Campeão brasileiro montou escola em sala de concertos

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O casal vai para o Brasil para poder manter a competição

Daniel Formiga tem vários títulos de jiu-jitsu e, com a pandemia, adaptou uma sala de concertos nos Silos para uma escola desta arte marcial

Nasceu em Natal, no estado brasileiro de Rio Grande do Norte e celebra, precisamente, hoje 38 anos. Daniel Formiga conta no currículo vários títulos de jiu-jitsu e está a desenvolver a modalidade nas Caldas.
Em 2017, a convite de um amigo, o atleta veio a Peniche e apaixonou-se pelas paisagens “e mais ainda pelas pessoas”. É que a mãe mora em Itália, mas ele nunca quis viver naquele país porque não se identificou com os italianos. “Portugal mudou a minha conceção em relação aos europeus”, conta. “Achei Portugal magnífico e decidi que era aqui que queria criar as minhas raízes”, sublinha.
Entretanto conheceu o mestre de judo caldense Rogério Ribeiro, que o ajudou. Decidiu, então, abrir uma escola nas Caldas, mas não encontrava horários disponíveis. Começou a dar aulas no ginásio Queen’s, mas para um público não virado para a competição. Era abordado mais para o lado da defesa pessoal a agressões. “O jiu-jitsu não é um desporto de ataque, mas ensina a neutralizar alguém em caso de agressão”, faz notar, salientando a utilidade em casos de bullying ou de violência doméstica.
Numa dessas sessões, um dos alunos que faz parte da secção de judo da Casa do Povo de Rio Maior convidou-o para dar aulas nessa cidade e assim abriu a sua primeira escola, sempre mantendo a atividade competiva.

“O jiu-jitsu não é um desporto de ataque, mas ensina a neutralizar alguém em caso de agressão”

Daniel Formiga

Entretanto conseguiu encontrar horários para lecionar no Pavilhão Rainha D. Leonor, mas, com a pandemia, este local foi transformado em centro de testes ao coronavírus e a escola nunca abriu. Foi necessário procurar uma alternativa e os Silos, através do mentor Nicola Henriques, abriram as portas. “O único espaço era no 7º andar, mas ele sugeriu que falasse com o Marco Groba, da Associação A062”, que tem a pequena sala de concertos na antiga moagem. O que fez. A sala foi adaptada e, com todas as regras de segurança, começaram as aulas de jiu-jitsu. Entretanto, com o novo confinamento, as aulas pararam e o espaço na sala de concertos foi desmontado. “Continuamos a acompanhar os alunos via Zoom e é interessante que as famílias fazem as aulas com eles”, frisa. Atualmente, tem 16 alunos, 4 crianças e 12 adultos. No futuro a escola deverá funcionar no Pavilhão Rainha D. Leonor.
Pelo Oeste, o desportista apaixonou-se pela caldense Maura Lago, com quem namora. Dada a ausência de competição na Europa, o casal, que representa a equipa Karkará BJJ, vai regressar ao Brasil para participar num campeonato no berço do jiu-jitsu brasileiro, o Rio de Janeiro. Uma das maiores dificuldades é a questão burocrática nestes tempos de pandemia. Outra é a falta de patrocínios, que os obriga a suportar praticamente todas as despesas, com a ajuda dos pais. Neste caminho de treinador e professor, Daniel Formiga partilha a história de uma criança que sofria bullying na escola e que começou a ter aulas de Jiu-jitsu com ele. “A auto-estima e a postura alteraram-se e um dia quando o foram agredir ele defendeu-se”, contou. “Venho da área da competição, mas estas situações fazem apaixonar-me ainda mais pelo desporto”, resume, acrescentando que aprendeu mais com esta criança do que o oposto. “Eu é que sou aluno dele”, afirma. ■