AD venceu nas Caldas e em Óbidos, mas PS venceu no Oeste

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A Aliança Democrática foi a mais votada em cinco dos 12 municípios oestinos, entre os quais nas Caldas e Óbidos. Europeias com cadernos desmaterializados permitiram o “voto mais rápido de sempre”

O Partido Socialista foi o mais votado a nível nacional nas Eleições Europeias que decorreram entre 6 e 9 de junho. A nível nacional, conseguiram a eleição de oito eurodeputados (menos um do que há cinco anos). A AD, cujos partidos que compõem a coligação tinham sete eurodeputados, manteve a sua representação. Bloco de Esquerda e CDU, tinham dois eurodeputados cada e ficaram com um. Chega e Iniciativa Liberal elegeram dois eurodeputados cada e o PAN, que tinha um, fica sem representação.
No Oeste a maioria das Câmaras deu vitória ao PS, que em 2019 tinha sido o mais votado em todas as 12. Desta feita, Bombarral, Peniche, Nazaré, Cadaval, Alenquer, Sobral de Monte Agraço e Arruda dos Vinhos mantiveram-se “socialistas”, ao passo que nos restantes cinco municípios houve uma viragem à direita, com a AD a vencer nas Caldas (subiu 5%) e Alcobaça (onde registou a maior votação na região, com mais de 37%, num aumento de 10%). Em Óbidos e em Torres Vedras a AD venceu por, praticamente, meio por cento.
Algumas notas deste ato eleitoral, é que nas Caldas houve quase 20 mil votantes, um aumento a rondar os dez pontos percentuais face a 2019, em que votaram mais de 15 mil pessoas. Também os votos em branco e nulos registaram uma grande descida. Mas as Eleições Europeias 2024 ficam marcadas pela utilização dos cadernos eleitorais desmaterializados, uma novidade que permitiu que este fosse “o voto mais rápido de sempre” ao possibilitar às pessoas que votassem numa qualquer mesa. Durante o dia foi noticiada uma média, a nível nacional, de 49 segundos para exercer o direito do voto. Nas Caldas efetivamente sentiu-se a diferença, praticamente sem filas de espera e com o assunto a ser tema de conversa nos corredores da escola. O dia de votação decorreu praticamente sem incidentes, exceptuando o período entre as 11h30 e as 12h00, com o problema no servidor, que causou constrangimentos a nível nacional.

As reações dos partidos
Pedro Seixas, do PS Caldas, destaca que “nas Caldas e no resto do país não foi diferente, os portugueses deram uma maioria clara e inequívoca aos partidos pró-europeus, dando um sinal que a defesa de Portugal se faz numa Europa de inclusão e de diálogo permanente com os estados-membros, respeitando as liberdades e garantias de todos”. Ainda assim, frisa, “devemos estar atentos e vigilantes ao que se passa nos países mais industrializados da zona Euro e não deixar que movimentos anti-Europa ganhem palco de discussão e que coloquem em causa os valores e objetivos da União Europeia”.
Daniel Rebelo, do PSD Caldas, frisa que neste município, “apesar do voto em mobilidade não permitir conclusões absolutas, fica claro que a AD volta a ganhar e a confirmar ser uma força política em crescimento no concelho”. O mesmo responsável destaca a inovação do voto em mobilidade e o seu peso na redução da abstenção e realça que “os resultados acabam por confirmar a situação de equilíbrio que se verificou no passado mês de março”, sendo que “para os partidos da AD, este resultado não pode ter sabor a derrota, sobretudo porque a leitura nacional que se poderia retirar deste resultado é inconsequente, se não mesmo de reforço da legitimidade política do governo”.
Por sua vez, Gabriel Mithá Ribeiro, do Chega, admite que “o resultado não é bom, depois da votação que tivemos em março”. O partido queria eleger entre quatro e cinco eurodeputados. Ainda assim, “não há drama nenhum no resultado, porque a abstenção foi muito maior do que em março, o que dá uma outra interpretação aos resultados” e porque “somos um partido popular, que tenta chegar aos problemas do senso comum da realidade quotidiana e, para os portugueses, que têm sido muito mal governados nas últimas décadas, a Europa acaba por ser um grande apoio, pelo que aquela ideia de rutura em relação ao sistema político vigente não funciona em relação à Europa”, diz, salientando que “não pode haver uma transposição dos resultados de ontem para o que é a dinâmica da política nacional”.
Carlos Ubaldo, do Bloco de Esquerda, salienta a importância de “o Bloco ter conseguido uma voz, muito importante, no Parlamento Europeu”, elogiando o trabalho da agora eurodeputada Catarina Martins. “É uma porta-voz daquilo que neste momento é mais importante do que nunca, que é defender uma Europa acossada por movimentos perigosos”, nota, garantindo que “o BE estará sempre na primeira linha da defesa dos direitos humanos, que inclui os direitos de última geração, como o ambiente”. A defesa dos direitos das minorias e das mulheres, mas também a questão das migrações estarão no topo da agenda dos bloquistas. “É preciso a Europa estar preparada para dar resposta a isso, muito mais do que esta corrente de militarização e corrida às armas”, defende, notando que “há uma guerrra e um agressor”, mas lembrando que “esta escalada é muito perigosa”. Nas Caldas “não se pode dizer que é um bom resultado”, com os bloquistas a perderem cerca de 700 votos, mas ainda assim acima da média nacional. “Foi uma pena que outros partidos, como o PAN ou o Livre, não tenham tido a possibilidade de estar representados”.
Inês Palma, da CDU, realça que a coligação “mantém uma expressão eleitoral significativa e mantém um eurodeputado”, referindo que “apesar de todas as adversidades é o resultado possível, não o desejável” e que a CDU fez “uma campanha para lá do resultado”. Garante o compromisso de continuarem na Europa a fazer o que fazem em Portugal: lutar pelos direitos.
Gazeta questionou também a Iniciativa Liberal, mas não obteve resposta até ao fecho de edição. ■