Designers formados na ESAD fixam-se na região pela cerâmica

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Os jovens autores têm apresentado os seus trabalhos em iniciativas como a Molda | D.R.

Há vários projetos de cerâmica iniciados por alunos da escola de artes. Depois da ESAD há muitos que escolhem viver e trabalhar por cá

Rita Frutuoso, 38 anos, é de Porto de Mós e veio para as Caldas em 2000. Tirou a licenciatura em Design para a Cerâmica na ESAD e, mais tarde, prosseguiu para mestrado em Design de Produto.
Tirou várias formações no Cencal e obteve experiência internacional em vários países como Itália, Bélgica e Hungria. Em 2016 foi representante de Portugal no European Ceramics Contest nos Novos Valores.
Hoje é técnica superior da ESAD, responsável pela Oficina de Cerâmica e está a fazer o seu doutoramento nas Belas Artes de Lisboa. “No meu estudo investigo e comparo técnicas da cerâmica com as da culinária”, explicou a autora que além da sua produção autoral se dedica a estudar técnicas e ferramentas similares nas duas áreas. Rita Frutuoso constituiu a sua família e passou a viver nas Caldas. A autora também esteve em Israel onde deu formação sobre Olaria em Chocolate. Por seu lado, Duarte Galo, que é de Setúbal, terminou o curso em Design Industrial em 2013 e seguiu para o Cencal para aprender mais sobre Cerâmica e Vidro . Hoje é responsável pela Sigilo Ceramics e produz os seus trabalhos num espaço partilhado na Zona Industrial caldense.
Sigilo (Sigilum) era o selo utilizado na Roma Antiga para marcar peças cerâmicas. Servia também para identificar e promover a qualidade do artesão ou da oficina onde as peças eram realizadas.
Este autor – que antes de ter escolhido a cerâmica trabalhou em joalharia e com relógios – está satisfeito com a sua escolha profissional. É nas Caldas que produz as suas peças únicas de cerâmica criativa.

Executar projetos de designers
Hugo Graça, 34 anos, formou-se na ESAD em 2000 em Design de Cerâmica. Veio dos Olivais e trocou o Design Gráfico pela cerâmica. É o responsável pela 105 Ceramics Lab, instalado nos Silos e já emprega mais duas pessoas. Trabalha na área da cerâmica e do design e dá resposta a trabalhos de decoração de várias marcas, algumas nacionais, mas sobretudo oriundas do mercado internacional e da área da decoração de interiores. “Mais de metade são empresas estrangeiras com quem contatamos online”, disse Hugo Graça que também realiza as peças que muitos designers idealizam apenas como projeto. Faz sobretudo peças decorativas. Francisco Correia, 29 anos, formou-se na ESAD em Cerâmica e Vidro e tal como os restantes autores, também passou pelo Cencal. Atualmente trabalha na área da modelação na Fábrica Molde e é após a hora do expediente que se dedica à sua produção de autor, parte dela utilitária e feita à mão. É por exemplo o responsável pelos serviços da Taberna Marginal (S. Martinho) e do Café Local, nas Caldas. Faz pratos, tigelas, taças e taças de café e é um dos autores que integra as edições da Molda, trabalhando ao vivo na roda.
Filipe Aguiar e Ana Realinho fazem parte do projeto ARFA. O nome da empresa guarda as iniciais de cada autor. Ele formou-se em Design de Cerâmica na ESAD e ela nas Belas Artes de Lisboa.
Ambos tiraram posteriormente formação específica no Cencal pois sentiram falta de complementar os seus conhecimentos teóricos com prática. Tiraram formação nas áreas da Cerâmica Criativa e da Olaria de Roda pois davam resposta a questões técnicas e específicas da cerâmica. Os autores desde 2018 que têm o seu atelier, no armazém da Zona Industrial. Filipe e Ana tanto fazem louça utilitária como peças decorativas e complementam-se em termos de tarefas no que diz respeito à cerâmica. São por exemplo os responsáveis pelas peças utilitárias usadas nos Cocos, na Foz e ainda realizam em cerâmica projetos de designers do panorama nacional luso. Hoje ambos dão aulas no Cencal ela de Pintura e ele de áreas relacionadas com o Design de Cerâmica e vivem nas Caldas da Rainha, trabalhando na área da cerâmica contemporânea.

Para o mercado nacional e internacional
Além dos novos autores e das grandes unidades industriais como a Bordallo Pinheiro e a Molde, há nas Caldas da Rainha vários projetos que se encontram a meio caminho e que têm pequenas estruturas de funcionários mas que se dedicam a uma produção, muitas vezes, para o mercado externo. É o caso da Braz Gil Studio que se dedica à porcelana e ao mercado de luxo e que tem vindo a crescer, tendo contratado funcionários em 2020. A António Duro Design possui fábrica na Zona Industrial e também em Tornada e também se dirige ao mercado externo. Há outros projetos como o Estúdio Caldas da Rainha, coordenado por Marta Galvão e o Laboratório de Histórias que é gerido por um casal de designers formados na ESAD. Entre os responsáveis destes dois últimos espaços, há designers que passaram pela Secla.■