Projeto para dinamizar Cortém apoiado pela Direção Geral das Artes

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A artista tem uma exposição que se encontra patente no Tribunal

O Ministério da Cultura decidiu apoiar com uma verba de 40 mil euros o projeto Cortém Aldeia Urbana, que está a ser coordenado pela arquiteta caldense Filipa Morgado. Entretanto, a também artista plástica tem a decorrer uma exposição num dos tribunais de Leiria

O projeto CAU –Cortém Aldeia Urbana– vai contar com financiamento do Ministério da Cultura, através da Direção-Geral das Artes. A iniciativa vai poder contar com 40 mil euros para a sua programação, ao abrigo do novo plano de medidas destinado a mitigar o efeito da pandemia na cultura.
Com coordenação da caldense Filipa Morgado, esta iniciativa pretende desenvolver o território daquela aldeia, que pertence à freguesia dos Vidais e ao concelho caldense.
O CAU vai contemplar residências artísticas onde os artistas “vão fomentar o respeito pela natureza, a adequação às dinâmicas da comunidade”, disse a mentora, acrescentando que está prevista a participação de vários autores desde arquitetos, designers, artistas plásticos, ceramistas, músicos e bailarinos.
O projeto conta com a execução de obras de arte ao vivo e, ainda, a criação de um atelier de cerâmica. “Que gostaríamos que se transformasse num centro de investigação”, explicou a responsável do Atelier, que quer também promover atividades com a população.
Filipa Morgado vai convidar os participantes, nas suas obras e apresentações, “a inspirarem-se nas pessoas e na própria dinâmica da localidade”. Pensar no conceito de Aldeia Urbana tem, para esta artista, inerente “um olhar esperançoso, que proclama um retorno adequado e positivo dos jovens às aldeias”.
O CAU pretende “procurar na arte a capacidade de construir lugares, educar e unir, inovar visões de negócio e ainda salvaguardar a identidade e a história de Cortém”, sintetizou a artista plástica que está a programar sobretudo pequenos eventos.
Cortém vai poder contar com “obras pontuais de Arquitetura e Paisagismo, que oferecem à localidade, de forma permanente, lugares que até agora se vão estabelecendo informalmente”, disse a autora. Aos participantes será proposto que as suas intervenções revelem histórias e tradições antigas e que, em simultâneo, possam construir novos diálogos artísticos.
Pretende-se ainda “estimular o envolvimento das empresas locais, potenciando o seu negócio”. Do CAU fará parte o Passeio das Artes, situado nas ruas de Cortém e que será palco ao ar livre para as obras criadas no desenvolvimento do projeto.

Arte no Tribunal
Entretanto, Filipa Morgado tem patente, no Tribunal Judicial da Comarca de Leiria, a exposição “Parentesco – Evolucionários e Revolucionários”, que inaugurou ao público a 8 de janeiro. No dia em que abriu portas, antes das novas medidas de confinamento, a abertura da mostra contou com um apontamento musical de violino por elementos da Orquestra Clássica do Centro.
Sobre as obras presentes nesta mostra, a autora explica que “existem coisas que não sabem viver sozinhas, que não se multiplicam e não sonham nem constróem sozinhas”. Como tal, em sua opinião, “os parentescos são uma proposta revolucionária, inventada num tempo dinossáurico, como resposta ao grito do ser solitário”.
Os ecos e as sombras não foram ouvintes nem conselheiros capazes. Juntamo-nos para partilhar, abraçar, discutir, -uns parentes para educar e outras divindades para proteger”.
Filipa Morgado é também a autora da peça de arte urbana dedicada a Ferreira da Silva que pode ser apreciada no Jardim de Água. O graffiti, dedicado ao mestre, originou, posteriormente, uma série de serigrafias, numa iniciativa que integra o 95º aniversário da Gazeta. Os exemplares encontram-se à venda na loja deste semanário. ■