No Painho há um laboratório de enologia onde se aperfeiçoa a qualidade do vinho

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No Painho (Cadaval) existe um laboratório de enologia há sete anos. O ProVinisLab tem actualmente cerca de 150 clientes de todo o país, sendo a maioria das zonas do Cadaval, Alenquer e Merceana – no Oeste -, mas também do Alentejo, pelos contactos do fundador, o enólogo António Ventura. Em 2018 este laboratório, onde se estuda e aperfeiçoa a qualidade dos vinhos, atingiu uma facturação de 125 mil euros, analisando cerca de 17 mil amostras.

“Queremos ser o laboratório de casa do agricultor, sem estar em casa dele”. É assim que Margarida Taveira, que assumiu a gestão do ProvinisLab há sete anos, caracteriza este laboratório de enologia. “O que nos distingue é que fazemos as análises que o agricultor precisa no dia-a-dia”, completa em conversa com Gazeta das Caldas.

Mas esse desígnio obriga a um esforço suplementar. É que os dados analisados são para o imediato. “Temos que responder no próprio dia ou, no máximo, no dia seguinte”, explica.

Mas o que faz afinal um laboratório de enologia? Simples! Trata de todas as análises necessárias à produção de um bom vinho. Para tal aqui analisam-se, por exemplo, as uvas para perceber o estado de maturação e definir a data da colheita. Os vinhos também são analisados em termos físico-químicos e microbiológicos, o que permite perceber todas as suas características e corrigir possíveis defeitos. Estas análises fazem-se com recurso a tecnologias modernas, que em três minutos conseguem despachar o trabalho que antigamente demorava cerca de um dia a fazer.

Durante a visita, aparece um produtor, que deixa uma garrafa com uma amostra e que pede, lá está, a resposta para o próprio dia. “Não podemos perder o que nos qualifica, que é esta proximidade e o acompanhamento diário”.

Mas as uvas são apenas uma parte do processo de fazer vinho. “Aqui só analisamos uvas e vinhos, mas temos parcerias para analisar solos, foliares e águas”, explica. O objectivo não é ter um grande laboratório internacional, mas sim “servir os produtores e as adegas da região, com todo o tipo de apoio necessário”. Nesse sentido, durante todo o ano têm um serviço de recolha gratuito, com uma carrinha que sai uma vez por semana (sendo que na altura das vindimas dobra a frequência para duas saídas semanais).

Em sete anos o ProVinisLab tem vindo a construir uma carteira de clientes diversificada que vai desde os pequenos produtores às grandes adegas. “É interessante porque temos essas duas vertentes de negócio”, refere. Actualmente são já cerca de 150 clientes de todo o país, sendo que a maioria se localiza nas zonas do Cadaval, Alenquer e Merceana, mas também no Alentejo, aí por influência do fundador, o enólogo António Ventura. É que o ProVinisLab nasce precisamente como laboratório de apoio deste enólogo. “Era aqui, por baixo da sua casa, que ele fazia as suas análises e as suas experiências”, explica Margarida Taveira. Isto há mais de 30 anos. Foi então, em 2012, que o espaço se tornou num projecto mais abrangente, até para responder a várias solicitações que recebia.

Começou com duas colaboradores e em apenas um ano o volume de negócios duplicou. O trabalho foi aumentando e os recursos humanos também. Hoje são já quatro técnicas de laboratório, todas mulheres. Em 2018 a facturação cifrou-se nos 125 mil euros. “Tem vindo a manter-se, até porque não temos infraestruturas e pessoal para fazer muito mais, ainda que haja sempre espaço para crescer”, esclarece.

Ligeiro aumento previsto para este ano

No último ano foram analisadas no ProVinisLab 17 mil amostras de uvas e vinho e este ano já ultrapassaram as 10 mil, o que leva Margarida Taveira a estimar que no final do ano esse valor fique ligeiramente acima de 2018.

Há um pormenor neste negócio que é fundamental: o código de ética. É que um laboratório de enologia tem dados de vários concorrentes e tem de manter segredo de cada um. “É preciso muita confiança e temos conseguido criá-la porque não referimos nada do que se passa em casa deles”, faz notar a sócia-gerente, acrescentando que “os nossos clientes são nossos amigos, nós conhecemos os seus vinhos e temos o histórico, podemos alertá-los quando há necessidade”.

Estando num laboratório de vinhos nesta altura em que as vindimas estão a começar era irresistível perguntar quais as expectativas para este ano. “Pelo que temos visto, vai ser um ano de muito e bom vinho”, revela Margarida Taveira.