Carlos Querido apresentará novo livro “Alegações Finais” no Folio e no CCC

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No novo romance Carlos Querido acaba por dar a conhecer o que pensa sobre a Justiça na atualidade

Juiz desembargador jubilado está de volta aos livros. A oitava obra será lançada no festival em Óbidos e nas Caldas

“Alegações Finais” é como se designa o novo romance de ficção do caldense Carlos Querido. A obra vai ser apresentada no Fólio, a 22 de outubro, pelo seu amigo e também escritor, Laborinho Lúcio, e no CCC no dia 11 de novembro, pela antiga procuradora geral da República, Joana Marques Vidal.
O novo livro conta a história de um advogado que procura a prescrição dos crimes dos seus clientes de colarinho branco, a quem chama inocentes presumidos. Segundo Carlos Querido, o protagonista nasce na praia, como gosta de afirmar, e faz-se ao mundo em busca do sucesso que o compense das humilhações da infância. O causídico vai notabilizar-se como advogado do crime em processos mediáticos, em cujos labirintos procura a prescrição dos crimes dos seus clientes, a quem chama inocentes presumidos.
A exposição mediática traz-lhe fama e proveito, mas “na subida na escala social perde-se da mulher que conheceu um dia numa estação de comboios quando lia “Cem Anos de Solidão”.
O protagonista deixa-se levar por paixões efémeras “perante a morna rotina do casamento. Dilacera-o a culpa, com a dor do remorso, sem a redenção do arrependimento. Se voltasse atrás, faria tudo igual, porque, como gosta de dizer, as coisas são o que são”, explica a sinopse de “Alegações Finais” . Confrontado, na vida como no tribunal, defende-se com alegações sem confissão nem arrependimento. Entre o casal, vai erguer-se “um muro de silêncio e desconforto onde pulsa e se avoluma a memória de uma noite trágica da qual não ousam falar”.

A capa do livro é do caldense Mantraste e, segundo o autor, também entra brevemente no enredo do romance

Na apresentação no CCC, a 11 de novembro, além da participação de Joana Marques Vidal, haverá também um momento musical a cargo da banda exclusivamente composta por juízes e que se designa “Audiência Prévia”. Serão os responsáveis por apresentar temas que apoiam a narrativa criada pelo autor caldense. Os protagonistas gostam, por exemplo, de Led Zeppelin ou de Pink Floyd.
Além da sua apreciação sobre a justiça em Portugal, que surge velada na narrativa, Carlos Querido contou que é possível perceber, nalgumas situações descritas no livro, que estas se passaram nesta região .

Capa de caldense que “entra” no livro
A própria capa de obra conta com uma ilustração do Mantraste, que é Bruno Santos, autor caldense que é também professor da ESAD.CR. Com Carlos Querido, participou como autor na edição especial dos 95 anos deste semanário, que teve o juiz como diretor convidado. Há ainda mais uma particularidade: Mantraste é personagem que aparece brevemente neste novo romance. Trata-se do seu oitavo livro de um percurso iniciado em 2007 com o livro “Salir d’Outrora”.
Carlos Querido contou à Gazeta das Caldas que este livro, ao contrário de outros, “liberta-se dos factos históricos” e dedica-se quase por inteiro à ficção.
Alegações Finais é também uma fase processual em que é dada a palavra à defesa e à acusação para dizerem os últimos argumentos que têm em relação às suas posições. E de alguma forma, para o autor da obra é também uma fase de encerramento, pois Carlos Querido despediu-se da atividade profissional.
No entanto, como juiz desembargador jubilado, mantém ligação ao Tribunal da Relação do Porto e tem participado em iniciativas daquela entidade.
“Quando me jubilei tentei fazer um corte radical com a minha vida profissional”, contou, acrescentando que fez inclusivamente uma viagem ao Nepal, onde subiu aos Himalaias. “Passei frio, alguma fadiga mas foi uma viagem muito interessante, sem dúvida…”, disse o autor que preferiu entretanto deixar de dar conferências jurídicas. Prefere fazê-las como autor e continua a ser convidado para sessões na Livraria do El Corte Inglés. E também participa em sessões de leitura de poemas como aconteceu recentemente na Livraria Arquivo, em Leiria.
O juiz, com exceção dos Contos Forenses – rubrica sobre a vida nos tribunais que foi publicada com grande êxito na Gazeta das Caldas – recusou-se sempre a escrever sobre os tribunais. E porquê? “Porque afinal foram a minha vida durante longos anos”. O autor garante ainda que tem muita consideração pelo papel dos advogados, se bem que estes têm papéis distintos. “Quando um juiz veste a beca e um advogado a toga passam a ser duas pessoas que desempenham funções importantes para a realização da Justiça”, rematou.
O livro “Alegações Finais” é editado pela Almedina e o lucro da venda desta obra irá reverter para a IPSS Casa do Juiz, que fica em Coimbra. ■