Mapa à Descoberta terminou com visita às Cerâmicas do Moinho

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Paula Monteiro e António Mendes mostrando algumas das suas peças onde a reutilização de pastas é uma constante

António Mendes e Paula Monteiro têm marca de cerâmica sustentável e as suas peças aliam o utilitário ao decorativo e agradam a vários públicos

O espaço de trabalho das Cerâmicas do Moinho fica em Salir do Porto, local onde decorreu a última visita do Mapa à Descoberta da Cerâmica, na tarde de 29 de julho.
Estiveram naquele espaço 12 visitantes, entre portugueses e estrangeiros, que quiseram conhecer melhor o conceito deste projeto que nasceu numa casa que “cresceu” em volta de um moinho.
Na execução das suas peças, os autores utilizam as técnicas orientais – de Neriage e de Nerikomi – e que lhes permitem o total reaproveitamento de pastas. Recorrendo à primeira técnica, a mistura de pastas é aleatória, na segunda colocam pedaços da pasta que sobra e dispõem “em novas peças” conforme querem, disse Paula Monteiro, enquanto informa que as Cerâmicas do Moinho têm marcado presença em eventos como o Mercado Mostra e o Bazar à Noite e também fazem parte do Roteiro dos Ceramistas das Caldas.
O projeto também corresponde a encomendas e fazem peças por medida. O casal já fez serviços para casas em Portugal e para restaurantes, um deles de um chef português, situado em Estocolmo.
Neste espaço não há desperdício. Tudo é reaproveitado em peças que são únicas, mesmo as que são decoradas com recurso a rendas ou a elementos naturais oriundos das plantas de Salir de Porto.
“As peças podem ser lavadas na máquina, ir ao micro-ondas ou ao forno, pois foram cozidas a 1200º”, disse António Mendes, que agora se dedica à cerâmica, depois de anos dedicado ao desporto profissional.
Paula Monteiro reforça ainda que as peças podem ter multifunções e um escorredor transforma-se em taça ou em fruteira. Uma tábua de queijos também pode ser uma base para quentes. E como tem um furo, depressa se transforma numa peça decorativa para uma parede da cozinha.
As Cerâmicas do Moinho têm lugar na casa de família de Paula Monteiro, que é diretora criativa de uma fábrica de cerâmica em Fátima. A autora é de Coimbra e está, desde sempre, ligada à cerâmica, área que estudou em França.
“Todas as nossas peças são carimbadas e numeradas”, explica a artista, explicando que os exemplares são também assinadas por quem as fez.
A dupla também faz mercados por todo o país e nota que as peças têm um público variado, desde estrangeiros a portugueses de várias idades e casais novos, preocupados com as questões da sustentabilidade aliadas ao design contemporâneo.
“Notamos que as redes sociais também nos trazem grande retorno”, justifica António Mendes, sublinhando que dão resposta a restaurantes e já tiveram pedidos para prendas de casamento. Cerâmicas do Moinho já chegou a vários países e quer apostar na internacionalização, sobretudo na Europa.
Neste espaço aposta-se regularmente em workshops. O próximo vai decorrer no último fim de semana de agosto e no primeiro de setembro e vai contar com a coordenação de Kristina Mar, que vive há vários anos no Japão.
O Mapa À Descoberta da Cerâmica contou, ao longo de todo o mês de julho, com a participação de 13 ceramistas, da cidade e concelho, que abriram as portas dos seus ateliês, “respondendo de forma entusiástica ao desafio de dar a conhecer o seu trabalho e espaço criativo”, disse a vereadora Conceição Henriques, fazendo um balanço muito positivo desta primeira edição.
A par das visitas aos ateliers, o Mapa incluiu a realização de dois workshops, visitas guiadas, exposições e criação ao vivo. A aposta na cerâmica” é para continuar”, segundo a autarca que quer apostar na internacionalização da Mostra Mercado de 2023. ■