Cadaval capitaliza potencial económico para projeção regional

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Rotunda da Europa é um dos pontos distintivos de um concelho rural e do interior, mas virado para a afirmação internacional

Organizações com peso regional e nacional escolheram concelho para instalar as sedes

A Rotunda da Europa assinala, à entrada da vila do Cadaval, a importância que a União Europeia (UE) tem representado para o concelho, que desde a adesão do nosso país à então Comunidade Económica Europeia, conseguiu que as verbas comunitárias contribuíssem decisivamente, quer ao nível económico, quer ao nível social, para a modernização de um dos municípios mais rurais do Oeste.
Foi inaugurada a 24 de setembro de 2006. Nesta rotunda, única no Oeste e, porventura, em todo o país, os mastros das bandeiras marcam simbolicamente cada um dos países da UE. A edilidade quis, com esta obra pública, “homenagear e perpetuar o papel de relevância que a integração europeia representou para o Concelho do Cadaval”.
A ruralidade e o peso do sector agrícola no concelho fez com que tenha conseguido que algumas organizações, com peso regional e nacional, fixassem as suas sedes no seu território.

Peso da fruticultura no concelho permite ter no Cadaval empresas e instituições
de referência

É o caso da Leader Oeste – Associação de Desenvolvimento Rural, uma entidade privada sem fins lucrativos constituída em 1994 por entidades colectivas de natureza pública e privada. Sediada na vila cadavalense, o seu principal objectivo é dinamizar projectos individuais e colectivos ao nível ambiental, social e cultural que privilegiam os actores locais e promovam o desenvolvimento do meio rural da Região Oeste. A Leader Oeste é gestora do programa Leader e apoia financeiramente, e a fundo perdido, projectos que lhe sejam apresentados, elegíveis ao abrigo das iniciativas da União Europeia.
É através da Leader Oeste que também está sediado no Cadaval o Centro de Informação Europe Direct Oeste e Lezíria do Tejo, que tem como missão principal informar a população ao nível regional. Trata-se de um Organismo Oficial de Informação Europeia que actua como intermediário entre os cidadãos europeus e a UE. Aguarda-se pela decisão, nas próximas semanas, sobre o futuro da gestão desde centro, para o período 2021-2025, fruto do concurso lançado no ano passado pela Comissão Europeia. Caso a Leader Oeste vença mais uma vez este processo, verá o seu Centro Europe Direct crescer a zona territorial para abranger também o Médio Tejo. A rede foi estabelecida com cerca de 440 centros em 28 países da UE.
O peso que a fruticultura tem na economia do concelho levou a que, em 1993, tenha sido criada a Associação Nacional de Produtores de Pera Rocha (ANP), com sede na Sobrena. Trata-se de uma estrutura que representa cerca de 86% da produção deste fruto em Portugal. Reúne os principais intervenientes do setor: fruticultores, associações de fruticultura, centrais fruteiras, exportadores e outras entidades interessadas no desenvolvimento da pera rocha, como autarquias e instituições de crédito. A ANP coordena e incentiva uma política de qualidade para este fruto único e é a entidade gestora da Denominação de Origem Protegida (DOP) ‘Pera Rocha do Oeste’, reconhecida pela União Europeia. Além de promover a Pera Rocha no mercado nacional, a ANP tem ainda como missão a promoção externa desta variedade nacional.
Outro caso relevante foi a constituição da CODIMACO, que evoluiu de uma associação de certificação na área da fruticultura, em 1993, para uma empresa de certificação independente, em 2008, para certificar produtos agroalimentares. Tem como missão assegurar o cumprimento de referenciais normativos nacionais e internacionais, assim como os requisitos de mercado e de várias cadeias de retalhistas. A CODIMACO faz a avalização e certificação da Pera Rocha do Oeste (DOP), Maçã de Alcobaça (IGP), Mel da Serra da Lousã (DOP), Queijo Rabaçal (DOP), Ginja de Óbidos e de Alcobaça (IG), para além de produtos agrícolas obtidos através do cultivo em modo de Proteção Integrada. Reconhecida oficialmente pelo Ministério da Agricultura, a empresa está acreditada pelo IPAC – Instituto Português de Acreditação. Com sede no Cadaval, tem também protocolos privados com grupos empresariais da área do retalho alimentar, como o Clube de Produtores Continente e Vida Auchan – Qualidade Sustantável. Assegura, ainda, serviços para a exportação de frutas e vegetais, condições de trabalho e boas práticas sociais, entre outras áreas.
A APAS Floresta – Associação de Produtores Florestais, com sede em Palhais, foi criada em 2003 e tem como principal objetivo a defesa e promoção dos interesses dos produtores e proprietários florestais e o desenvolvimento de ações de preservação e valorização dos ecossistemas florestais. Tem como principal área de intervenção 23 concelhos do Oeste, contudo, com a expansão do Grupo de Gestão Florestal Certificada, tem atuado noutras zonas como, Ourém, Leiria, Santiago do Cacém e Odemira. Os objetivos da associação passam pelo aumento da sustentabilidade e rentabilidade dos espaços florestais, pelo uso racional dos seus recursos, através da profissionalização da gestão florestal; pelo fomento da gestão florestal sustentável; pelo apoio aos seus associados na gestão e otimização da produção e rendimento do património florestal; e no desenvolvimento de atividade que no seu conjunto diminuam o risco de ocorrência de incêndios florestais. ■