Folio regressa em outubro de 2022 e será dedicado ao poder

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O festival literário internacional juntou perto de 500 participantes em 11 dias e atraiu cerca de 20 mil visitantes a Óbidos

Apresentação do Prémio Literário Fernando Leite Couto, com o vencedor de 2019 (à direita)

Este ano a edição do Folio contou com 16 países representados e continua apostar na sua internacionalização. No passado domingo, último dia do festival, foi apresentado o Prémio Literário Fernando Leite Couto, instituído pela fundação presidida por Mia Couto e que tem agora Óbidos como parceiro, a par da Câmara de Comércio Portugal Moçambique. No âmbito desta parceria, o escritor vencedor apresentará a sua obra durante o festival e poderá realizar uma residência literária na vila, tal como este ano já aconteceu com o premiado em 2019, o jovem poeta Otildo Justino Guido, que está a realizar uma residência literária em Óbidos, desde 18 de outubro e até 14 de novembro.
De acordo com o vereador José Pereira, a associação de Óbidos à Câmara de Comércio Portugal Moçambique e à Fundação Fernando Leite Couto é um “passo estratégico” para a internacionalização de Óbidos enquanto vila literária. O autarca destacou ainda que Óbidos é, na rede de cidades criativas da Unesco, a única de língua oficial portuguesa, o que acarreta a missão de promoção da língua de Camões junto dos outros países.
“O festival sempre foi internacional”, salienta o seu diretor, José Pinho, lembrando as participações que já fez noutros festivais internacionais, no Canadá e Brasil, e que também já receberam em Óbidos os seus representantes e diversos autores desses países. Aliás, a sua internacionalização é o único caminho que o também editor considera fazer sentido, destacando que é importante conseguir levar autores e exposições para os festivais literários ou culturais no estrangeiro.

A organização pretende envolver mais as escolas, de Óbidos e da região

Relativamente à edição deste ano, José Pinho destaca que “correu bastante melhor” do que a de 2019, dando nota do “programa extraordinário” mas também da vontade de muita gente participar no evento, que se realizou de forma presencial. A organização estima em 20 mil o número de visitantes, durante os 11 dias de evento, que contou com 279 horas de programação e envolveu perto de 500 participantes.
José Pinho destaca que pretendem envolver cada vez mais as escolas, não apenas as de Óbidos, como aconteceu este ano com a presença de autores e atividades com os alunos, mas também as da região. “Se tivermos a adesão das escolas podemos organizar visitas, conferências e encontros de autores nas próprias escolas”, disse o diretor do festival que gostaria de ver acentuada esta ligação ao local onde estão os “futuros leitores”.

As várias atividades foram bastante participadas

Também a vereadora com o pelouro da cultura, Margarida Reis, fez um balanço “extremamente positivo” desta edição, destacando o número de visitantes mas também de atividades programadas, mais de 200. “Tivémos um programa forte e diversificado”, realçou a autarca, destacando como pontos-chave a comemoração dos 50 anos da galeria novaOgiva, a homenagem ao escultor José Aurélio, o lançamento do curso de turismo literário e a realização do evento Living Streets, entre outros.

Palco a autores da região

A Garota Não atuou no Palco Inatel, na cerca do castelo

Entre as várias atividades propostas, houve algumas dinamizadas por artistas da região, em apresentações de livros, conversas ou exposições.
Pedro Basílio trabalha nos complexos escolares de Óbidos há mais de uma década e tem colaborado com as edições anteriores do festival. No entanto, este ano estreou-se como artista, com a exposição ABC Urbano, na Rua da Porta da Vila, que integra um conjunto de fotografias onde é criado um abecedário através da construção na urbe. “Desde o conceito até à primeira fotografia foram precisos cerca de 3000 quilómetros para dar início a uma viagem que se tornaria longa, mas sem demora, no seu tempo, no tempo certo”, escreve no catálogo o também aluno da licenciatura em Som e Imagem, na ESAD.
Pedro Basílio, que demorou 10 anos a concretizar este abecedário, espera que ele possa agora “viajar” para outros locais, em itinerância, para ser chegar a mais olhares. ■