Fotojornalista Rui Caria distinguido em iniciativa internacional

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Neste projeto, o repórter fotográfico procurou dar atenção àqueles que cuidam dos mais velhos | D.R.

Nazareno é correspondente da SIC na Terceira, onde acompanha a pandemia. Imagens sobre cuidadores valeram-lhe distinção internacional

 

Rui Caria acompanha a pandemia por dentro, percorrendo e captando “a vida a acontecer” no hospital, em lares e em casas de repouso de Angra do Heroísmo, na Terceira. Natural da Nazaré, o correspondente da SIC conhece bem os locais onde a covid-19 deixa marcas em doentes, cuidadores e pessoal médico e regista esses momentos para a posteridade.
Algumas das imagens foram distinguidas pela iniciativa internacional “The Other 100”, promovida pela Global Institute for Tomorrow (Gift) e que tem por objetivo captar os heróis anónimos que combatem a pandemia por todo o mundo.
O autor, que representou Portugal no certame, escreve, fotografa e edita as imagens que contam as histórias das pessoas que dão o melhor de si a cuidar do outro. O fotojornalista explica que nas “chapas” que capta, onde há intimidade e fragilidade causada pela doença, “nunca é posta em causa a dignidade dos retratados”. E, como tal, explica que este é “um trabalho com pinças” mas que lhe valeu reconhecimento além fronteiras e que vai ter edição internacional, sendo exposto em vários países onde a Gift marca presença.
Além do reconhecimento do trabalho, escolhido entre milhares de imagens de outros fotógrafos de vários países, a iniciativa é também “uma montra que mostra o que andamos a fazer pelo mundo”, diz Rui Caria, que, através da objetiva, dá a conhecer como se vive uma crise sanitária que ficará gravada através de imagens e nos livros de História.
Enquanto profissional, tem assistido à exaustão de muitos técnicos de saúde e, por isso, irrita-se com as críticas “de quem está no sofá e só sabe apontar as falhas do sistema”. E sim, reconhece que há falhas num trabalho tão exigente que é pedido a todos. Mas, nota, as falhas “vão continuar a existir”.
E de quem são as histórias que Rui Caria capta? Pertencem ao casal de enfermeiros Catarina e Renato, que têm uma filha, Alice, de 2 anos, e fazem turnos de 12 horas desfasados para cuidar da menina. E da D. Filomena, que completou 97 anos no Lar D. Pedro V e foi através da vidraça que acenou, emocionada, aos familiares que, do exterior do lar, lhe cantaram os parabéns. Ou ainda da D. Joaquina Jesus, que já soprou 105 velas e está noutro lar de Angra, passou por duas guerras mundiais e, pelo caminho, venceu a gripe espanhola.
“Retrato gente comum, com histórias interessantes”, sintetizou o correspondente da SIC, acrescentando que percorre as mais variadas áreas do hospital de Angra do Heroísmo, captando momentos de quem trabalha não só na primeira linha do combate ao vírus, mas também na farmácia, na lavandaria e até na cozinha.
Rui Caria é o responsável pelas “Histórias de 28mm”, rubrica do site da SIC onde estão as reportagens com as imagens que foram distinguidas pela Gift. ■

 

|D.R.

 

 

 

 

 

 

 

Rui Caria
Fotojornalista, editor
e correspondente

Iniciou a carreira profissional na imagem em 1990, chegando à televisão através da TVI, onde esteve mais de uma década, até passar a repórter e editor de imagem da SIC Notícias em 2006. Conquistou a Câmara de Prata da Federação de Fotógrafos Europeus em 2016 com imagens de um incêndio florestal, jogos de luzes entre chuva e das ondas da Nazaré. Em 2019, recebeu o Prémio Nacional de Portugal dos Sony World Photography Awards em 2019 com uma foto que tirou num casamento. Atualmente, Rui Caria, que passou férias na Foz do Arelho na infância, está a frequentar o mestrado em Comunicação e Media, no IPL. ■

 

Alice tem 2 anos e espera a volta dos pais, enfermeiros que cuidam dela em turnos desfasados | D.R.

 

O enfermeiro Renato, pai de Alice, preparando-se para cuidar dos doentes que sofrem de covid-19 | D.R.