Oppidum foi galardoada como o melhor licor de fruta português

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Dário e Marta Pimpão são os gerentes da Oppidum, fundada em 1987

A autenticidade e o fato do licor ser feito com muita fruta, são as caraterísticas que fazem da Oppidum uma ginja especial. Criada em 1987, é exportada para mais de duas dezenas de países e aposta agora em produtos personalizados

O prémio que a ginja de Óbidos Oppidum recebeu recentemente, no concurso internacional World Liqueur Awards, de melhor licor de fruta português, vem reforçar e abrir novas portas nos mercados internacionais. O licor, que que é feito no Sobral da Lagoa, pela família Pimpão, já está presente em mais de 20 países, sendo que os principais importadores são a Suíça, Estados Unidos, Reino Unido e Austrália. “Com a pandemia o mercado brasileiro foi o que ficou mais afetado ao nível das compras”, explica Marta Pimpão, filha do fundador e gerente da empresa. Mas há novos mercados a ser trabalhados, nomeadamente em países grandes, estão a tentar a mais zonas e ao máximo possível de clientes.
O licor de ginja que o comité independente classificou como “terrosa e apaladada no olfato, possui muitos frutos de caroço maduro como a ginja, a ameixa, o abrunho e o sloe. Digestiva e xaroposa no paladar, com uma boa fruta suculenta e um final muito longo e frutado”, é feita com fruta que compram, na grande maioria, a produtores do Sobral da Lagoa. A pandemia teve consequências mais ao nível dos consumos, explica Marta Pimpão, lembrando que o ano passado, como habitualmente, a empresa recebeu a ginja nos meses de junho e julho, ainda que tenha sido um ano de pouca produção. Esses frutos são logo colocados em álcool, permanecendo assim vários anos, antes de ser feito o licor. Neste momento estão a trabalhar com ginjas de 2016, que há cinco anos que já estão numa infusão hidro alcoólica, de forma a conseguir-se obter um extrato alcoólico saturado em ginja e no qual o álcool extrai o sabor, desde a polpa ao caroço, o que confere a singularidade do sabor. “Há quem faça licor com ginjas ao fim de três semanas, mas não faz Oppidum”, refere a responsável, salientado que a concentração de fruta e o tempo que fica a macerar fazem a diferença do licor, que é composto por ingredientes simples: ao fruto e ao álcool são apenas adicionados água e açúcar.

“O prémio acaba por consolidar o que temos vindo a fazer”

Marta Pimpão

“O mercado brasileiro foi o mais afetado com a pandemia”

Marta Pimpão

A empresa familiar, que dá emprego a duas pessoas, estava a aumentar anualmente, entre 5 a 10% a sua produção e faturação antes da pandemia. Isso traduz-se em dezenas de milhar de garrafas de vários tipos, desde a miniatura à box de 4,5 litros, sendo que a mais vendida é a garrafa de meio litro com fruta.
A pandemia levou também a que a empresa, virada para o consumidor por grosso, tivesse de se adaptar, criando uma loja online. Criada por Marta Pimpão, começou a vender sobretudo na altura do Natal e está disponível apenas para fornecer o território nacional. Recentemente começaram a criar rótulos personalizados para empresas, casamentos, ou mesmo ofertas de amigos. Também é possível colocar uma mensagem na garrafa de ginja, ou seja, é gravado um vídeo e colocado o respetivo código QR no rótulo da garrafa.

Ginja e chocolate
A empresa familiar foi fundada em 1987, por Dário Pimpão, licorista autodidata e fundador da marca Oppidum, nome que se inspira em Óbidos, do latim Oppidum que define uma “cidade fortificada”. O produto que começou a ser comercializado, sobretudo em Óbidos, mas foi abrindo-se ao mundo. “A melhor publicidade que se pode ter é o passa a palavra”, conta Marta Pimpão, lembrando que as pessoas compravam a ginja nas lojas da vila, levavam para casa e bebiam com os amigos, que depois voltavam para também procurar o licor. Inicialmente a empresa tinha uma atividade paralela, de frutas em calda, e que era o grande peso do negócio, no entanto, a tendência foi-se invertendo e, desde o inicio deste século que Dário Pimpão passou a dedicar-se “aquilo que era realmente diferenciador, e que continua a fazê-lo”, refere a filha, mestre em Biologia Marinha mas que se dedicou à continuidade desta empresa familiar.
Para além do tradicional licor de ginja, a marca produz também o licor de ginja com chocolate. Na edição de 2005 do Festival do Chocolate, Dário Pimpão adquire uma caixa de chávenas de chocolate e sugere à sua parceira, a Loja do Vinho, em Óbidos, que experimente a venda do licor de ginja em chávena de chocolate, uma ideia que se revelou bem-sucedida. Já no Natal de 2011 surgiram os bombons recheados com licor de ginja, uma “descoberta que resulta do desafio de aliar o licor tradicional da ginja ao chocolate de qualidade”, revela a empresa.