Regina Pessoa partilhou conhecimentos na Benedita

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Cerca de 50 estudantes participaram na masterclasse com a realizadora Regina Pessoa

Realizadora premiada nacional e internacionalmente esteve à conversa com o público escolar no Books & Movies

Regina Pessoa é uma realizadora portuguesa com um percurso internacionalmente reconhecido. Já viu dois dos seus filmes serem nomeados para a shortlist para os Óscares na área da animação e recebeu dezenas de prémios um pouco por todo o globo. E é alguém que não se nega a partilhar os seus conhecimentos.
Na manhã da passada terça-feira, a realizadora esteve no Centro Cultural Gonçalves Sapinho, na Benedita, numa masterclasse promovida no âmbito do festival Books & Movies, onde partilhou o seu processo criativo, para uma plateia composta por cerca de 50 jovens estudantes.

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Nascida em 1969, numa aldeia do concelho de Coimbra, Regina Pessoa foi estudar para o Porto aos 17 anos. “O primeiro filme que eu vi foi de Charlie Chaplin, com a minha irmã, numa projeção na aldeia”, contou.
E se o desenho já vinha de infância e dos primeiros rabiscos a carvão incentivados por um tio (como retrata no filme mais autobiográfico que já produziu, “Tio Tomás – A Contabilidade dos Dias”), a animação apareceu na sua vida precisamente nessa altura, quando procurava trabalho para pagar os estudos e conheceu Abi Feijó e o seu estúdio de animação. Ficou de imediato fascinada com a possibilidade de dar movimento e som às pinturas que fazia.
O primeiro filme que assinou foi precisamente um desafio de Abi. “A Noite” inspirava-se no medo que a realizadora tinha do escuro quando era pequena. Corria o ano de 1999 e as diferenças para hoje são imensas. O disseminar das novas tecnologias e da Internet mudou quase tudo, mas Regina Pessoa soube adaptar as novas tecnologias para não perder a identidade que já tinha nas pinturas.

Mantendo a ligação ao público escolar, o Books&Movies este ano tem ido às escolas

Regressemos a 1999, quando Regina Pessoa pesquisou e criou placas de gesso (uma delas, a primeira, que está exposta no âmbito deste festival, numa mostra com vários elementos, como story boards, rascunhos, etc, e que está pantente no Centro Cultural Gonçalves Sapinho até ao dia 21 de novembro). Depois de “A Noite” e “História Trágica com um Final Feliz”, a realizadora decidiu que “talvez fosse o momento de fazer um filme que fizesse as pazes com a minha infância”. E foi assim que nasceu “Kali – O Pequeno Vampiro”. Seguiram-se as homenagens, com “Tio Tomaz – A Contabilidade dos Dias”.
Se todos os seus filmes são autobiográficos mas de uma forma subtil (como a mãe cantar uma canção de embalar no filme “A Noite”), neste caso trata-se de um tributo a uma figura que não foi importante na sociedade, mas que foi importante para a autora, até porque foi quem a ensinou a desenhar.

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Neste filme, a realizadora utiliza as memórias e os objetos do quotidiano do tio, como os canivetes ou os livros de contabilidade e mistura-os com as suas pinturas.
Regina Pessoa está atualmente a desenvolver mais um filme, este sobre a sua mãe, que sofria de esquizofrenia. Aos 80 anos, a filha desafiou a mãe a desenhar e esta aceitou o desafio e fez uma série de rostos que a autora quer utilizar nesse filme.
No final da partilha, os jovens quiseram saber mais pormenores relativamente ao software utilizado pela autora, entre outras questões técnicas. E a artista aproveitou a ocasião para convidar os presentes a conhecer a Casa-Museu de Vilar, em Lousada, pela qual é, juntamente com Abi Feijó, responsável. É lá que têm o estúdio, onde habitam e onde têm o seu espólio guardado, numa sinfonia perfeita, no trabalho e na vida.
A edição deste ano do festival Books & Movies termina a 21 de novembro, mas houve extensões ao programa. De resto, para dia 22 está previsto o cine-concerto “Onde”, de Paulo Praça e para dia 23 há, ainda, lugar para as comemorações do 20º aniversário da Biblioteca Municipal de Alcobaça. ■