Francisco Rodrigues dos Santos visitou a fábrica e contactou com alguns dos trabalhadores

O presidente do CDS, Francisco Rodrigues dos Santos, visitou, no passado dia 26 de Junho, a Molde Ceramics, empresa instalada na zona industrial das Caldas da Rainha, onde defendeu a revitalização da industria portuguesa, sob o chapéu do “patriotismo económico”. Para o líder daquele partido, o Governo tem de ir para o terreno e dar um sinal às empresas, pagando as dívidas aos fornecedores.

O “desconfinamento em trabalho” para auscultar os empresários sobre os efeitos da crise pandémica na economia nacional trouxe o líder dos centristas às Caldas da Rainha, onde visitou a empresa Molde Ceramics.
Guiado pela sócia e administradora da empresa criada em 1982, Ana Maria Pacheco, Francisco Rodrigues dos Santos ficou a conhecer o processo produtivo e defendeu a valorização das marcas portuguesas como factor de alavanca para o crescimento económico e evitar uma recessão.
“A indústria da cerâmica tem um peso muito significativo no distrito de Leiria e representa, ao nível das exportações, uma fatia muito significativa da facturação”, disse, defendendo um maior apoio ao sector empresarial.
Esta revitalização do sector produtivo está sob a alçada de um chapéu que apelida de “patriotismo económico”.
O CDS defende uma injecção de liquidez nas empresas e o choque de tesouraria, que passa por estender o lay-off simplificado até ao final do ano, por eliminar os pagamentos por conta e criar um mecanismo de acerto de contas entre o Estado e os contribuintes.
Nas Caldas, o líder dos centristas considerou também que deve de haver uma duplicação das linhas de crédito e uma percentagem a fundo perdido, porque os “empresários não estão em condição de contrair mais dívida, que é apenas um alívio temporário”.
A visita decorreu a 26 de Junho, o dia em que, simbolicamente, os portugueses deixam de “trabalhar” para pagar os seus impostos e a data não foi esquecida por Francisco Rodrigues dos Santos, que criticou a elevada carga de impostos paga pelos contribuintes.
De resto, no ranking da União Europeia Portugal está em 14º lugar desta análise, o que significa que os portugueses trabalham 177 dias para pagar os seus impostos ao Estado.
“Nesta lógica de patriotismo económico também defendemos uma baixa de impostos, para ser atractivo o investimento”, disse o presidente do CDS, defendendo uma carga fiscal que estimule a criação de actividade económica, que promova o emprego, mas também modelos regulatórios que sejam flexibilizadores.

“GOVERNO TEM DE IR AO TERRENO”

O dirigente do CDS apontou o dedo ao Estado, dando conta que este tem uma divida a fornecedores na ordem dos 624 milhões de euros, que ainda não pagou a totalidade dos reembolsos de IRS e que há atrasos no apoio às empresas em lay-off. “Que o Estado seja tão bom a pagar como é a cobrar e que facilite a vida aos nossos empresários porque são eles que fazem a nossa economia crescer e permitem manter vivas as empresas e salvar postos de trabalho”, manifestou.
Francisco Rodrigues dos Santos entende que o governo “tem de ir ao terreno”, à semelhança do CDS, para ouvir os empresários e saber das dificuldades por que estão a passar. Das Caldas, a comitiva, que integrava também a presidente da distrital de Leiria, Rosa Guerra, partiu para o Bombarral para um almoço com empresários.
A empresa Molde Ceramics nunca parou a produção, tendo aderido ao regime de lay-off. Ana Maria Pacheco explicou que alguns clientes suspenderam as encomendas, muitas delas resultantes das participações em certames internacionais, como o de Paris e Frankfurt, mas que agora estão a voltar.
Com um total de 78 trabalhadores, a empresa de cerâmica possui as marcas Molde, MIC e Azulejo XXI, sendo que as duas primeiras estão no canal Horeca. Entre os principais destinos externos da produção desta empresa estão os Estados Unidos e os países nórdicos.