A família Sá Nogueira mudou para um eléctrico e não pensa voltar ao diesel

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Gazeta das Caldas - carros eléctricos
O casal junto aos seus carros: um eléctrico e um híbrido

A família Sá Nogueira apostou na mobilidade eléctrica há três anos e diz que já não volta aos carros a diesel. Consideram que isso seria o mesmo que “voltar ao tempo das cabines telefónicas, em que não havia telemóveis”. Em conversa com a Gazeta das Caldas o casal salientou as vantagens económicas, mas também ambientais e de conforto. “A condução é mais divertida”, contam.

A história da família Sá Nogueira com os carros eléctricos começa bem longe de Portugal, numa realidade completamente diferente desta. Foi há três anos numa viagem à Noruega “que é um país quase auto-suficiente porque tem uma enorme produção hídrica, que ronda os 90% do consumo, e têm uma capacidade financeira que cá não existia, pelo que lá fazia todo o sentido a mobilidade eléctrica”, explicou José Sá Nogueira, notando que um quarto dos veículos eram eléctricos e que hoje já são metade do total.
Em Portugal, embora existam veículos eléctricos à venda há quase uma década, a mobilidade eléctrica tem tido um desenvolvimento complicado. Primeiro não havia rede de carregamento, depois esta foi criada, mas muitas vezes não funciona. Os incentivos também não tornavam os eléctricos concorrenciais ao nível do preço e havia (e ainda há) alguns receios em relação às autonomias.
Bom, mas regressemos à história da família Sá Nogueira que possui um atelier de azulejaria em A-dos-Francos. “Nós temos consumos energéticos muito grandes e decidimos apostar em painéis solares há cinco anos e vimos que dá um certo gozo conseguir ser um bocadinho auto-suficientes e satisfazer as necessidades sem estar a queimar combustíveis que implicam gastos e emissões a retirar e transportar”.
No seguimento da aposta nos painéis veio a transição para a mobilidade eléctrica. “Tínhamos um carro a diesel com menos de dois anos e cerca de 5000 km, mas foi à revisão e pediram-nos 400 euros para mudar o óleo e pouco mais”. Não gostaram do preço da factura e, impulsionados por amigos que já tinham aderido aos eléctricos, decidiram comprar um Peugeot Ion.
Desta forma conseguem fazer entre 80 a 90 quilómetros (principalmente entre A-dos-Francos e Caldas e nas voltas na cidade) por dia a custo zero. “Imagine o gozo de dizer que estou a andar de carro com a energia que produzo”, disse José Sá Nogueira.
Logo no primeiro dia, uma surpresa: “vim de Leiria a 50 km/h com medo que a bateria não fosse suficiente, mas cheguei a casa com a bateria quase cheia”.
O Ion tem uma autonomia máxima de 150 quilómetros, mas faz em média pouco mais de 100 quilómetros. “Usamos o Ion para viagens diárias, nas Caldas e no Oeste”.

Adaptação durou um dia

A fase de adaptação “durou um dia”, mas reconhecem que “a condução muda radicalmente pois passa-se a andar a 50km/h dentro das cidades e a 120 km/h na autoestrada, porque senão gasta muita energia”. Um dos pormenores da nova condução é que deixa de existir ponto de embraiagem porque este veículos só têm travão e acelerador.
O consumo ronda os 1,20 euros aos 100 quilómetros (ao preço da energia normal). E existem outras vantagens, por exemplo, no caso de particulares há um incentivo estatal de 3000 euros em carros que custem até 62500 euros (sujeito a candidatura) e o não pagamento de IUC, benefícios na factura da EDP e o facto de a revisão custar apenas cerca de 40 euros.
Ainda assim, a economia não é tudo. Amélia Sá Nogueira considera que “é mais cómodo e a condução é mais divertida”. O casal partilha episódios curiosos: “é engraçado que quando vou a Óbidos, as pessoas vão na estrada e não ouvem o carro, então não se desviam”. Por outro lado, “agora quando conduzimos um carro a diesel esquecemo-nos de colocar as mudanças e quando paramos num Stop arrancamos na mesma mudança em que estávamos”.
Portanto, Amélia considera que “no fim de se experimentar um eléctrico não se volta ao diesel ou à gasolina”. O marido completa: “era voltar ao tempo das cabines telefónicas, em que não havia telemóveis”.

Os três inimigos: subidas, velocidades e autoestradas

Os três maiores inimigos de um carro eléctrico são as subidas, a autoestrada e a velocidade, porque consomem muita energia.
A família compara o uso de um veículo eléctrico ao de um telemóvel. “Se amanhã o quiser usar, hoje tenho de o carregar”, equipara José Sá Nogueira, que faz outro paralelismo: “andar com um eléctrico é como andar sempre com um carro na reserva”. A maioria das pessoas receia a questão da autonomia, mas muitas dessas pessoas utilizam o carro diariamente, no máximo cerca de 40 quilómetros e deixam-no parado 90% do tempo. Para todos esses, os eléctricos são a melhor solução.
Apesar de criticarem o facto de a rede de carregamento nas Caldas estar inoperacional, realçam que “existem mais postos de carregamento, do que bombas de gasolina, porque os eléctricos podem ser carregados em qualquer tomada”.
E concordam com a frase do ministro do ambiente, João Matos Fernandes quando disse que os veículos a diesel iam acabar. “Se daqui a cinco anos quiser comprar carro ou é híbrido ou é eléctrico, não vai haver diesel”, disse José Sá Nogueira.
O casal conta que quando colocam os carros a carregar é frequente curiosos pararem para perguntar informações.
Mais do que proprietária de um carro eléctrico, a família Sá Nogueira é apaixonada pela mobilidade eléctrica e também tem um híbrido Mitsubishi Outlander PHEV e bicicletas eléctricas. Participam nos fóruns online, onde a comunidade partilha curiosidades e histórias e têm uma plataforma para saber onde existem pontos de carregamento.