Os coordenadores da oficina destacam o envolvimento e partilha de experiências dos participantes e querem alargar o âmbito das actividades

A partir de uma fotografia antiga e de uma palavra que lhes calhou em sorteio, cada um dos participantes criou um guião e produziu uma curta metragem de 3minutos e 20 segundos. Foi assim a oficina de cinema e representação, dinamizada pelos jovens obidenses André Pereira e Jessica Lopes, entre 24 e 28 de Agosto, com o intuito de partilhar o seu conhecimento artístico com os participantes e conhecer histórias que se conectaram entre si. A parceria irá continuar e na forja está já um guião para uma série

“41:37”, de Victor Duarte; “Memórias”, de Jéssica Silva; “A Ditadura da Estupidez”, de Camila Marques Campos; “Re-me Adiar”, de Daniela Valente; “Inesperado = Doce de Nêspera”, de Suzana Nobre; “Memórias do que Não Foi”, de Pedro Tomaz; “Cansaço”, de Hugo Legue; “Aquelas Férias na Aldeia”, de Adélia Duarte; e “Olhares”, de Marta Santos. São nove as curta-metragens realizadas no âmbito da Oficina de cinema e representação “PLOSATI”, dinamizada pela actriz e encenadora Jessica Lopes e o realizador e editor André Pereira, durante a última semana de Agosto, e exibidas nas redes sociais.
O projecto dinamizado pelos dois jovens residentes no concelho de Óbidos, de 23 e 27 anos, formado na ESAD, apostados em realizar projectos ligados às artes com a comunidade. E a resposta superou as suas expectativas. “Tínhamos um limite de 10 inscrições, por ser feito à distancia, e inscreveram-se nove pessoas, com idades compreendidas entre os 23 e os 75 anos”, conta André Pereira, acrescentando que, além da região, contaram com participações de Lisboa e do Porto.
“PLOSATI”, que deu nome à oficina, resulta de um caderno onde se vão anotando ideias e pensamentos, tendo por base as palavras começadas por cada uma das letras daquele nome: Pessoas, Lugares, Objectos, Sensações, Acções, Texturas e Imagens… e Insólitos, esta última acrescentada pela dupla. A partir daí, recorrendo a uma fotografia antiga e a uma palavra que lhes coube por sorteio, cada um dos participantes deu largas à sua criatividade e gravou um filme, com uma duração máxima de 3 minutos e 20 segundos, o tempo das películas.
“Todas as curtas tiveram alguma ficção, mas algumas foram muito documentais”, conta Jessica Lopes, acrescentando que lhes transmitiu que, “acima de tudo, têm de ser poéticos naquilo que estão a contar”. A interacção que houve entre os participantes foi também sublinhada pelos coordenadores da oficina, que dinamizaram de forma voluntária esta iniciativa, integrada no programa Agosto + Activo.

MAIS PROJECTOS CONJUNTOS

Os jovens, residentes nas localidades do Vau e das Gaeiras, gostariam de dar continuidade a esta iniciativa, com a realização de uma oficina no âmbito do Folio, mas também a criação de iniciativas que liguem a área cultural à da saúde ou da psicologia, dinamizando acções conjuntas.
E como em equipa vencedora não se mexe, Jessica Lopes e André Pereira pretendem continuar a trabalhar em conjunto, estando já a preparar um guião para uma série.
Paralelamente, os jovens vão prosseguindo os seus projectos pessoais. Jessica Lopes regressa esta semana ao contacto presencial com os grupos de teatro amadores do concelho, com quem está a trabalhar no âmbito do projecto “Por entre caminhos”. A pandemia veio trocar-lhes as voltas, pois pretendia fazer três espectáculos, com três actores, e encenar os vários grupos. A jovem de 23 anos, formada em Teatro pela ESAD, começou a grupo de teatro do Olho Marinho “Olho de água” e também já participou no Folio. Vai agora candidatar-se para integrar um mestrado na área da Encenação e gostaria de continuar a trabalhar em projectos com uma base identitária.
Formado em Som e Imagem pela ESAD, André Pereira trabalha na área há cinco anos. Começou por integrar uma produtora no Parque Tecnológico de Óbidos e depois rumou a Lisboa, onde esteve dois anos e meio a trabalhar numa produtora de cinema como editor de vídeo. Em Janeiro de 2019 decidiu voltar para as Gaeiras, de onde é natural, e trabalhar por conta própria. Desde então filma e fotografa um pouco de tudo: desde peças de teatro e concertos a casamentos e baptizados, diz, destacando que são esses trabalhos que lhe dão alguma estabilidade financeira. Para além disso, este ano começou a dar aulas de Edição de Imagem e Vídeo na Escola Superior de Turismo e Tecnologias do Mar, em Peniche e nas Actividades Extra-Curriculares, a crianças do primeiro ciclo, em escolas nas Caldas, que irá retomar Janeiro e Setembro, respectivamente. Esta oficina e o guião que estão a fazer deram-lhe uma “motivação extra para começar a pegar em algumas coisas quero fazer”, conta o jovem de 27 anos, que há cinco anos não realiza uma curta metragem da sua autoria.
De acordo com a vereadora com o pelouro da juventude, Margarida Reis, a autarquia pretende candidatar-se a alguns projectos no âmbito das artes, para que iniciativas como esta dos jovens possam ter continuidade. A autarca destaca a receptividade que houve à oficina e a qualidade do trabalho final. “Poderemos integrar as curtas, numa edição do Folio ou outro ambiente cultural, como uma sessão de cinema, para as mostrar à população”, disse à Gazeta das Caldas.
Margarida Reis refere ainda que com estas iniciativas, desenvolvidas no âmbito do programa Óbidos Jovem, pretendem valorizar os jovens do concelho e a sua envolvência com a comunidade.