Caldense homenageia Ferreira da Silva com mural e serigrafia

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Filipa Morgado é também a mentora do CAU, projecto que terá as primeiras iniciativas ainda este ano na aldeia de Cortém | Joaquim Paulo

A arquiteta Filipa Morgado vai assinar um mural sobre Ferreira da Silva nas imediações do Jardim d’Água. Em parceria com a Gazeta das Caldas, o mesmo desenho será reproduzido em serigrafia. Uma iniciativa que pretende homenagear o artista e relembrar que aquela obra emblemática deveria ser recuperada

A artista Filipa Morgado concorreu ao Festival Artístico de Linguagens Urbanas com um desenho sobre Ferreira da Silva. O projeto não foi selecionado, mas agora vai ser concretizado junto ao Jardim D’Água.
A autora caldense, de 31 anos, vai começar a pintar esta proposta, de oito por seis metros, a 15 de outubro, no edifício da administração, junto à instalação.
A proposta da autora é o perfil do artista, preenchido por elementos orgânicos, alguns dos quais presentes na obra do artista plástico homenageado como, por exemplo, os pássaros.
Filipa Morgado marca presença regular em eventos de arte urbana e realiza exposições dos seus trabalhos. A última mostra teve lugar em Lisboa e terminou a 3 de outubro.
“Acho que as Caldas tem urgência em que arte saia à rua”, afirmou a artista, que entende ser necessário “aproveitar o que a ESAD tem trazido, respeitando a tradição, mas sem esquecer o que são as novas propostas”.
As reações das pessoas que conheceram Ferreira da Silva ao desenho deram alento à arquiteta. Houve até quem lhe dissesse que o seu trabalho “mostra o imenso mundo que habitava dentro dele”. Para Ferreira da Silva, a criação “é algo visceral, que não se explica mas tem que se fazer”. E essa ideia está patente no retrato criado por esta artista que já viveu e trabalhou em países como o México.

Têm-me dito que na serigrafia está presente a cara
do Ferreiral!

O desenho de homenagem será ainda impresso em serigrafia numa iniciativa que une a arquiteta à Gazeta das Caldas e também à ESAD, pois a mesma será impressa nas oficinas da escola. Segundo a autora serão impressos 200 exemplares da obra.
“É uma tristeza o Jardim d’Água estar ao abandono”, disse Filipa Morgado, que considera que “alguém devia olhar para aquela intervenção com amor”. E por isso considera que a sua proposta artística serve para chamar a atenção para a necessidade de preservar aquele espaço artístico que diferencia as Caldas e que, neste momento, se encontra ao abandono.
“O que estamos a fazer é resgatar a história e a memória de Ferreira da Silva”, afirmou a artista, que no último ano tirou o curso de Cerâmica Criativa no Cencal. É também esta autora que tem a coordenação do projeto Cortém Aldeia Urbana (CAU) que se vai realizar na aldeia homónima e que pertence à freguesia dos Vidais.
Esta iniciativa vai contar com a participação de arquitetos, designers, artistas plásticos, ceramistas, artesãos, músicos e bailarinos.
“As obras de arte vão nascer com inspiração no próprio local, nas gentes e nas paisagens que circundam a aldeia”, disse a artista, que se candidatou a vários programas para obter apoios para esta realização.

“As formas orgânicas estão relacionadas com a forma do artista pensar”

A aldeia de Moledo (Lourinhã) será parceira deste evento que se vai estender a mais municípios do Oeste. Segundo explica a arquiteta, os habitantes “querem que haja animação cultural e também iniciativas de valorização do território”.
Uma das ideias principais inerentes ao CAU “é a construção de espaços onde as pessoas podem estar”, contou Filipa Morgado, explicando que também o turismo se vai associar a esta iniciativa. Além das artes serão, ainda, criados percursos pedonais e residência artísticas que implicam a permanência dos autores nas comunidades onde o CAU vai acontecer.
As primeiras iniciativas estão previstas para novembro e terão lugar em Cortém. Será concretizada uma pintura de uma parede e uma escultura cerâmica.
A serigrafia sobre Ferreira da Silva pode ser adquirida na Gazeta, podendo já ser feita a pré-reserva.