Murmúrios

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                             Jorge Sobral

Na última Assembleia Municipal em Caldas da Rainha, e no seguimento de uma saudação de um dos eleitos à nova presidente da Santa Casa da Misericórdia de Caldas da Rainha, a vereadora Maria da Conceição, foi manifestado por um outro eleito, Duarte Nuno, a sua insatisfação pelo facto da esmagadora maioria das Associações estarem aprisionadas pelo PSD.
Ou seja, os tentáculos do poder autárquico garantindo assim que as colectividades no concelho não fujam ao seu controle.
No entanto, todos sabemos que existem situações que não correspondem a este padrão.
Muitas são aquelas que não se enquadram nesta classificação.
No entanto nem sempre as candidaturas a estas instituições se desenvolvem com a naturalidade que seria de desejar
Isso acontece quando os partidos passam a ter como plano de ação a conquista desta ou daquela coletividade, não pela valorização do trabalho ali desenvolvido, mas por razões de mero controle político, que mais tarde irá servir para perpetuar o poder, fazendo depender a posição desta, os apoios que o poder distribui.
É aqui que entram as preocupações que o eleito pelo CDS, Duarte Nuno, manifestou.
Os exemplos de exagero desta apetência partidária estão plasmados por toda a sociedade caldense.
Este clamor não foi o primeiro.
Todos estão lembrados com o caso recente da Associação Comercial, que levou ex-dirigentes desta, a denunciar o assalto pelo PSD, que foi, aliás, divulgado neste jornal.
Muitas vezes o controle dessas colectividades, faz-se pelo convite a dirigentes das mesmas para as listas autárquicas.
Um dos exemplos mais elucidativos foi a elaboração da Lista para as últimas eleições autárquicas para a União de Freguesias de Santo Onofre, onde pontificava a presidente dos Pimpões, a presidente do Arneirense e do Monte Olivete.
Algumas pessoas e até associados dessas coletividades acabam (por oportunismo), aceitar, pois assim têm a possibilidade de ver os seus dirigentes, participarem nas decisões, nomeadamente na distribuição de subsídios.
Mas nestas coisas a gula é constante. O universo de escolha pode ser grande, mas existem algumas instituições mais apetecíveis que outras, e já se murmura pelos corredores, numa nova etapa. Conquistar a Associação de Socorros Mútuos Rainha D. Leonor.
Há instituições que ao longo da sua história e a do Montepio é muito longa, têm conseguido sobreviver, colocando fora do espectro partidário a sua vida quotidiana.Sempre nos habituámos a ver nos seus corpos sociais pessoas de vários quadrantes políticos e outros sem qualquer ligação partidária.
Será a primeira vez, se tal acontecer, que haverá uma intenção clara de uma força partidária ter como objetivo capturar aquela instituição.
Não estão em causa as pessoas que possam participar, algumas até podem nem sequer estar avisadas, o que está mal é propósito político da ação.
Que seja só um murmúrio. Digo, sem fundamento.
Mas em política o que parece é.■

Jorge Sobral