Em ano de pandemia o Festival de Jazz do Valado mudou de sala para manter o espírito

0
42
Tiago Vigia é um jovem saxofonista nazareno que, aos 31 anos, está a dar cartas no mundo do jazz. No festival do Valado dos Frades apresentou-se num quarteto | Isaque Vicente

O festival de Jazz do Valado mudou de sala, mas mantém o espírito de club de jazz e tem tido concertos esgotados

“Hoje, se fosse à moda antiga em que cabia sempre mais um…”, reflecte o maestro Adelino Mota, notando que chegariam facilmente às 200 pessoas, algumas de pé. “Neste momento isso é inconcebível”, assume. A pandemia obrigou a uma mudança de sala, para a sala do clube, onde foram colocadas várias mesas corridas distanciadas, com cadeiras apenas de um lado, num total de 120 lugares.
Uma das novidades desta edição são as reservas online, que permitem que público de mais longe se arrisque a vir, porque sabe que tem bilhete.
Outra novidade é a presença do director do festival de jazz de Cap breton (cidade francesa geminada com a Nazaré) com o qual existirá uma parceria que permitirá a criação de um grupo franco-português, com três músicos de cada país.
Para o próximo ano está também pensada a mudança de nome do festival, tornando-se o Festival de Jazz do Valado – Nazaré.
O festival mudou de sala e foi adiado, a ordem dos concertos foi alterada, mas praticamente tudo o que estava programado vai acontecer. Só o espectáculo de Carlos Bica com Trio Azul é que teve de ser alterado porque os estrangeiros não puderam viajar para Portugal.

Um saxofonista nazareno
Gazeta das Caldas acompanhou o concerto dos Monstro Mostrengo, um quarteto que é liderado por Tiago Vigia, um jovem saxofonista nazareno.
Esta foi a primeira actuação da banda, que há um ano que começou a ensaiar e que viu a estreia ser adiada devido à pandemia.
O jovem, de 31 anos, também faz parte da Big Band da Nazaré, pelo que actuou na abertura da edição deste ano do festival. “Desde adolescente que vinha ao Jazz do Valado com o meu pai e saía sempre bastante impactado”, fez notar. “É muito interessante estar deste lado”, disse, salientando o ambiente intimista da sala, com uma “atmosfera muito própria”.
“É ótimo tocar aqui para muitas pessoas que conheço, mas também poder mostrar trabalho a quem não me conhece”.
Já no final da actuação, o nazareno disse à Gazeta que o concerto tinha corrido muito bem e que o nervosismo inicial foi-se dissipando.
O som e o vídeo desta atuação foi gravado, estando a partir de agora a ser preparado o lançamento do álbum.
Em ano de pandemia o Jazz do Valado mantém-se vivo e com este espírito de club de jazz, que só é possível graças ao esforço e dedicação de uma equipa de 16 voluntários que trabalha na organização do evento.