Quatro caldenses selecionados em concurso de fotografia sobre a covid da Ordem dos Médicos

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Fotografias de caldenses integram a mostra da Ordem dos Médicos relacionada com a covid-19. A maioria foi selecionada para a exposição, mas há várias imagens, obtidas por autores ligados às Caldas, que receberam menções honrosas. Foram os casos de Carlos Barroso, Vasco Trancoso e Miguel Lopes

A exposição resultante do concurso de fotografia “COVID”, organizado pela Ordem dos Médicos – Região do Sul, foi inaugurada a 21 de outubro, na Biblioteca Histórica da Ordem dos Médicos, em Lisboa. Da mostra fazem parte fotografias de vários caldenses que viram as suas propostas selecionadas para a exposição. Algumas das imagens captadas durante as fases mais graves da pandemia até receberam menções honrosas.
O concurso dividiu-se em categorias. “O Nosso Olhar” destinava-se a premiar fotografias de médicos. Nesta categoria, concorreu Vasco Trancoso, conhecido médico e fotógrafo distinguido nacional e internacionalmente. As suas propostas “Geometrias” e “Visor” foram selecionadas para a exposição final, enquanto que “Máscara” obteve uma menção honrosa. O caldense congratulou-se com o facto de quatro autores das Caldas terem imagens escolhidas e considera que é necessário que “o poder local olhe para esta forma de expressão contemporânea e que a valorize, arranjando até um curador para esta área tão em voga”.
A vencedora nesta categoria foi a médica Helena Homem de Melo, que captou uma mulher, de 94 anos, que ficava feliz quando via o pessoal de saúde através da varanda, durante o confinamento obrigatório.

Os vencedores do concurso captaram a solidão e um momento relacionado com a morte, num funeral logo no início da pandemia

Na categoria aberta aos restantes concorrentes, Carlos Barroso obteve uma menção honrosa com a fotografia “Fisioterapia”, tendo registado um homem que se encontrava em recuperar dos efeitos da doença. Desta forma, o autor chamava também a atenção para a necessidade de recuperar desta infeção. Era uma pessoa ativa que não se conseguia mexer. Levantar o braço naquele momento “foi muito significativo”, disse o fotógrafo, para quem “é sempre importante o reconhecimento do nosso trabalho”.
Carlos Barroso acrescentou que ele – tal como outros autores como Vasco Trancoso – apostam em levar aos concursos nacionais e internacionais “imagens de pessoas e de instituições caldenses”.
Nesta mostra há, igualmente, imagens de Miguel A. Lopes, que vive nas Caldas e que é fotógrafo da agência Lusa e que, entre as imagens enviadas ao concurso, recebeu uma menção honrosa para “A cuidar de vidas” e teve mais três selecionadas para a exposição final.
O autor do projeto Every Day Covid, que originou um livro, destacou a importância de relembrar a importância do trabalho dos profissionais de saúde que estiveram na linha da frente ao combate à pandemia. As suas fotografias foram obtidas em ambiente hospitalar, em unidades em Santarém e em Lisboa.
“É, sobretudo, importante para memória futura”, reforçou o autor, acrescentando que é “relevante” o facto de ter imagens de quatro fotógrafos ligados à cidade termal.
A fotografia “Ansiedade” da série “Fases de isolamento “ do fotógrafo caldense João Carlos também foi selecionada para a exposição final.

Algumas imagens de autores caldenses obtiveram menções honrosas e outras estão
na exposição

À Gazeta das Caldas, o autor recordou que esta imagem faz parte da série que esteve na Galeria de Campo Pequeno em Lisboa e que ainda está patente no Museu da Pedra até 14 de novembro, em Cantanhede. “É uma série que já foi distinguida com sete prémios internacionais”, contou o autor acrescentando que a imagem chama a atenção para os problemas relacionados com a saúde mental. Na categoria “Outros Olhares” o vencedor foi José Carlos Carvalho com uma fotografia obtida em abril de 2020, na fase inicial da pandemia, e que retrata os funcionários de uma agência funerária, vestidos com fatos brancos de proteção, luvas e óculos, preparando um funeral.Com a fotografia “A solidão da Morte”, o autor, repórter fotográfico da revista Visão, que recordou o choque de ver funerais em que as pessoas se encontravam completamente sós. Na categoria “Outros Olhares” concorreram 136 fotografias, de autores enquanto que à categoria “O nosso olhar” teve 75 imagens de 19 autores médicos.
A mostra poderá ser vista em Lisboa até 3 de novembro. ■