Livro dedicado a uma árvore do Parque D. Carlos I

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Fernando Contreras com o seu livro que é também um caderno de campo

Exemplar que deveria ter sido abatido foi recuperado e originou uma obra sobre a importância de amar a natureza

Na zona do roseiral, no Parque D. Carlos I, há uma árvore, da espécie Acer Negundo, que esteve prestes a ser abatida. Acabou por ser salva por Fernando Contreras e os formandos que pertencem ao curso de Jardinagem do Centro de Educação Especial Rainha D. Leonor (CEERDL), entidade que trabalha em parceria com a União de Freguesias de Nossa Senhora do Pópulo, Coto e S. Gregório, que gere o parque há seis anos.
Esta árvore especial – constituída por três grandes braços – foi motivo para o livro daquele formador, que planeia os trabalhos de manutenção não só do parque como da Mata.
“A Acer Negundo esteve para ser abatida, mas conseguimos recuperá-la e dar-lhe de novo dignidade”, contou o autor do livro “Amores de Berquó – Acer Negundo – Histórias da Natureza e da Vida para pequenos e Grandes” que se dedica àquele exemplar da natureza que conseguiu recuperar vida com a ajuda dos elementos do CEERDL.
Como a árvore tem três grandes ramos, o autor pediu a colaboração do artista Nuno Bettencourt, que o ajudou a criar três personagens, de personalidades distintas.

A árvore esteve para ser cortada e foi recuperada graças à equipa do CEERDL

“Quisémos que estas personagens imaginárias estivessem relacionadas com o responsável pela criação do próprio parque, Rodrigo Berquó”, revelou Fernando Contreras, acrescentando que é assim que surgem os três amores de Berquó.
Como trabalha, sobretudo, na jardinagem, pediu também a colaboração de Joana Rodrigues para a escrita do texto e Inês Milagres para a ilustração deste livro, que gira em volta da Acer Negundo recuperada. O livro – que abre de forma diferente sobre um eixo – contou com o apoio da União de Freguesias para a edição. Foi também esta Junta que ofereceu vários exemplares a crianças das escolas e à biblioteca local.
A obra, de design arrojado, ainda guarda uma segunda função. Virado ao contrário, dá lugar a um caderno de campo que serve para pais e filhos guardarem os esboços e apontamentos sobre a Natureza quando forem “explorar” espaços como o Parque D. Carlos, assim que a pandemia o permitir.
Ao todo, neste projeto da recuperação daquela árvore participaram 20 formandos do CEERDL, sob a coordenação de Fernando Contreras. O autor, que tem a seu cargo o planeamento e a execução dos trabalhos de manutenção do “pulmão da cidade”, também coordena a compostagem e o reaproveitamento da lenha.
Para o formador, segue-se, em breve, “a dignificação do antigo espaço da Orbitur que vai contar com várias espécies e reforço das espécies nativas e ainda eliminação das invasoras”, disse o responsável, que fará uma nova apresentação sobre esta obra sobre esta árvore que “representa todo o parque”.
Na parceria entre a equipa do CEERDL e a Junta “todos ganham”. “Primeiro os próprios formandos que trabalham na manutenção destes espaços que o fazem em contexto de formação e permite também à autarquia alguma contenção nos custos da manutenção daquelas grandes áreas”, frisa.
O trabalho feito por aquela equipa é reconhecido por Vítor Marques, presidente da União de Freguesias de Nossa Senhora do Pópulo, Coto e S. Gregório e a parceria vai de vento em popa.
“Tem sido um excelente trabalho que têm desenvolvido e que revela um grande cuidado no que diz respeito à manutenção da natureza”, disse o responsável. O autarca acompanha, a par e passo, a história da árvore recuperada e que a cada Primavera “rebenta com mais força”. rematou. ■