Humberto Campana cria nova peça para a coleção WWB, da Bordallo Pinheiro

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Dora, de Humberto Campana, é inspirada em “Lobo e o Grou”

Inspirada em “Lobo e Grou”, a peça Dora é uma chamada de atenção para o respeito animal em consequência do aquecimento global

A Bordallo Pinheiro lançou, no passado dia 21 de maio, a peça Dora, uma nova adição à coleção WWB – WorldWide Bordallianos, que foi desenvolvida em parceria com o designer brasileiro Humberto Campana.
A peça foi inspirada numa notícia de 2019, sobre um urso polar encontrado a revirar lixo na Ucrânia. Dora é, assim, um “retrato cruel das consequências da crise ambiental”, refere a Bordallo Pinheiro, e tem como base a intervenção artística que o designer realizou sobre a escultura “Lobo e o Grou”, de Rafael Bordallo Pinheiro.

Coleção WWB convida artistas de diferentes áreas a reinterpretar a obra de Bordallo

Numa situação semelhante à da notícia, o lobo alimenta-se de restos inapropriados, como uma escova de dentes, embalagens de medicamentos e correntes.
Humberto Campana refere que a peça pretende fazer “uma chamada de atenção para o desrespeito com a vida animal e a arrogância do mundo civilizado, que fecha os olhos ao impacto do seu comportamento irresponsável, ignorando que essa cadeia de destruição é circular e, inevitavelmente, vai afetar todo o planeta”. O artista deu à peça o nome do seu próprio cão.
Dora é uma peça em edição numerada e limitada a 135 unidades, com o valor de 4500 euros. Vai estar à venda através de subscrição, que pode ser feita na loja online da Bordallo Pinheiro, ou através do serviço direto de encomendas, pelo telefone 234320780.
A coleção WWB – WorldWide Bordallianos, surge na sequência de “7 Bordallianos de Portugal” e “20 BB – Bordallianos do Brasil”. Trata-se de um projeto que alia artistas plásticos, designers e produtores de moda nacionais e estrangeiros, que são convidados a reinterpretar “Bordallo” com o seu cunho pessoal. A coleção já integra as peças Figo, de Paula Rego, Banana Prata da Madeira, de Nini Andrade Silva e Quimera, de Alexandre Farto aka Vhils.

Coleção de prestígio
Nuno Barra, administrador da Bordallo Pinheiro, refere que a peça desenvolvida por Humberto Campana “vem valorizar sobremaneira este projeto” e sublinha que esta é uma coleção que “muito prestigia a Bordallo Pinheiro e o génio artístico do seu criador, Rafael Bordallo Pinheiro”.
A coleção vai na quarta peça, mas Nuno Barra adianta que não ficará por aqui. “Queremos continuar a engrandecer, tendo já em mente novas criações ou reinterpretações da obra bordalliana com outros nomes de grande prestígio internacional”, afirma, acrescentando que ter grandes artistas, de várias áreas, a dar nova vida às peças bordallianas, é “um claro sinal de que a Bordallo Pinheiro é uma marca intemporal”.
O Estudio Campana foi fundado em São Paulo pelos irmãos Fernando e Humberto Campana, reputados pela incursão no design disruptivo. Com um percurso iniciado em 1983, “criaram uma linguagem inovadora, fortemente enraizada na cultura e tradições brasileiras – as cores, as misturas, o caos criativo, – bem como em valores universais, entre eles a liberdade e a dignidade humana”, realça a Bordallo Pinheiro.
As peças criadas dos autores brasileiros fazem parte de acervos permanentes de instituições culturais como o Centre Pompidou e Musée Des Arts Décoratifs em Paris, o MoMa – Museum of Modern Art de Nova Iorque, o Museu de Arte Moderna de São Paulo e o Vitra Design Museum, Weil am Rhein, na Alemanha. ■