Ministra da Agricultura reuniu nas Caldas

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A governante quer que este plano seja um instrumento mobilizador para o sector

A ministra da Agricultura, Maria do Céu Albuquerque, reuniu nas Caldas, no passado dia 5 de Março, com autarcas e representantes do sector com vista à preparação da Agenda da Inovação, um plano estratégico que pretende contrariar o abandono da actividade

O Ministério da Agricultura está a preparar um plano estratégico para a próxima década que seja um “instrumento mobilizador” e está a ouvir agricultores, autarcas e representantes de organizações ligadas ao sector. A sétima sessão, a nível nacional, decorreu no CCC, nas Caldas da Rainha, na noite de 5 de Março, e contou com a presença da ministra Maria do Céu Albuquerque.  Este plano, que deverá estar concluído em Abril, pretende nortear a intervenção do ministério na construção do próximo ciclo de investimentos e dar cumprimento aos desígnios do governo para a legislatura, de combate às alterações climáticas, demografia, desigualdades e digitalização. Após a reunião à porta fechada, a ministra da Agricultura disse à Gazeta que saía reforçado o sentimento de que é preciso trabalhar as dimensões das variedades regionais e raças autóctones, assim como o regadio e também o sequeiro, não em contraponto, mas em complementaridade. “É preciso trabalhar com a pequena agricultura, biológica e familiar, mas também com a agricultura competitiva no sentido de equilibrarmos a nossa balança comercial, fomentando as exportações e diminuindo as importações”, referiu. Maria do Céu Albuquerque realçou que, apesar de ser um desafio, as duas realidades têm que ser exequíveis e compatíveis, o que poderá acontecer depois de “muita organização conjunta”.
A ministra da Agricultura defendeu que é preciso trabalhar a dimensão da agricultura sectorialmente, mas também intersectorialmente. Isto porque, realçou, o país tem “excelentes condições para a produção, tem produtos de excelência na qualidade, muito seguros e que são reconhecidos pelos mercados externos”.
A reunião que decorreu nas Caldas juntou agricultores de todo o Oeste, uma região que, de acordo com a governante, tem “produtos de excelência e uma organização ímpar”.
Presente no encontro, o presidente da Câmara das Caldas, Tinta Ferreira, agradeceu à governante ter escolhido a cidade como centralidade regional para a iniciativa. “Apesar de não termos uma agricultura intensiva, produzimos com qualidade e exportamos alguns dos produtos”, disse.
Tinta Ferreira aproveitou a presença dos elementos do governo para reivindicar uma solução para a barragem de Alvorninha, que continua sem reter água, devido a problemas técnicos na sua construção. Foi-lhe garantido, pelo director regional de Agricultura de Lisboa e Vale do Tejo, Lacerda da Fonseca, que o “processo está em curso e que se perspectiva a intervenção na barragem ainda este ano”, disse à Gazeta.
Tinta Ferreira destacou, ainda, o trabalho que as juntas de freguesia têm feito, no âmbito da descentralização de competências da Câmara, ao nível da manutenção dos caminhos agrícolas.

Nova linha de crédito de 290 milhões

“No sector agrícola ainda não temos dados objectivos que nos permitam fazer uma avaliação do impacto do corona vírus”, explicou, ainda, a governante, fazendo notar que, para já, não se regista uma diminuição nas exportações nem “alarmismo” relativamente aos produtos importados.
Para ajudar o sector agrícola, a ministra anunciou uma nova linha de crédito, no valor de 290 milhões de euros, em parceria com o Banco Europeu de Investimento.
O objectivo é, de acordo com Maria do Céu Albuquerque, ajudar os empresários agrícolas a “irem mais longe naquilo que é a sua ambição e a necessidade de Portugal”, por forma a que o nosso país seja capaz de conseguir “equilibrar a balança comercial”.