Frederico Silva garantiu, no passado dia 13 de janeiro, o primeiro apuramento para um Grand Slam, o Open da Austrália, um feito histórico na carreira do tenista caldense, mas também para o ténis nacional.
Frederico Silva é apenas o 11º jogador português a garantir presença num dos quatro maiores torneios de ténis do mundo, uma lista inaugurada por Nuno Marques, mas que tem João Sousa, atual número 1 português, como maior representante.
O caldense, de 25 anos, é um dos três portugueses que vão estar presentes em Melbourne – onde, de resto, já se encontra – para disputar o torneio a partir de 8 de fevereiro, depois de João Sousa e Pedro Sousa terem garantido entrada direta no quadro principal.

Desígnio cumprido
Este é, para já, o ponto mais alto da carreira profissional de Frederico Silva, num percurso que começou com apenas 7 anos.
“Uma vez veio ao Parque bater umas bolas com um tio, que me disse que gostava que eu o visse”, conta Ramiro Martins, presidente do Clube de Ténis das Caldas da Rainha (CTCR), que se tornou também o primeiro treinador do então pequeno prodígio. A experiência de Ramiro Martins fê-lo ver rapidamente que havia ali algo especial. “Nas primeiras aulas a maior parte dos miúdos mal acerta com a raquete na bola, mas ele acertava e bem, dava para ver que era diferente”, recorda.

Técnico e jogador numa foto de grupo num dos primeiros torneios disputados

O percurso desportivo de Frederico Silva podia, no entanto, ter sido diferente. “Quando ele tinha 8 anos, o pai disse-me que ele tinha um bom pé esquerdo e estava a pensar levá-lo para o futebol”, que conta Ramiro Martins. “Disse-lhe que nem pensasse nisso”, exclama o técnico. “Ele próprio se convenceu que o Frederico tinha futuro no ténis. Talvez se tenha perdido um bom futebolista, mas ganhou-se um grande tenista”, assegura Ramiro Martins, que o treinou durante três anos.
De resto, o primeiro treinador de Frederico Silva garante que este feito não só era esperado, como podia ter acontecido mais cedo, não fossem as lesões que lhe travaram, sucessivamente, o percurso.
“É um prémio de que ele é muito merecedor. O que ele passou devia tê-lo cansado de tal maneira que a maior parte das pessoas desistiria, mas não ele”, atira, acrescentando também a importância do trabalho e persistência do treinador Pedro Felner em todo o processo.

Só as lesões impediram que este feito acontecesse mais cedo, acredita Ramiro Martins, primeiro treinador de Frederico Silva

Ramiro Martins conta que conversou com Frederico Silva na véspera da partida para o Qatar. “No último treino disse que queria ir vê-lo à Austrália e que ia começar a preparar o avião”, diz o dirigente. Apesar de não poder fazê-lo, vai acompanhar o desempenho que, acredita, pode representar um momento de viragem na carreira do ex-pupilo. “Se correr bem na Austrália e começar a ter alguma sorte com as lesões, vai dar muitas alegrias aos caldenses e aos portugueses. 2021 pode ser o ano do Frederico”, vaticina.
Ramiro Martins realça que Frederico Silva teve muitas oportunidades para sair do país, mas quis sempre continuar nas Caldas da Rainha. “O próprio clube cresceu, melhorou muito as condições de treino. Tudo isto pode ser muito bom para o ténis nacional e para as Caldas da Rainha em particular”, concluiu. ■

A sexta maior vitória da carreira

A vitória sobre o francês Gregoire Barrere, com a qual Frederico Silva carimbou o passaporte para o Open da Austrália, foi a sexta maior da carreira do caldense como profissional, no que ao ranking do adversário diz respeito. O francês ostentava o número 111 ATP quando Frederico Silva o venceu.
Melhor do que isso, Kiko, como é também conhecido, só conseguiu cinco vezes. De resto, em apenas três ocasiões o caldense saiu vencedor contra adversários do top 100 mundial. O maior triunfo de Frederico Silva foi no Estoril Open de 2017, quando bateu, na primeira ronda, o uzbeque Denis Istomin, então 74 do mundo.
Frederico Silva está ainda a caminhar para o seu melhor ranking de sempre. Em 182º lugar do ranking ATP no início desta semana, está a apenas oito lugares da melhor classificação, 174, em novembro de 2019. ■