para aprender técnicas ancestrais de tecelagem na Grécia, seja para investigar as suas origens, em Goa, ou mesmo para fotografar o seu continente de eleição: África.

    Formada em Design de Moda no IADE (Instituto de Arte e Design), seguiu para Londres, para ganhar conhecimentos na área da produção de moda. Quando regressou a Portugal, trabalhou na revista Máxima, mas não se ficou por aqui. Foi para Barcelona estudar direção de atividades de tempos livres, começando depois a desenvolver atividades “com todo o tipo de pessoas”, desde crianças a jovens e idosos, conta.

    Em 2015 retomou a tecelagem, que ficara esquecida desde os tempos de estudante na Escola António Arroio, em Lisboa, onde aprendeu a técnica. Foi assim que deu início ao seu projeto, Crosslights, que produz os mais variados tipos de peças de forma artesanal e numa lógica de sustentabilidade. O nome do projeto tem muito a ver com as paixões de Rita e que marcam as suas peças: a multiplicidade de cores com as mais variadas combinações.

    “A minha intenção com esta marca é que as pessoas vistam a peça e a sintam como um abraço, uma proteção, que se olhem no espelho e que as cores iluminem a alma”, explica.

    “Fazendo uma pesquisa no Google, descobri que 2015 era o ano da luz. Por isso, fez-me todo o sentido o nome de Luzes Cruzadas”, Crosslights, em inglês, para a marca se globalizar.

    As suas peças vão beber à arte popular e inspiram-se em padrões de azulejos ou nas paredes das casas de pescadores. Outro aspeto singular é que Rita só produz peças únicas.

    “Não há desperdício. Tudo é pensado de uma forma que seja sustentável e ecológica. Só é produzido o que é encomendado”, afirma a designer, declarando-se adepta do slow living e da slow fashion.

    “São produtos de luxo pelas horas de trabalho que envolvem e pelos materiais utilizados”, explica, razão pela qual “não são propriamente acessíveis a toda a gente. Mas são peças que são para toda a vida”, e que comportam um “valor emocional”, salienta.

    “A pessoa conhece quem é que produziu e sabe que mais ninguém vai ter aquela peça. Portanto, acabam por ser muito exclusivas”, continua.

    Rita produz écharpes, mantas, casacos, coletes, tapetes para decoração de paredes, forros para móveis e sofás e, este ano, lançou-se nas sapatilhas. Faz o tecido, mesmo à medida, e envia-o para a Just Burel que, por sua vez, trata do resto. As sapatilhas vão ter um custo de 180 euros e a produção começa em setembro. “O objetivo é que todos os anos haja essa coleção-cápsula”, continua.

    Os fios usados para as sapatilhas e para os forros são comprados numa fábrica na Covilhã que os produz através da reciclagem de roupa, que não volta a ser tingida. “É um fio muito resistente, adequado exatamente para as sapatilhas e não tanto para o corpo, porque é mais áspero”, elucida.

    Já nas peças para vestir, usa fios italianos, nomeadamente Baby Alpaca e lã biológica, proveniente de ovelhas que “pastam em campos”. A tintura é hipoalergénica e os fios, além de não terem químicos, levam um tratamento anti-traça, com as peças a serem certificadas pelas entidades competentes e recomendadas pelo guia internacional de artesãos Homo Faber, do qual Rita faz parte. “São peças que não se podem pôr na máquina, porque encolhem. Têm de ser lavadas à mão”, alerta.

    Neste momento, a designer está dedicada à sua marca, complementando esse trabalho com workshops de tecelagem criativa e aulas individuais de tecelagem. Nos workshops, as pessoas são convidadas a fazer uma peça no tear, seja uma decoração de parede ou uma base para copos. “A ideia é viver o momento, abstrair-se de tudo, brincar com as cores e texturas”, diz, salientando o lado “terapêutico” de “uma atividade que trabalha com as mãos”.

    E os workshops são para todos, homens incluídos. “Na última atividade participaram mães e filhos, rapazes e raparigas. Portanto, [a tecelagem] não é uma atividade feminina. Aliás, em muitos países é feita pelos homens, com muita concentração e dedicação”, nota. Os fios para esta atividade são “de luxo”, italianos, já utilizados em marcas como a Gucci, mas que “iriam para o lixo”.

    Rita fez uma viagem à Grécia financiada pela Comunidade Europeia, para aprender as técnicas ancestrais da tecelagem bizantina. A escola ficava numa aldeia na montanha e a professora era uma sénior muito experiente. Fez também um intercâmbio com um tecelão escocês, o que permitiu a cada um passar duas semanas a conhecer a cultura têxtil do país do outro.

    A designer está atenta às open call da União Europeia, subscrevendo a newsletter da Europa Criativa. Dada a sua experiência nestas candidaturas, faz mentoria para ajudar pequenos negócios a recorrerem a esta ajuda.

    Rita pretende voltar à Casa-Museu Jaime Umbelino para o ano.

    A designer têxtil tem uma nova parceria com a Just Burel, para produzir sapatilhas cujo tecido ela fabrica, nos seus teares artesanais
  • Termas locais fecharam ciclo de exposições

    Termas locais fecharam ciclo de exposições

    Obras de Jorge Mangorrinha sobre as termas caldenses encerrou ciclo de mostras de verão na Bohio Creative

    Abriu ao público a 29 e esteve patente até 31 de agosto, na Galeria Bohio Creative, a mostra “Ensaio nas Termas” de Jorge Mangorrinha. O caldense teve como ponto de partida o quadro “100/Sem Aquistas” ao qual juntou novas criações e outras preexistentes. A temática fixou-se na ambiência termal e no enquadramento urbano, tendo o autor recorrido à pintura, ao desenho e à fotografia. As pinturas “são peças experiências e nenhuma delas é definitiva, porque são um conjunto de ensaios para propostas futuras sobre a mesma imagem pictórica”, esclareceu o autor.

    A mostra – que encerrou o ciclo de verão da galeria-incluiu fotografias da envolvente exterior do Hospital Termal e pinturas de cravos, criados à mesa do café de uma cidade com termas, “para a qual se deseja um futuro mais criativo e duradouro”, acrescentou o arquiteto. No último quadro da mostra apresentou apenas um ponto no centro da tela, “que é simultaneamente um ponto final e um ponto inicial, desejavelmente final de um ciclo e início de um novo futuro”. Segundo Franchesca Melendez, a responsável pela galeria, a exposição “inspira-se nas termas da sua cidade natal, um lugar onde a história, a cura e a conexão humana se cruzam”. Os “estudos” que inclui “capturam momentos fugazes — retratos de banhistas esboçados na sua essência e telas que evocam a atmosfera das águas termais”. A mostra “é uma meditação sobre memória, ambiente e transformação — um convite para permanecer, refletir e imaginar o que brota da água, do tempo e da arte”, rematou.

  • Concertos levaram mais de 20 mil espetadores  à Frutos

    Concertos levaram mais de 20 mil espetadores à Frutos

    Do rock ao fado, passando pelo reggae e a filarmonia, houve música para todos os gostos nesta edição da Frutos. Richie Campbell foi quem mais espetadores levou ao palco montado no Parque D. Carlos I

    Fátima Ferreira
    Mariana Gomes

    Foi ao som do fado e da voz poderosa de Sara Correia que terminou a edição da Frutos 2025, no noite de domingo. A cantora “de Chelas” atuou pela primeira vez nas Caldas da Rainha e, até adaptou uma das suas músicas – Lisboa e o Tejo, à cidade.

    Em palco, em conjunto com a sua banda – Diogo Clemente na viola, Ângelo Freire na guitarra portuguesa, Frederico Gato no baixo e Joel Silva na bateria – Sara Correia cantou fado, mas não só. Lembrou Zeca Afonso, com a Balada de Outono, cantou António Variações, Quero é viver e Que O Amor Te Salve Nesta Noite Escura, composto por Pedro Abrunhosa e que tem por temática e esperança e a resiliência dos ucranianos face à guerra.

    Sara Correia, que terminou o espetáculo a homenagear Amália, com Estranha Forma de Vida, voltaria ao palco, por insistência do público, para interpretar Só à noitinha e encerrar com Chelas, o tema mais conhecido do novo álbum Liberdade.

    Dois dias antes, o concerto de Richie Campbell, foi um dos pontos altos da Feira dos Frutos 2025, enchendo por completo o recinto do Parque D. Carlos I. Desde cedo, o público mostrou entusiasmo, com muitos jovens e famílias a marcarem presença para assistir ao espetáculo do artista que tem marcado a música urbana portuguesa.

    Ao longo da atuação, Richie Campbell revisitou alguns dos maiores sucessos da sua carreira, num alinhamento que fez o público cantar em uníssono. Canções que misturam reggae, dancehall e influências da soul encheram o recinto de energia, criando uma atmosfera vibrante e festiva que se prolongou noite dentro.

    Entre músicas, num dos momentos mais marcantes da noite, o artista dirigiu-se diretamente ao público, agradecendo não apenas a presença, mas também o facto de, graças ao apoio dos fãs e à compra dos bilhetes, pode continuar a fazer aquilo que mais gosta: subir ao palco e partilhar música. O gesto foi recebido com aplausos e gritos de entusiasmo.

    Também David Fonseca voltou às Caldas para um concerto, tal como João Pedro Pais, que recordou em palco, a sua presença na cidade em 2019, e destacou o local deste espetáculo. “É brutal, magnífico”, disse o cantor e, aludindo às árvores em redor, lembrou o trabalho dos bombeiros portugueses no combate aos incêndios.

    Numa “viagem” pelos êxitos da sua carreira, João Pedro Pais interpretou temas como A Palma e a Mão, Não há, Um volto já, Da Próxima Vez, Nada de Nada, ou um Resto de Tudo. Num concerto muito partilhado com o público, João Pedro Pais contou que nessa tarde visitou Óbidos e que, ao entrar na Porta da Vila, ficou encantado com alguém que cantava “muito bem” Caruso, de Lucio Dalla, e felicitou-o, dizendo que também era cantor. “Pode ser que um dia cantemos juntos”, respondeu o tenor, que João Pedro Pais convidou para participar no espetáculo nas Caldas e recebeu uma resposta afirmativa. Em palco, o cantor, natural de Porto de Mós e descendente de uma família ligada à cerâmica, que aos 50 anos decidiu mudar radicalmente de vida e dedicar-se a esta arte, voltou a interpretar o êxito italiano acompanhado à guitarra por João Pedro Pais.

    A abrir esta edição esteve o grande espetáculo da Sociedade Filarmónica Catarinense, com as participações de Vanessa Dias, David Antunes, Carolina Ligeiro e Emanuel Moura.
    O evento assume-se como inclusivo e este ano voltou a contar com uma empresa especializada em Língua Gestual Portuguesa, que fez a tradução dos concertos para a língua gestual.

  • Bazar à Noite de novo na Praça da Fruta e dedicado à cerâmica

    Bazar à Noite de novo na Praça da Fruta e dedicado à cerâmica

    No próximo sábado, dia 6 de setembro, vai realizar-se mais uma edição do mercado criativo, Bazar à Noite na Praça da Fruta.

    Esta edição irá dar algum destaque à área da cerâmica. No entanto, pelo tabuleiro da Praça, em pleno no coração da cidade, vão estar bancas de trabalhos de autor das área da moda, do design, da ilustração, da edição independente, dos produtos biológicos, das artes plásticas, do design textil, da música, das artes performativas e também da gastronomia.

    O Bazar à Noite – que é organizado pelos Silos Contentor Criativo e que contou com trabalho gráfico de Mantraste – vai decorrer entre as 17h00 e as 23h00.

  • Fotógrafo João Carlos distinguido no estrangeiro

    Fotógrafo João Carlos distinguido no estrangeiro

    Fotografias do autor foram premiadas em Pelt e em Macau

    Até ao dia 28 de setembro, cidade belga de Pelt está transformada numa galeria a céu aberto, pois recebe o “Lens op de Mens”, o maior festival de fotografia ao ar livre da Bélgica. A edição deste ano, a quinta desde seu lançamento em 2017, foca o tema da vulnerabilidade que é algo que João Carlos trabalha nas suas fotografias.

    O fotógrafo profissional caldense enviou para este festival a sua série “Estágios da Depressão” – que aliás expôs nas Caldas, no passado mês de outubro – e esta obteve o Prémio de Ouro.

    Segundo o autor, que é modelo das imagens, da Depressão — “um conjunto de obras que exigiu anos de trabalho emocional, reflexão e honestidade”.
    Para o fotógrafo ver este seu trabalho reconhecido num palco internacional, entre artistas e contadores de histórias incríveis, “foi gratificante e energizante”.

    Mais do que um prémio, João Carlos salientou as pessoas que teve oportunidade de conhecer na Bélgica. “Deixei Pelt com novas amizades, a lembrança que nos movemos, conectamos e comunicamos por meio de imagens”, rematou.

    Distinção em Macau
    A fotografia “Madonna da Sabedoria” deste autor foi galardoada com o 3.º Prémio na exposição internacional “Somos – Imagens da Lusofonia: O Humano e o Divino”, com curadoria de Francisco Ricarte.

    Foi com uma imagem que reinterpreta a Madona com o Menino c que João Carlos obteve mais esta distinção. “Esta é a minha homenagem contemporânea a esse legado”, disse o fotógrafo que deixou ainda um sentido agradecimento à modelo, Kelly Santos e ao seu bebé, pois ambos deram “graça, presença e vida a esta visão”. A mostra que decorreu no Parisiense em Macau foi organizada pela ACLP – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa. Uma das suas últimas campanhas sociais em que o fotógrafo participou foi a “Sonhos a Metro” que dá destaque aos utentes da Cerci de Braga, entidade que pretende construir novas instalações. João Carlos fotografou quem integra esta estrutura, chamando a atenção para a inclusão.

  • Ceramistas caldenses em intercâmbio em Deruta

    Ceramistas caldenses em intercâmbio em Deruta

    Duas ceramistas que vivem e trabalham nas Caldas estão em Itália

    Primeiro o jovem Francesco Branda, de 21 anos, veio de Itália para as Caldas no âmbito do protocolo feito entre as cidades das Caldas da Rainha e de Deruta. Agora viajaram para aquele centro cerâmico italiano duas ceramistas que vivem e trabalham nas Caldas, Mariana Sampaio e Cíntia Martins. Ambas levarão técnicas tradicionais portuguesas e também aprenderão técnicas de autores daquele centro cerâmico europeu.

    Segundo a vereadora da Cultura, Conceição Henriques, a geminação está a decorrer “de forma notável”. A equipa de Deruta “é muito trabalhadora e ganhou carinho pelas Caldas e nós também temos feito de tudo para que esta geminação seja na verdade a junção dos dois territórios com atividades resultantes de um programa anual intenso e de trabalho sistemático”.

    Representantes italianos estiveram na Mestra, a mostra de cerâmica que decorreu no Parque e os seus autores participaram na exposição de azulejos sobre a Rainha D. Leonor.

    Para novembro terá lugar o primeiro programa de intercâmbio com o tema a cerâmica e a mulheres.

    Será um projeto de fôlego, financiado pela UE, que envolverá 80 ceramistas – mulheres e homens – que vão ter a oportunidade de visitar e de partilhar conhecimentos nos dois centros de cerâmica europeus.

    “É mais uma iniciativa para o reforço da cerâmica na cidade”, disse a autarca, acrescentando ainda que este executivo apostou forte na cooperação nacional e internacional. Conceição Henriques sublinhou as ligações entre as Caldas e Barcelos, as Caldas e a Covilhã que também são cidades criativas.

    A dimensão internacional com Deruta é só o início pois “estamos a contactar outras cidades cerâmicas para que no futuro seja possível constituir uma rede para trabalhar connosco, sempre que possível dentro do âmbito das cidades criativas. “As duas dimensões, das cidades criativas e da associação de cerâmica reforça o nosso trabalho na Cultura na área das Artes aqui na cidade”, acrescentou. O intercâmbio com Deruta implicará visitas aos territórios e a concretização de exposições com as obras dos ceramistas participantes. Uma das mostras está prevista que possa inaugurar em Itália a 25 de novembro, feriado em Deruta. A mostra que incluirá peças de ceramistas portuguesas e italianas, virá posteriormente às Caldas. Está igualmente prevista a vinda às Caldas de um grupo de estudantes italianos do Liceu Artístico através do programa Erasmus. A cidade de Deruta, antes da grande crise de 2008, possuía 400 ceramistas enquanto que hoje possui cerca de uma centena no ativo.

  • Anne Luisenbach apresentou “Being”  na Galeria Bohio Creative

    Anne Luisenbach apresentou “Being” na Galeria Bohio Creative

    Artista alemã apaixonou-se pelo Oeste e veio viver para as Caldas. Expõe, vende no Bazar e tem o atelier de trabalho nos Silos

    Anne Luisenbach é da Alemanha e desde 2018 que é uma viajante pelo mundo. Apaixonou-se por terras oestinas e assim que lhe foi possível veio viver para o concelho das Caldas, mais especificamente para a Foz do Arelho.

    À Gazeta das Caldas a autora explicou um pouco sobre as obras de “Being”, a mostra individual que teve lugar na Galeria Bohio Criative, na Praça da Fruta, entre os dias 22 e 24 de agosto.

    Anne Luisenbach é uma artista autodidata. Estudou e trabalhou nas áreas de Media e Publicações mas desenha e pinta desde muito nova. Explicou também que o seu trabalho artístico lhe permite um diálogo entre o mundo interior e o mundo que a rodeia.

    Nas suas pinturas, a artista usa acrílicos, óleos e outros meios e é com eles que aborda as temáticas da vulnerabilidade, do conflito e da conexão através de figuras e personagens. Também aborda encontros, sonhos e relacionamentos entre as pessoas”, disse Anne Luisenbach a quem interessa abordar não só a vulnerabilidade, a identidade e os estados frágeis do ser humano.

    A autora fez uma nova série de desenhos e pinturas em papel craft e conta que lhe interessa explorar a mistura dos materiais e a experimentação de várias técnicas.

    Anne Luisenbach veio sozinha para Portugal pois está focada no seu trabalho artístico.

    Estou a dar o meu melhor e a viver apenas da minha arte”, contou a artista que já participou em duas edições do Bazar à Noite onde vendeu os seus trabalhos, de menores dimensões.

    A exposição “Being” esteve presente todo o fim de semana e foi a oportunidade de conhecer os trabalhos de grandes dimensões que foram intercalados com alguns, mais pequenos .

    A autora – que tem atelier de trabalho nos Silos – foi uma das artistas que integrou a coletiva de pintura e cerâmica “Arte em Nós” que decorreu no início deste ano no Espaço Leonel Miranda, no Bairro da Ponte. A próxima mostra, “Ensaio das Termas” de Jorge Mangorrinha fechará o ciclo de Verão da Bohio Creative e abre a 29 de agosto, às 18h00.

  • Artistas caldenses fizeram parte do Fazunchar em Figueiró

    Artistas caldenses fizeram parte do Fazunchar em Figueiró

    A atriz e encenadora Inês Fouto apresentou projeto no Fazunchar e convidou mais autores Apresentaram projeto de teatro itinerante e comunitário

    ”Figueiró em Cena” designou o percurso de teatro itinerante que teve lugar a 23 de agosto em Figueiró dos Vinhos, inserido na programação do Festival Fazunchar. Trata-se de um evento de arte e comunidade, que já vai na 7ª edição e que decorreu de 16 a 24 de agosto e que inclui arte urbana, esculturas, música, teatro, workshops e um mercado de autor.

    A convite do artista Ricardo Romero, curador do evento, Inês Fouto resolveu criar este percurso onde o teatro e a música se reuniram para dar vida a vários quadros onde há fortes referência ao pintor caldense José Malhoa (1855-1933) que viveu durante vários anos em Figueiró dos Vinhos. A sua casa, denominada “Casulo” é hoje uma casa-museu. O artista naturalista caldense apaixonou-se pelo local repleto de paisagens e gentes para retratar.

    A atriz convidou ainda o caldense e músico Quitó para participar neste “Figueiró em Cena” . Tocou gaita de foles e guitarra. Com Inês Fouto fechou o percurso itinerante interpretando o “Fado Malhoa” na varanda do Casulo. Participou também Ana Paula Proença, docente de Teatro no IPL – e que foi a cicerone do percurso teatral. Teve o papel de conduzir o público pelos vários locais que integraram o percurso.

    “Convidámos a comunidade de Figueiró a participar connosco nesta iniciativa”, disse a atriz à Gazeta das Caldas. E para tal a atriz coordenou uma oficina de teatro – que decorreu nos dias 20, 21 e 22 de agosto – e que depois possibilitou aos participantes poder fazer parte do percurso de “Figueiró em Cena”. Perto de uma dezena de pessoas quis fazer parte desta iniciativa e o mais interessante é que “contámos com avós, mães, tias e filhos com quem partilhámos histórias e memórias que acabaram por fazer parte do espetáculo. “Foi uma partilha muito rica com estórias ligadas àquela comunidade e território”, disse a atriz, acrescentando que foi após a morte da sua mulher, que o pintor resolveu ficar a viver em Figueiró. Foi lá que pintou “O Remédio” até numa procura de “cura para a perda da sua mulher” e foi naquela localidade que o artista pintou muito e conseguiu encontrar força e ânimo para a sua vida. Na pintura há uma mulher que conhecia os segredos das plantas e que levava os medicamentos a quem morava mais longe da vila. “Tivemos oportunidade de partilhar saberes sobre cura e plantas com alguém que ali vive. É este tipo de relação que nos interessa integrar na própria dramaturgia da peça”, disse a autora.

    “Figueiró em Cena” teve cinco momentos chave, alguns acompanhados por música e por dança. Um deles integrou uma homenagem às lavadeiras. Houve um momento ligado a Camões e isto porque há esculturas e estudos sobre Inês de Castro que originaram também obras de arte pública recentes e que podem ser apreciadas pelas ruas de Figueiró. Este percurso encenado foi único e criado de propósito para o Fazunchar. Inês Fouto já tinha feito anteriormente os Altergos de Bordallo e dado vida a vários quadros do Museu José Malhoa com o teatro. A encenadora, também docente na ETEO, gostava de poder trabalhar teatro e espaço público da cidade das Caldas.

    Um dos momentos de arte dramática do “Figueiró em Cena”
  • Quinze autores fotografaram as Caldas

    Quinze autores fotografaram as Caldas

    Quinze fotógrafos vieram captar momentos na cidade termal e arredores. As melhores imagens estão patentes no Posto de Turismo

    Além dos habituais Pavilhões do Parque, das praias do concelho e das pessoas que povoam as suas ruas, há agora novos locais relacionados com as Caldas que estão a ganhar fama. São, por exemplo, a R. da Liberdade, carinhosamente apelidada de rua dos chapéus ou as ruas embelezadas com andorinhas que por cá “habitam” desde o início da Primavera.

    Estes sítios integram agora a exposição “Olhar as Caldas”, que abriu na Galeria do Espaço Turis a 23 de agosto. Composta por fotografias de 15 autores, a mostra acolhe imagens de vários locais da cidade termal e dos seus arredores.

    Com a curadoria de João Carlos, a exposição foi organizada por Joana Charais que é a responsável pelo projeto “Rua das Ideias”.

    A iniciativa – que já existe há três anos – reúne 150 pessoas, de todo o país, interessadas em conhecer melhor localidades, e também para as fotografar.

    Há visitas em que os participantes são livres ou até já há alguns percursos que são feitos com um tema em específico.

    No caso das Caldas “procurámos conhecer o máximo de lugares da região”, disse a autora, mostrando imagens da Barragem de Alvorninha, do moinho de madeira das Boisias, familiares dos autores e até crianças que pertencem a um dos ranchos folclóricos da zona. Presente estão imagens relacionadas com as termas, com a Praça da Fruta, da Foz do Arelho e da Lagoa.“

    “Sempre que posso venho fotografar para a região”, disse João Carlos, que também está a participar com uma imagem que captou na Lagoa. Quem a observa pode pensar que foi captada noutros países e noutros mares e afinal “é mesmo na Foz do Arelho”, referiu o fotógrafo profissional que sempre que pode traz campanhas internacionais para serem feitas na sua terra natal.

    A iniciativa contou com o apoio do caldense João Dias, que foi essencial para sugerir os roteiros para captar as diferentes fotografias.

    “O projeto onde participaram 15 autores teve ao todo três visitas a esta região”, disse a organizadora, que viveu durante vários anos com a família na Rabaceira (freguesia dos Vidais) antes de se ter mudado para Lisboa.

    As imagens tanto foram obtidas com câmaras como com telemóveis.

    Já para o fotógrafo João Carlos, que teve a curadoria da mostra, é interessante analisar que agora há novos pontos a fotografar e que não dispensa a Rua dos Chapéus e que se situa entre a Praça da Fruta e do Parque e também já surgem as andorinhas presentes que surgem em imagens ao vivo ou em sombra, captadas pelos autores no chão das ruas.

    Fotografia com solidariedade
    A vereadora da Cultura, Conceição Henriques deixou notas de boas-vindas aos autores que integram o “Olhar as Caldas” e ainda sublinhou a importância de terem tido o cuidado de ter dado um caráter solidário à exposição, contribuindo para a Associação Olha-te.
    Já para o presidente da Câmara, Vítor Marques, “é bom ter pessoas que queiram partilhar os seus olhares sobre o nosso território”. O autarca sublinhou o facto de haver na mostra “momentos especiais” em vários locais caldenses.

    Vítor Marques considera ainda que através destas imagens “é possível recordar lugares que há muito que já moram nas nossas memórias e este é o momento de voltar a falar neles”.
    Deixou ainda a mensagem de que, apesar de atualmente “sermos bombardeados com informação”, é preciso também “estar de mente aberta e ir conhecer as atividades culturais que temos”. Vítor Marques deu um exemplo concreto, destacando a exposição que celebra os 150 anos de Zé Povinho e que está patente no CCC.

    “Olhar as Caldas” vai estar patente até 26 de setembro e no dia da abertura esteve presente na galeria uma mostra de produtos da Associação Olha-te. A responsável, Célia Antunes, durante a inauguração, deu a conhecer o trabalho desta associação que apoia doentes oncológicos e suas famílias. Cinco por cento das vendas das fotografias da Rua das Ideias reverte para esta associação. A Rua das Ideias, projeto que está a celebrar três anos, já realizou passeios fotográficos em Aveiro, Porto, Lisboa, Setúbal e agora também já guarda várias imagens das Caldas.

  • Aljubarrota inspirou artista a criar pintura de grande escala

    Aljubarrota inspirou artista a criar pintura de grande escala

    Obra patente no Armazém das Artes homenageia várias figuras da História de Portugal

    “Batalha Real” é como se intitula a pintura a óleo de António Cassiano Santos, sobre a Batalha de Aljubarrota e que está patente no Armazém das Artes, em Alcobaça e que celebra os 640 anos da Batalha de Aljubarrota com uma visão contemporânea e até algo provocadora.

    A grande obra – que tem dois metros de altura e três de largura- impacta o visitante e mostra um conjunto de figuras históricas, que viveram em várias épocas e que estão representados neste grande trabalho.

    A obra foi inaugurada a 15 de agosto e, segundo o autor, segue preceitos e regras da pintura renascentistas que “obrigam” o visitante a prestar atenção ao centro do quadro. No entanto também usou também técnicas de pintura usadas nos anos 50, que aprendeu nos EUA.

    “Usei a batalha de Aljubarrota como base para conversar temas, tanto medievais com atuais, como o papel das mulheres na guerra”, disse o artista que neste trabalho juntou à padeira de Aljubarrota outras figuras como Viriato, São Jorge, o Mestre de Avis, Martim Moniz, Nuno Álvares Pereira num sem fim de personagens, cheias de elementos simbólicos e de armas de outras eras. Há, por exemplo, uma mulher-soldado que luta com uma besta, arma usada para a caça. “Havia vários cercos, os homens morriam e quem aguentava até ao fim eram de facto as mulheres”, disse António Cassiano Santos. Uma das figuras centrais da obra é a padeira de Aljubarrota que como diz a lenda teria seis dedos nas mãos. Identifica-se bem pois tem tatuagens referentes a pão.

    O autor gostaria que este fosse o primeiro de uma série e não lhe faltam ideias para continuar a dedicar-se a momentos chave da história de Portugal.

    O artista formou-se nas Belas Artes de Lisboa e da sua formação fazem parte cursos profissionais de pintura que obteve em Nova Iorque e também na Dinamarca. A obra está cheia de importantes símbolos, desde espadas usadas na época dos Descobrimentos.

    “Batalha Real” poderá ser vista em Alcobaça, até março de 2026.

  • Caldense estreia-se na escrita com um thriller

    Caldense estreia-se na escrita com um thriller

    Caldense Paulo Pinheiro tem carreira no desporto no estrangeiro e estreou-se no mundo dos livros

    Paulo Pinheiro trabalha para a Federação de Badminton do Luxemburgo. Está a treinar dois clubes, a trabalhar com as camadas jovens das seleções nacionais até aos Sub17 e também é treinador assistente na seleção nacional.

    O percurso como treinador internacional iniciou-se há nove anos e dele faz parte as Ilhas Faroé e Guernsey, território britânico situado no Canal da Mancha. Paulo Pinheiro está também ligado ao parabadminton.

    Filho de caldenses, Paulo Pinheiro, de 47 anos, nasceu nos EUA mas foi nas Caldas que passou a sua infância e juventude. E há um outro lado deste treinador: a escrita. Paulo Pinheiro foi inclusivamente o vencedor do Prémio Literário Luiz Teixeira, lançado em 2003 com a obra “Incapaz”. Depois dessa distinção, , ou seja, há mais de 20 anos Paulo Pinheiro escreveu “Sunset”, obra que esteve na gaveta até agora. “Dei a conhecer o livro à minha mulher, Vanessa, que me incentivou a editar”, disse o autor, acrescentando que a história foi atualizada para os dias de hoje e editada pela Cordel d’Prata.

    “Sunset” conta a história de um investigador que vem de um trabalho e, ao parar numa bomba de gasolina num deserto, “o empregado parece reconhecê-lo e recusa-se a vender-lhe combustível”, desvendou o autor, acrescentando que o funcionário disse ao investigador que fosse falar com alguém, encarregue da cidade de “Sunset”, situada no tal deserto. Nessa estranha localidade, o detetive é o único cliente do motel onde estranha, por exemplo, existir uma mesa farta. Sem querer desvendar muito sobre este seu thriller, o autor desvendou apenas que, quando o detetive tentou falar novamente com o gasolineiro, “este tinha sido assassinado”.

    Paulo Pinheiro, que concorda que a sua escrita tem um lado cinematográfico, gostaria de apresentar este seu livro nas Caldas, mas só será possível nas próximas férias da família. Autor, mulher e filha de cinco anos só regressarão no próximo ano.

    O autor caldense que tem em Ken Follett, Paul Auster, Saramago e Eça de Queirós alguns dos seus escritores favoritos, diz que a escrita é por agora um passatempo, no entanto, já tem mais dois livros acabados e mais dois começados. “Um deles dá continuidade a Sunset”, disse o caldense que tem um trabalho exigente e que implica sempre muitas viagens. “Em breve tenho estágio na Dinamarca e duas semanas depois estarei a viajar para a Alemanha onde terei um torneio com os meus atletas”, exemplificou. Neste momento está a escrever um livro técnico sobre a modalidade que ensina, o badminton.

  • Escritor da Nazaré reeditou um dos seus primeiros livros

    Escritor da Nazaré reeditou um dos seus primeiros livros

    Jaime Rocha reeditou o seu primeiro romance, escrito em 1984

    “Tonho e as Almas”, o primeiro romance de Jaime Rocha voltou a ser editado. Escrito em 1982 e publicado dois anos depois, este primeiro livro pertence a uma triologia que integra “Escola de Náufragos”, editado em 2016. E “já tenho escrito o último”, contou o autor nazareno à Gazeta das Caldas. Esta obra, que será publicada pela Relógio d’Água, em 2026, designa-se “A Morte do Tio”.

    O protagonista Tonho é pescador, mas, a uma dada altura, “recusa-se a ir ao mar enquanto não souber para onde vão as almas dos náufragos”, contou Jaime Rocha. Com tal atitude, Tonho tem que enfrentar toda a sociedade onde vive. Esta sua revolta “é também contra Deus, contra o seu destino”.

    Tudo isto se passa na terra natal do escritor, a Nazaré, e é no Promontório que Tonho “encontrará essas almas, assim como também sereias e monstros, ou seja, a própria mitologia do mar”. Vai ainda encontrar a alma do seu avô.

    As almas são também o tema da “Escola de Náufragos “ onde há uma família “ensombrada por um mal, uma tragédia”, também ligada ao mar. “A Morte do Tio” que sairá para o próximo ano, dará continuidade a esta obra.

    “Os meus textos são reconstruídos e re-imaginados sobre factos concretos”, disse o autor, acrescentando que muitas das suas histórias também ganham vida e palco. E justifica: “a própria Nazaré é um teatro a céu aberto pois é um espetáculo permanente”, contou o escritor. A sua terra natal é, sem dúvida, o seu “sustentáculo literário”. As histórias que conta “também habitam nas minhas memórias”.

    O escritor trabalha como dramaturgo residente com o grupo de teatro Musgo (Sintra) e com o projeto teatral Hipérion, Projeto Teatral, onde Jaime Rocha trabalha como dramaturgista. A última peça que trabalhou com este grupo foi Azzedine. Com o Musgo, o escritor nazareno irá encenar À espera de Godot, de Beckett, que será representado ao ar livre.

    Jaime Rocha (1949) estudou na Faculdade de Letras de Lisboa e viveu em França, nos últimos anos da ditadura. Tem editadas várias obras de poesia, ficção e de teatro que iniciou a publicar em 1970. Possui vários livros premiados como “Necrophilia” e “Anotação do Mal”. O escritor foi jornalista durante 30 anos.

  • Potes alcobacenses nas montras

    Potes alcobacenses nas montras

    Cinquenta peças de grandes dimensões assinalam os 150 anos da louça de Alcobaça

    Quem passear pelo centro histórico de Alcobaça poderá deparar-se com grandes potes da típica cerâmica local e que podem ser apreciados nas mais variadas montras das ruas, próximas do Mosteiro. As peças pertencem à Coleção de Faiança Família R Couto Serrenho e estão patentes em 18 lojas (25 montras) dos mais variados tipos, desde roupa, artigos de decoração, de óculos, farmácias, tabacarias e até uma ourivesaria.

    “Ao todo estão presentes obras que foram decoradas por 25 pintores e de, pelo menos, uma dezena de fábricas alcobacenses”, disse Rui Serrenho, o colecionador, à Gazeta das Caldas. Acrescentou ainda que há pelo menos exemplares de três unidades fabris que continuam a produzir cerâmica.

    Designada Exposição de Faiança de Alcobaça a Potes, abriu ao público a 15 de agosto e faz alusão ao sentido informal de chover muito, como se diz “chuva a potes”, e de menção direta aos potes.

    A mostra possui curadoria do pintor João Xavier, da fábrica Jomazé e que é também um dos últimos pintores discípulos dos mestres dos anos 40 do século passado.

    O próprio curador aceitou o desafio de pintar um grande pote que assinala esta exposição comemorativa referente aos 150 anos da Loiça em Alcobaça.

    “O público está a reagir muito bem a esta mostra presente neste centro comercial a céu aberto”, disse Rui Serrenho acrescentando que, para memória futura, está em execução uma coleção de 15 postais dos diferentes potes e que dão uma ideia clara da diversidade da cerâmica alcobacense e que muito surpreende os visitantes. A iniciativa, que tem ainda por base a tradição e história da cerâmica do concelho vizinho, prova que esta cerâmica é variada, na forma, nas cores e nos motivos decorativos e que vai muito mais além do “Azul Alcobaça”.

    Esta exposição teve como ponto de partida o livro (que também está patente numa das montras que integra a própria exposição) “Ceramica Portugueza” (exemplar nº11 de cincoenta exemplares especiaes), editado em 1907 por José Queiróz (1856-1920), autor pioneiro dos estudos da cerâmica portuguesa. Nesta obra, o investigador escreveu, “Na fabrica existe um prato datado de 15-8-75 e em que se lê o nome da localidade por extenso: Alcobaça”, pretendendo-se assim e com este mote assinalar os 150 anos da Loiça em Alcobaça.

    “Esta é também uma forma de homenagear as fábricas e os antigos pintores das unidades fabris deste concelho”, referiu Rui Serrenho. Esta coleção de faiança, que já ultrapassa os 1500 exemplares, inclui cerca de duas centenas de potes. Além das peças de Alcobaça, a coleção guarda exemplares da cerâmica de Porto de Mós, do Valado e de Vale de Cambra.
    Todos os materiais gráficos da iniciativa, que poderá ser vista até 7 de setembro, nas montras das lojas do centro histórico de Alcobaça, são da autoria da sobrinha do colecionador, Maria João Serrenho, que vive nos EUA.

  • Autor obidense participou no Rio Capital Mundial do Livro 2025

    Autor obidense participou no Rio Capital Mundial do Livro 2025

    Os livros e a literatura levaram Paulo Santos ao Brasil e à China nos últimos meses. No prelo há novos livros para crianças, e um deles sobre como voar

    Autor e curador, Paulo Santos foi um dos convidados para a mesa redonda “O papel dos festivais literários no espaço e cultura de uma cidade”, onde debateu o tema com a editora Camila Perlingeiro e o autor e promotor vindo das favelas do Rio de Janeiro, Júlio Ludemir.

    O encontro, que decorreu na Bienal do Rio de Janeiro (no âmbito da Capital Mundial do Livro), em finais de junho, evidenciou as vantagens da realização dos festivais literários como fatores de desenvolvimento cultural, social e económico de uma cidade. A sua importância para as editoras mais pequenas e para os autores que têm dificuldade em entrar no espaço editorial mais consagrado foi destacado por Camila Perlingeiro, enquanto que Júlio Ludemir apresentou o caso do principal festival literário que acontece em favelas do Rio de Janeiro, a Festa Literária das Periferias (FLUP). “A FLUP tem levado a literatura e a cultura para territórios periféricos, promovendo encontros entre autores e leitores, além de valorizar a produção cultural local”, explica Paulo Santos sobre o premiado festival que já passou por diversas favelas, como Morro dos Prazeres, Maré, Mangueira e Cidade de Deus. O autor obidense apresentou os festivais FOLIO e Latitudes, destacando a sua importância como “componente essencial na Educação e no desenvolvimento de novos vetores turísticos, como seja o caso do turismo literário, para além do encontro entre autores, leitores e editores que fazem de Óbidos um lugar literário muito especial”.

    Já na mesa “Rios de Palavra: por uma cartografia afetiva da Língua Portuguesa” foram debatidos os diversos “rios e afluentes” da língua portuguesa que transportam a cultura dos povos. Entre outros, discutiram Camões, Fernando Pessoa, Guimarães Rosa, Jorge Amado, Lídia Jorge (claro!), músicos como Caetano Veloso, Chico Buarque ou Zeca Afonso e figuras académicas que através dos seus trabalhos têm permitido revelar a riqueza da língua portuguesa, recordou o escritor à Gazeta das Caldas.

    Ainda no Rio de Janeiro, Paulo Santos, que escreve sob o pseudónimo de Alexandre de Sousa, apresentou “A Nossa Casa”, um livro ilustrado e poético que celebra a comunidade, a empatia, o amor, a amizade e os laços invisíveis que transformam as pessoas numa casa, um lar. Narrado a partir da perspetiva de uma criança, a história revela “suavemente como as pessoas, as histórias e as emoções formam uma verdadeira casa”.

    Escolhido entre 100 escritores
    Quando, em maio, Paulo Santos se candidatou a uma residência literária patrocinada pela cidade chinesa de Nanjing, também ela cidade criativa literária da UNESCO, estava longe de saber a experiência que viria a vivenciar. Um dos seis selecionados em 100 escritores, esteve em Nanjing entre 20 e 31 de julho. Com ele estiveram um escritor argentino, um letão, uma paquistanesa, um venezuelano residente na Alemanha e uma inglesa.

    “Foram 10 dias surpreendentes e inesquecíveis. Nanjing é uma cidade encantadora, repleta de história, cultura, cores, aromas e sabores desconhecidos, com uma extraordinária capacidade de misturar um inestimável património milenar com uma arquitetura moderna e impressionante”, relata. Ao longo da residência teve oportunidade de fazer diversas visitas culturais e participar em encontros com autores, tradutores, editores e comunidades locais. “Foi, seguramente, uma oportunidade única para criar laços literários e de amizade. Uma viagem inspiradora que abre novos horizontes”, resume.

    De regresso a casa, Paulo Santos tem já novos livros para editar. Um é dirigido ao público infantil e deverá sair ainda este ano ou no início do próximo ano, e um outro sobre como voar. “Se tudo correr como previsto, alguns livros já editados em língua portuguesa serão traduzidos em breve”, concretiza.

  • Um estúdio e um Escape Room no centro da cidade

    Um estúdio e um Escape Room no centro da cidade

    Há um novo espaço nas Caldas que abre as portas para vários tipos de gravações. Tem também um Escape Room que tem conquistado clientes

    O caldense João Pedro Caldeano, aka. JP Caldeano é diretor de fotografia e a última vez que conversou com Gazeta das Caldas, foi por ter feito questão de fazer parte da equipa de filmagens da sequela Velocidade Furiosa, na equipa de câmaras, quando filmaram no país.
    Entretanto, JP regressou às Caldas pois foi convidado para lecionar no curso de Audiovisuais na Secundária Bordalo Pinheiro. Ensina módulos relacionados com vídeo, a fotografia e a iluminação. Em simultâneo, abriu o seu próprio espaço no Bairro Azul que alberga várias valências. É um estúdio de fotografia, para gravações e tem áreas específicas para a realização de workshops. Há também uma área para fazer locuções e trabalhos de voz, além de ter um espaço, disponível para reuniões. Inclusivamente, JP Caldeano já coordenou um workshop, no novo estúdio onde ensinou a estudantes de teatro como se representa para cinema. “São trabalhos que têm tempos diferentes e que é preciso conhecer”, disse o caldense que está disposto a abrir o espaço para alugar a outros profissionais que queiram ensinar dentro das áreas da imagem e do audiovisual. Também está disposto a receber alunos das escolas que queiram conhecer um pouco da magia do cinema.

    Entre os trabalhos de JP Caldeano conta-se o documentário “Rui Nabeiro – Delta”, feito para a RTP, como diretor de fotografia. Também trabalhou noutras produções internacionais como no “Fast and Furious”, “Guardiões da Galáxia” e ainda nas sequelas de Piratas das Caraíbas e James Bond.

    “Presos” na casa da fotógrafa
    Além de ensinar no curso de audiovisuais, JP Caldeano decidiu abrir um Escape Room. “Trata-se de um espaço que é uma casa de uma fotógrafa perturbada onde os visitantes vão ser raptados!”, contou o responsável, acrescentando que os participantes têm 60 minutos para resolver enigmas, puzzles e sequências que lhes vão permitir encontrar os meios para conseguir sair da dita casa.

    “É algo interessante e que obriga as pessoas a desligarem-se dos telemóveis”, disse o mentor do projeto, acrescentando que os participantes do jogo têm vindo em grupos de familiares, de amigos e até como uma forma divertida de celebrar um aniversário.
    “Já tivemos um grupo que já foi a 120 Escape Rooms e que até já foram a vários estrangeiros em Espanha, México e até no Japão”, contou JP Caldeano, 42 anos, que também conhece vários em Portugal e no estrangeiro, em Londres, onde esteve a estudar cinema. As experiências foram vividas em família, com pais e irmã.

    Primeiro formou-se em Som e Imagem na ESAD.CR, prosseguiu estudos em Inglaterra, onde se especializou em direção de fotografia.

    Aos participantes pede-se que usem mente e mãos de modo a encontrar e a resolver todos os quebra cabeças e enigmas que estão distribuídos pela sala. Alguns permitem obter a chave de um cadeado, outros darão uma informação importante, outros até vão permitir abrir a porta de outra sala. “Aqui não há nada assustador”, garantiu o caldense, explicando que a sala deste jogo possui câmaras de vigilância e contacto com o exterior para que o Game Master possa ajudar, se for necessário.

    Quem já experimentou o Escape Room no Bairro Azul veio do Algarve, de Lisboa, Alcobaça, Leiria, Azambuja, Santarém e de todo o Oeste e ficaram muito satisfeitos com a experiência que pode ser vivida por participantes a partir dos 10 anos. Tentar escapar desta casa pode ser vivido por duas pessoas ou no máximo por seis. “O ideal são quatro”, explicou o mentor referindo também que tem recebido um ótimo retorno da parte de quem participou neste Escape Room.

    As entradas para o Escape Room variam entre os 35 e os 70 euros, por sessão e consoante o número dos participantes. As marcações podem ser feitas on-line através do @escaperoomcaldas

    Também disponibiliza vouchers que podem funcionar como prenda original, oferecendo assim a experiência de tentar escapar de uma casa onde se ficou fechado.
    Ao todo, o caldense investiu 150 mil euros para criar o seu projeto e tem criado de raiz o que é preciso para apetrechar o seu estúdio.

    O Cinematic Studios fica na R. Francisco Sá Carneiro, nº 3, no Bairro Azul.

  • Dois Prémio Nobel em Óbidos para o FOLIO

    Dois Prémio Nobel em Óbidos para o FOLIO

    Festival literário internacional comemora a sua 10ª edição e terá por temas as Fronteiras. Decorre de 9 a 19 de outubro

    Os Prémio Nobel da Literatura, Svetlana Alexievich e J. M. Coetzee, participarão na edição deste ano do Festival Literário Internacional de Óbidos (FOLIO), que irá decorrer entre 9 e 19 de outubro e que terá por temática “Fronteiras”. Outros autores, como a jornalista norte-americana Anne Applebaum, o historiador israelita Avi Shlaim, o escritor irlandês Paul Murray e a ensaísta norte-americana Carmen Maria Machado, também irão integrar o festival que este ano assinala a sua 10ª edição. Durante os 11 dias de evento haverá dezenas de mesas-redondas, conversas com autores, sessões de leitura, concertos, exposições, performances, lançamentos de livros, e iniciativas para o público escolar.
    De acordo com a organização (que junta a Câmara de Óbidos, empresa municipal, a Ler Devagar e a Fundação Inatel), a apresentação do festival em Granada, no passado mês de julho, foi um dos “momentos marcantes”, das comemorações do 10º aniversário, reforçando a projeção internacional do FÓLIO e a sua ligação a outros territórios literários.

    E, além dos dois galardoados com o Nobel da Literatura, “toda a programação é pensada para manter a qualidade e diversidade que caracterizam o evento, combinando grandes nomes com novas vozes e diferentes expressões artísticas”, explica o presidente da Câmara de Óbidos.

    Entre as novidades está o lançamento de um livro comemorativo dos 10 anos do festival, com o apoio da Representação da Comissão Europeia em Portugal e a criação de uma parceria com a RTP, para reforçar a divulgação do evento. Nesta edição será dada continuidade à atribuição dos vouchers para a aquisição de livros aos alunos Agrupamento de Escolas Josefa de Óbidos, “medida implementada no ano passado e que foi muito bem recebida”, referiu Filipe Daniel à Gazeta das Caldas.

    O FÓLIO continua a contar com os capítulos Autores, Mais, Educa, Ilustra, BD, Boémia e Folia, que permitem a diversidade de programação e a aproximação a diferentes públicos, valorizando a literatura e cruzando-a com a educação, a ciência, a tecnologia, as artes visuais, a música e serões culturais. Nesta edição a ligação ao território será “intensificada” com uma presença reforçada nas freguesias através de várias iniciativas que antecedem e integram a programação oficial. A Aletria – Biblioteca Itinerante junta-se à dinâmica do festival enquanto centro cultural e artístico em movimento, levando livros e atividades a diferentes pontos do concelho criando, assim, espaços informais de encontro com a literatura. Também a já conhecida Carrinha do Desassossego volta a percorrer as freguesias nas semanas que antecedem o festival e, no seu decorrer, haverá o Dia da Freguesia, em que cada uma das sete freguesias é convidada a integrar ativamente a programação, apresentando propostas culturais próprias que incluem teatro, conversas, exposições e outras expressões artísticas.

    De acordo com a organização, o orçamento para esta edição “ronda os valores habituais das últimas edições”, sendo que em 2024 foi de 425 mil euros. Este é garantido pelo município de Óbidos, Óbidos Criativa, Ler Devagar, Fundação INATEL e apoio de parceiros institucionais, patrocinadores, e de candidaturas a programas de financiamento europeu, nomeadamente através do Turismo de Portugal.

    Em 2024 o festival atraiu mais de 100 pessoas ao concelho de Óbidos.

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