Correio de leitores
A liberdade de expressão é um princípio basilar de uma sociedade democrática. Prevista na Constituição da República Portuguesa, no seu artigo 37º, esta liberdade integra o direito de exprimir e divulgar livremente o pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informado, sem qualquer discriminação, impedimento ou limitação — nomeadamente por qualquer tipo de censura. Não obstante a enorme relevância que assumem em qualquer Estado de direito, estes direitos e liberdades têm os seus limites naturais, os quais decorrem de outros direitos igualmente protegidos pela Constituição. Assim, a liberdade de expressão cessa quando se traduzir numa ofensa injustificada à integridade moral, ao bom nome ou à honra de outra pessoa. Eis-nos aqui chegados para manifestar a nossa veemente repulsa às afirmações proferidas pelo deputado municipal do Chega, na última Assembleia Municipal, quando se referiu à Gazeta das Caldas e à atribuição da medalha de honra da cidade, por parte do município, pelo seu centenário. E repulsa, não pela sua opinião, que o vincula a ele próprio, mas porque o que refere é falso quando diz que “é uma hipocrisia premiar um órgão que deturpa a realidade ao serviço de uma fação”, colocando em causa o bom nome e profissionalismo dos jornalistas que trabalham no jornal e que, semanalmente, dão provas de rigor informativo, imparcialidade e pluralidade de opiniões do que é publicado.
Esta tentativa de descredibilização, que infelizmente começa a ser comum, de alimentar desinformação e tentar fragilizar a credibilidade do jornalismo, é cada vez mais uma realidade num tempo marcado pela proliferação de opiniões. A crítica à comunicação social é legítima e necessária, quando assenta em
factos, coerência e responsabilidade. Quando isso não se verifica, é ruído…. E a Gazeta das Caldas, com os seus 100 anos, é a prova de que o jornalismo, quando feito com rigor, não muda de valor consoante o interesse e a conveniência de quem a lê. Ainda que alguém tente.
À redação da Gazeta das Caldas, como no primeiro dia, “não nos movem inimizades, não nos sacodem vaidosos desejos de grandeza”, continuando “livre, em absoluto, de toda a política de partidarismos”. Gazeta das Caldas







