Hospitais privados para Caldas da Rainha e Nazaré não passaram de promessas

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Em 2008 e 2009, as autarquias de Caldas da Rainha e da Nazaré entusiasmavam-se com o interesse demonstrado por investidores privados em construir hospitais privados nos dois concelhos. Mas apesar de terem procurado viabilizar esses projectos, o certo é que estes nunca saíram do papel e não se sabe se algum dias virão a ser uma realidade. Nas Caldas mantém-se o interesse, mas a conjuntura levou à recalendarização do investimento. Na Nazaré, os promotores israelitas que em 2008 anunciaram um investimento de 200 milhões de euros, simplesmente desapareceram.

Dois anos e meio depois de ter aprovado a instalação de um hospital privado nas Caldas da Rainha, a autarquia diz que não voltou a ser contactada nesse sentido. O presidente da Câmara, Fernando Costa, recorda à Gazeta das Caldas que há dois anos indicaram como possível local de implantação os terrenos a norte do Cencal e sabe que há “grupos económicos interessados”. No entanto, “até à data não foi solicitada à autarquia licença para começar as obras”.
A entidade promotora da iniciativa foi a S7ven, uma empresa que existe desde 2006 e se dedica à actividade de montagem de negócios imobiliários. Propôs para as Caldas um hospital com uma área de sete mil metros quadrados e que deveria trabalhar fundamentalmente para companhias de seguros e para doentes que tenham seguros de saúde, a exemplo do que já existe noutras cidades, como Leiria ou Torres Vedras. A localização nas Caldas foi justificada pela sua centralidade e ligação às auto-estradas, servindo as pessoas que possam estar a 30 minutos da cidade. a empresa não divulga o montante previsto para este investimento.
Em Janeiro de 2010 Fernando Costa disse à Gazeta das Caldas que este equipamento “apesar de privado não deixa de ser mais uma unidade de saúde nas Caldas” e que deveria empregar 280 pessoas, entre profissionais de saúde e administrativos.
Contactada pela Gazeta das Caldas, a empresa refere que o projecto continua vivo, “tendo já inclusive uma  localização identificada, no centro das Caldas da Rainha”, diz Fernando Barbosa, escusando-se a revelar mais pormenores sobre o local. Mas a  conjuntura económica obrigou a uma nova calendarização do  projecto e a abertura do hospital, inicialmente prevista para 2013, foi adiada para 2015, acrescenta o responsável.
“O investimento resulta de uma parceria entre o dono  do terreno e um grupo de investidores local, reforçado com financiamento  bancário. A entidade gestora é nacional e sediada em Lisboa”, disse o representante da S7ven.

NINGUÉM SABE DOS ISRAELITAS

Já na Nazaré, parece não haver forma de contactar o grupo de investidores estrangeiros, maioritariamente israelitas, que queriam construir ali um hospital de vanguarda. E por isso mesmo, não se sabe em que pé está o projecto.
A Câmara Municipal da Nazaré e a Câmara de Comércio Luso-Israel assinaram, em 2008, um protocolo que abria caminho à instalação de uma unidade de saúde com tecnologia de ponta no concelho e a autarquia chegou mesmo a disponibilizar um terreno municipal na Pederneira e a alterar o Plano Director Municipal para que aquele equipamento ali se pudesse instalar.
Em 2009 o representante dos investidores, Leon Edery, reafirmava que o hospital começaria a ser construído em 2010 para entrar em funcionamento em 2012, após um investimento de 200 milhões de euros. Quando estivesse a funcionar, a unidade disponibilizaria 250 camas e abrangeria um vasto rol de especialidades médicas, entre as quais Maternidade e Cirurgia, bem como um centro de ensino superior de Medicina. Seriam criados 500 postos de trabalho no novo equipamento, que contaria ainda com unidades de residência assistida e serviços de investigação.
Mas já há muito tempo que a autarquia nazarena não sabe de nada quanto ao projecto. Desde 2011 que Gazeta das Caldas tenta obter esclarecimentos junto da Câmara de Comércio Luso-Israel, mas todos os e-mails são devolvidos e o contacto telefónico divulgado na página da entidade continua indisponível.
No início deste ano foi a vez da autarquia nazarena tentar contactar os investidores, com uma missiva onde era afirmado que a importância do projecto “não é compatível com esta ausência formal de notícias, sobretudo, quanto à viabilidade do mesmo”. À Câmara de Comércio Luso-Israel e ao representante do grupo de investidores, Leon Edery, foi dado um prazo de dez dias para que estes informassem a autarquia “sobre a manutenção do interesse na construção do hospital de capitais privados na Nazaré”. Passado esse prazo, “o município deverá proceder em conformidade”, abrindo-se assim caminho à desafectação do terreno camarário cedido para o projecto.
Meio ano depois, a autarquia continua sem resposta, uma vez que foram devolvidas as cartas enviadas. Questionada pelo nosso jornal, a Câmara da Nazaré limita-se a dizer que o processo “está em desenvolvimento”, escusando-se a adiantar mais pormenores quanto ao que pretende fazer. O assunto deverá ser debatido na sessão da Assembleia Municipal que se realiza esta noite, 29 de Junho.

Fátima Ferreira
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Joana Fialho
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