Caldas nice Jazz arrancou com Filarmónica na Rodoviária

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No arranque do Caldas nice Jazz a Filarmónica Catarinense mostrou que as filarmónicas também tocam jazz, mantendo a tradição do festival

Na manhã do passado sábado arrancou mais uma edição do Caldas nice Jazz, com o já tradicional concerto de uma filarmónica do concelho no terminal rodoviário. Sem exceção, este é um dos eventos que mais curiosidade desperta entre os caldenses e a “casa” cheia é garantida. Para este ano, a banda escolhida foi a Sociedade Filarmónica Catarinense, que nunca tinha tocado jazz, mas que cumpriu o desígnio do festival de demonstrar que as filarmónicas podem, efetivamente, tocar jazz (e, a avaliar pelo que tem acontecido ao longo dos anos, fazem-no bem).
O repertório contou com músicas mais conhecidas da maioria, de bandas como Scorpions, Deep Purple ou Queen (a encerrar o concerto), com arranjos do maestro da banda, Gonçalo Sousa, mas também por vários temas de jazz, como da orquestra Glenn Miller.
“Foi um desafio para a banda, que nunca tinha tocado jazz”, contou o maestro, explicando que ensaiaram durante um mês e meio. “Nunca é fácil, porque somos todos voluntários, mas o resultado foi muito positivo e oxalá existam novas oportunidades”, afirmou. O homem da batuta é peremptório a afirmar que “as filarmónicas podem e devem tocar jazz”, admitindo ainda assim que é uma linguagem diferente. Sobre a atuação, elogiou as condições do espaço e confessou que a afluência até foi acima daquilo que esperava.
A banda era composta por 32 elementos, sendo a mais nova de 11 anos e o mais experiente de 79 anos. “A maioria são jovens, oriundos de Santa Catarina e arredores”, explicou Gonçalo Sousa, notando que para esta atuação contaram com a ajuda de músicos de outras bandas.
Em tempos de pandemia as atuações têm sido bastante escassas, mas as despesas fixas mantêm-se. “Só fizemos um evento este ano, em julho, que foram as bandas no Parque, do Caldas Anima, que foi muito bom, e este e agora só temos um concerto de natal agendado, três concertos num ano é pouco, a banda tinha atividade, com festas e concertos”, referiu, acrescentando que num ano normal teriam perto de uma dezena de serviços. O concerto de natal está agendado para 19 de dezembro, para a igreja de Santa Catarina, se as condições o permitirem.
António Cipriano e a esposa estavam na plateia a assistir ao concerto. “O nosso filho, de 33 anos, está a tocar barítono”, contaram, orgulhosos, os pais. “Penso que está tudo muito bem e que estas iniciativas querem é seguimento, é importante dar este espaço às filarmónicas, que têm esta capacidade”, defendeu António Cipriano. O caldense defendeu ainda que o conceito de uma filarmónica tocar jazz num terminal rodoviário “é muito interessante” e que o local reúne as condições necessárias. ■