Cheira a centenário

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Francisco Rebelo dos Santos
presidente da Cooperativa Editorial Caldense

Celebrar 96 anos é um privilégio raro, que permite à Gazeta das Caldas fazer parte de uma história que tem muito para contar, um valioso arquivo vivo, com décadas cheias de acontecimentos, fruto de um percurso de resiliência, iniciado num tempo em que saber ler e escrever estava apenas ao alcance dos mais afortunados.
A Gazeta noticiou conflitos mundiais e nacionais, resistiu ao tempo da censura, e celebrou a chegada da democracia. São muitos dias, como se fosse um tempo sem fim, anos dourados e épocas conturbadas, páginas de vida, momentos feitos pelas mãos de gente humilde, lado a lado com artistas e artesãos.
Como se de uma bandeira se tratasse, a Gazeta afixou nas suas páginas o poder de águas que curam, durante dezenas de anos noticiou toda a vida vibrante centrada nas termas. Mais tarde, deu conta da dor de uma cidade sem termas que mergulhava na incerteza. As suas páginas foram eco da urgência em vencer a incúria de um tempo adiado, até que, finalmente, juntou letras para construir palavras de esperança e celebrar a boa notícia da reabertura termal.
Há todo um rio de vida em que a Gazeta das Caldas se afirma e corre, sempre sem se submeter ou comprometer com a defesa de interesses alheios aos seus leitores. A Gazeta foi e é uma voz incómoda, mas responsável e positiva, que defende o seu território, dando voz a todos os sectores, nomeadamente os mais excluídos e ignorados pela sociedade.
Um título da imprensa regional que resiste ao tempo e se afirma de forma crescente é um caso ímpar, um sublinhado de uma marca de informação onde o peso dos anos não é uma âncora no passado, mas sim um alicerce profundo que projeta o futuro num quotidiano marcado por transformações à escala global, plasmadas em cada esquina das aldeias, vilas e cidades do Oeste estremenho que é pátria da Gazeta.
Quem vive a imprensa regional ou quem observa os seus desafios, tem na Gazeta das Caldas um exemplo em múltiplos domínios. Nas páginas deste jornal, e nos caracteres que usa nas plataformas digitais, a Gazeta é história e vanguarda, referência incontornável na vida da cidade e numa vasta região que tem nas Caldas da Rainha um espaço que agrega, num tempo e modo feito de reflexos de valores, com emoções de um conjunto de terras que é bem maior do que soma das partes.
A Gazeta é das Caldas, é de Óbidos, é do Sul e do centro do distrito de Leiria. A Gazeta é do Norte do distrito de Lisboa e é de Rio Maior, no distrito de Santarém. A Gazeta chega aos pequenos lugares e às grandes capitais do mundo. É assim há 96 anos.
A convite do seu diretor, José Luís Almeida e Silva e do principal responsável pela gestão da proprietária Cooperativa Editorial Caldense, Fernando Xavier, tenho acompanhado, por dentro, as transformações que ao longo dos últimos anos permitiram à Gazeta dar um enorme salto na relação com os seus leitores e com a região que serve.
A evolução verificada só é possível graças à equipa extraordinária que diariamente trabalha com entusiasmo nesta missão. Esta equipa, liderada no dia a dia por Joaquim Paulo, está de parabéns e é a certeza de que o melhor está para chegar. A Gazeta tem o mérito dos seus profissionais e a sorte, bem merecida, de contar com o apoio, carinhoso, mas exigente, de milhares de leitores.
Parabéns e longa vida. O centenário está já ali, ao virar da esquina. ■

Quem vive a imprensa regional ou quem observa os seus desafios, tem na Gazeta das Caldas um exemplo em múltiplos domínios