Jazz do Valado em risco de perder apoio da Direção-Geral das Artes

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O Valado começou há mais de 30 anos e tem tido apoio estatal há 21 anos

O festival não foi contemplado com o apoio quadrienal da DGArtes. O organizador, Adelino Mota, contestou a decisão e diz que o festival se realizará na mesma, com ou sem apoio do Estado.

O Festival de Jazz do Valado dos Frades foi um dos eventos que perderam financiamento na 1ª fase do concurso para o apoio sustentado quadrienal da Direção-Geral das Artes. O certame ficou de fora destes apoios estatais, mas já apresentou recurso e aguarda “a resposta”, revelou à Gazeta Adelino Mota, o diretor do festival.
“A nossa candidatura como projeto artístico para ser apoiado ficou de fora por um ponto percentual”, lamentou o dirigente, acrescentando que uma das causas para a não inclusão nos apoios foi porque se “esgotou a primeira verba que foi alocada para os projetos”. “Por isso, “pedimos uma audiência de interessados, explanando que não estamos de acordo com esta decisão sobretudo porque o Festival de Jazz do Valado obteve apoio do Estado ao longo dos últimos 21 anos”, referiu.
Há ainda outro aspeto que deixou o Valado de fora. Uma das grandes bandeiras do Ministério da Cultura é a valorização dos funcionários com contrato de trabalho, o que se tornou um óbice à Biblioteca Instrução e Recreio, entidade que organiza o certame.
“O festival decorre durante um mês e não pode fazer contratações a tempo inteiro”, referiu o maestro, que sentiu que a razão da penalização se prende com o facto de a Biblioteca de Valado de Frades ter apenas um funcionário a tempo inteiro. Ou seja, “não é só o projeto artístico que está em análise, mas também se a iniciativa tem funcionários com contrato”. Adelino Mota crê que o Ministério da Cultura poderá reforçar a verba e ver assim o festival contemplado. De qualquer modo, o evento corre o risco de não ter o apoio sustentado para os próximos quatro anos.
“É a primeira vez na minha vida, em 24 anos, que faço projetos para as entidades públicas e que não vejo aprovado em primeira instância…”, disse Adelino Mota, explicando que nem todas os profissionais da cultura como,por exemplo, os músicos estão interessados em ter contratos de trabalho. Muitos, diz o maestro, até preferem “estar livres” para poderem fazer participações quer em digressões nacionais quer internacionais.
Segundo o diretor, o festival concorreu ao patamar dos 60 mil euros por ano. O apoio anterior, obtido para quatro anos pelo Festival de Jazz do Valado cifrava-se em 33 mil euros por ano. Se fosse obtido o primeiro valor anual, este ano o festival do Valado “teria um grande concerto internacional de encerramento no Cinte-teatro da Nazaré”, que pode, agora, ficar inviabilizado por restrições financeiras.
Também estava pensada a criação de um grupo luso-francês com três músicos portugueses e três franceses para tocar em Valado dos Frades, em maio, e em Capebreton, cidade onde há outro festival de jazz em julho, parceiro do evento luso. Neste momento, sem apoio do Estado, é necessário reformular o projeto.
“O festival vai realizar-se na mesma”, garante o maestro, que contará com o apoio do município da Nazaré e de algumas entidades privadas para levar a cabo a organização.
Adelino Mota irá fazer candidaturas aos apoios pontuais que são apenas para um ano, o que traz alguns problemas relacionados com as datas de realização pois “se obtivermos apoio, a resposta é dada muito em cima da hora”.
O facto de não ter obtido financiamento é visto por Adelino Mota “como um constrangimento pessoal”. E vai mais longe, ao afirmar que até entende “por que é que não teve mais pontuação….” Na sua opinião, a precariedade do trabalho tem que ser combatida em todos os setores “e não apenas na Cultura”, contou o responsável que ainda aguarda a decisão da contestação da recusa do apoio. “Vivemos um impasse…”, afirmou o diretor que lidera este evento dedicado ao jazz há vários anos e que gostaria que os programas de financiamento tivessem em conta que há eventos que são exceções à regra e que não têm uma estrutura formal que possa contratar muita gente.

Outros exemplos
No distrito, também o Música em Leiria, candidato ao patamar dos 120 mil euros pelo Órfeão de Leiria, também não obteve pontuação suficiente para receber apoios do Programa de Apoio Sustentado às Artes. A nível nacional, houve seis candidaturas rejeitadas.