Abate de pinhal junto à cidade gera indignação, mas CHO garante reflorestação

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As árvores foram cortadas a partir de meados da semana passada

O abate de árvores no Pinhal do Rei, próximo da ESAD, tem gerado uma onda de indignação, mas o Centro Hospitalar do Oeste garante que o pinhal irá ser replantado, mantendo-se como espaço verde

Anabela Barosa mora há 24 anos a escassos metros do Pinhal do Rei e está indigada com o corte total de uma parte do que apelida, “um dos pulmões da cidade” e que está a gerar indignação. Aquele espaço, propriedade do Centro Hospitalar do Oeste (CHO) era utilizado por muitas pessoas para momentos de lazer.
“Eu aqui corri, passeei com as minhas filhas, que também aqui aprenderam a andar de bicicleta”, recorda a caldense, dando também nota do seu valor em termos de biodiversidade. Considera que não se trata de uma reabilitação do pinhal pois “os pinheiros novos foram cortados e alguns dos mais velhos permanecem de pé” e lamenta que a população não tenha sido informada.
Anabela Barosa foi uma das poucas pessoas que compareceu no protesto, marcado nas redes sociais para a passada segunda-feira , no local onde estavam a ser cortados os últimos pinheiros. Também Rodolfo Morais, alertado para a situação pelas redes sociais fez questão de marcar presença. “Não concordo com o que se está aqui a passar, estão a desbravar pinheiros saudáveis e numa altura de nidificação de aves”, manifestou o caldense, queixando-se de falta de explicações por parte das entidades oficiais.
Questionado pela Gazeta das Caldas, o Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Oeste (CHO) explicou que o pinhal apresentava uma densidade muito elevada, com árvores a secar e a morrer e outras já marcadas pela presença de nemátodo do pinheiro, que obrigava ao seu corte. Por outro lado, o pinhal não possuía a Faixa de Gestão de Combustíveis, sendo que as copas das árvores não distavam entre si os 10 metros de separação regulamentarmente estabelecido para o pinheiro bravo. Razões que levava o pinhal a estar “sinalizado para coimas pela GNR, que não foram concretizadas por atenção às ações do CHO no sentido de resolver a situação, embora mais demorada por força de toda a turbulência resultante da pandemia”, explica.

Manutenção do espaço verde
O pinhal “já havia ultrapassado o seu termo de explorabilidade, pelo que haveria que proceder-se também ao abate das árvores”, uma situação que mereceu um parecer do Gabinete Técnico Florestal da Câmara das Caldas, que não viu inconveniente no corte, quer em termos legais quer em termos ambientais. O CHO garante, no entanto, que esteve sempre decidida a reflorestação do Pinhal de Santo Isidoro, o que irá suceder uma vez terminado o processo de corte. “O pinhal irá ser replantado, mantendo o seu uso como espaço verde”, refere, acrescentando que ali deverá ser plantado pinheiro bravo, com intervenção em cerca de dois anos para se proceder ao alinhar do pinhal, assegurando que as árvores irão cumprir os 10 metros de separação entre copas, ou por pinheiro manso, que permite uma maior rentabilidade por hectare.
A administração do CHO lembra que a gestão do pinhal nesta ação foi articulada (e acompanhada) com o Gabinete Técnico Florestal da autarquia e que o abate das árvores decorreu de forma regulamentar, num processo “público e absolutamente transparente”. O processo foi por venda em hasta pública, em anúncio publicado no jornal Gazeta das Caldas, em 18 de março. Para a venda foram definidos os termos do serviço a prestar, sendo o critério de adjudicação o do preço mais elevado por tonelada e tendo a abertura das propostas decorrido em ato público, concretiza.

Moradores e responsáveis locais alertam para a intensidade do abate de pinheiros

CHO justifica ação com densidade elevada e desrespeito pela regulamentação em vigor

Tirar lições para o futuro
Vitor Diniz, da Comissão Cívica Proteção das Linhas de Água e Ambiente, não tem dúvidas da legalidade da intervenção, mas discorda da sua amplitude.
“Não precisava ser tão radical, em cada dois pinheiros podia deixar-se um”, sugere o dirigente, adiantando que dessa forma o local não ficaria desbravado, demorando anos até as novas árvores crescerem. O porta-voz da comissão salienta que é preciso tirar lições destas situações, para que no futuro não se repitam, e informa que vai reunir com a administração do CHO para se inteirar como foi feita a adjudicação do corte, qual o valor e em que será aplicada a verba daí resultante.
Também o vereador socialista, Luís Patacho, viu o corte do pinhal com a “mesma preocupação dos moradores”, lamentando “profundamente o abate integral de uma zona verde tão relevante pela sua extensão e qualidade, ainda por cima numa localização tão sensível, junto da ESAD e do Quartel da ESE”. Reconhece que havia problemas fitosanitários com alguns dos pinheiros, e que não estavam cumpridas as normas sobre o distanciamento das copas mas considera que “nada justifica um lamentável abate integral – uma rasia radical – de todas aquelas árvores” e alerta que é importante assegurar de que não foram abatidas árvores de espécie protegida. Embora respeitando o direito à propriedade, o autarca entende que uma entidade pública tem uma especial responsabilidade social, pelo que espera que o CHO” reponha aquela mancha verde quanto antes, mantendo ou até melhorando no futuro a qualidade daquele espaço”.
Os serviços da autarquia já tinham alertado o CHO, em meados de 2000, para a “elevada mortalidade dos pinheiros”, e que em outubro desse ano, a proteção civil teve de proceder ao abate de 12 pinheiros que apresentavam risco de queda, junto à rede viária, devido a vários problemas fitossanitários.