Montepio – O urgente desafio da modernidade

0
128

Carlos Querido
Candidato a Presidente da Mesa da Assembleia Geral pela Lista A “Montepio XXI”

 

Após mais de dez anos como presidente da AG do Banco Alimentar, confrontei-me com um insistente convite para me candidatar a idênticas funções no Montepio. Pedi dispensa, sugeri outros nomes, mas não fechei a porta por imperativo de cidadania. Havia uma única lista e assim foi até ao último dia. Adiado o ato eleitoral, surgiu uma lista concorrente. Bem-vindos ao debate e ao confronto dos projetos e das ideias que revitalizam as Instituições.
O Montepio é uma herança coletiva que devemos preservar para o futuro. E o futuro, que é urgente, já começou, numa encruzilhada onde é necessário escolher o melhor caminho.
Com 160 anos de credibilidade e de experiência, o Montepio Rainha Dona Leonor está vocacionado para oferecer à cidade um Hospital com o seu nome no excelente espaço que adquiriu para o acolher.
Utente dos serviços da Casa de Saúde, tantas vezes perdido nos labirintos de corredores, escadas e caves, no espaço exíguo onde os profissionais fazem o impossível para responder às solicitações, sempre me questionei sobre a paragem no tempo, a perda de oportunidades, a ultrapassagem por concelhos vizinhos, no que respeita a um dos mais relevantes índices de bem-estar da Cidade: a oferta de serviços de saúde.
A nova Clínica, o Hospital com o nome do Montepio, que se confunde com o da Cidade, é um projeto que urge e não pode parar. Não há desculpas para adiamentos. A modernidade conquista-se, não se adia. Foi-me apresentado um projeto sério, credível, arduamente negociado com um parceiro de prestígio nacional, protagonizado por pessoas de inquestionável honestidade. Obtida a necessária aprovação do Conselho Superior da Magistratura, eis-me envolvido. Discuta-se o projeto, mas não se ignore, não se faça como se ele não existisse, não se volte à estaca zero, porque a Cidade espera, e desespera. Quem me conhece sabe que prefiro a penumbra discreta e que só o dever de cidadania e o espírito de missão me poderiam levar a envolver-me neste processo que me traz o desconforto da exposição pública. Mas o empenhamento social é um dever de cidadania e todas as escolhas têm um preço.
Não conhecendo a quase totalidade dos elementos da lista contrária, tenho enorme apreço pelo meu opositor direto, e espero que neste processo eleitoral se discutam apenas ideias e projetos concretos, sem outras motivações que não sejam o bem da Instituição e da Cidade.
Sendo mais do que legítimas as divergências, a luta por uma Instituição como o Montepio só pode ser fraterna, motivada por ideais nobres de serviço da Comunidade, entre irmãos divergentes mas não desavindos. Todos fazem falta nos desafios que nos interpelam.
Caso vença a Lista A, a minha primeira preocupação será sarar as feridas que possam resultar da luta eleitoral, unir, congregar, garantir a paz social, honrar a tradição de quase dois séculos do Montepio. ■